Quatro cenários para o fim da Superpotência Americana até 2025.



 Esse texto é um fragmento do texto Tomgram: Alfred McCoy, Taking Down America publicado em 5 de dezembro em tomdispatch.com, dividido aqui em partes e publicadas individualmente:

 a)Declínio econômico dos Estados Unidos: Situação atual.
 b)Declínio econômico dos Estados Unidos: Cenário de 2020.
 a)Crise petrolífera: Situação atual.
 b)Crise petrolífera: Cenário 2025.
 a)As aventuras militares desastrosas dos Estados Unidos: Situação atual.
 b)O Cenário de 2014 das aventuras militares dos Estados Unidos.
 a)Cenário atual de uma III Guerra Mundial.
 b)Cenário de III Guerra Mundial até 2025.


Quatro cenários para o fim do século americano em 2025.

 O fim da hegemonia americana, pode chegar muito mais depressa do que se imagina. Se Washington está convencido que o fim do Século Americano será lá para 2040 ou 2050, uma avaliação mais realista das tendências internas e globais sugere que em 2025, apenas daqui a 15 anos, pode estar tudo acabado aos Estados Unidos, enquanto superpotência global. 

 Os futuros historiadores identificarão provavelmente a imprudente invasão do Iraque da administração Bush em 2003 como o início da queda da América. Mas, ao contrário do banho de sangue que marcou o fim de tantos impérios do passado, com cidades a arder e massacres de civis, este colapso imperial do século vinte e um pode ocorrer de modo relativamente calmo através dos rebentos invisíveis do colapso econômico ou da guerra cibernética. 

 Mas sem sombra de dúvidas: quando finalmente acabar o domínio global de Washington, todos os dias haverá recordações dolorosas do que tal perda de poder significa para os americanos qualquer que seja o seu estilo de vida. Como meia dúzia de países europeus descobriram, o declínio imperialista tende a ter um impacto bastante desmoralizante numa sociedade, impondo pelo menos uma geração de privações econômicas. À medida que a economia arrefece, a temperatura política sobe, estimulando frequentemente uma grave turbulência interna. 

 Significativamente, em 2008, o National Intelligence Council dos Estados Unidos reconheceu pela primeira vez que o poder global da América estava de fato numa trajetória de declínio. Num dos seus relatórios futuristas periódicos, Global Trends 2025, o Conselho citava “a transferência da riqueza e do poder econômico globais atualmente em curso, de modo geral do ocidente para o oriente” e “sem precedentes na história moderna”, como o principal fator no declínio da “força relativa dos Estados Unidos – mesmo na área militar”. Mas, tal como muita gente em Washington, os analistas do Conselho previam uma aterrissagem muito prolongada e muito suave para o predomínio americano global e albergavam a esperança de que, de certa forma, os americanos iriam “manter competências militares únicas… para projetar globalmente o poder militar” durante as próximas décadas. 

 Segundo as atuais projeções, os Estados Unidos vão encontrar-se em segundo lugar, atrás da China (já a segunda maior economia do mundo) em produtividade econômica por volta de 2026, e atrás da Índia em 2050. Do mesmo modo, a inovação chinesa está numa trajetória para a liderança mundial em ciências aplicadas e em tecnologia militar aproximadamente entre 2020 e 2030, à medida em que o atual suprimento de brilhantes cientistas e engenheiros da América se reformarem sem uma substituição adequada por uma geração mais nova com deficiente instrução. 

 Em 2020, segundo os planos atuais, o Pentágono jogará uma última cartada para um império em queda. Lançará uma tripla cobertura letal de modernas armas aeroespaciais robóticas como a última esperança de Washington para manter o poder global apesar da redução da sua influência econômica. Mas nesse ano, a rede global chinesa de satélites de comunicações, apoiada pelos super-computadores mais poderosos do mundo, também estará plenamente operacional, fornecendo a Pequim uma plataforma independente para o armamento do espaço e um poderoso sistema de comunicações para ataques de mísseis ou cibernéticos em todos os quadrantes do globo. 

 Envolvida em sua prepotencia imperial, tal como Whitehall ou o Quai d’Orsay antes dela, a Casa Branca parece imaginar ainda que o declínio americano será gradual, suave e parcial. No discurso sobre o Estado da Nação em Janeiro passado, o presidente Obama voltou a garantir que “eu não aceito um segundo lugar para os Estados Unidos da América”. Dias depois, o vice-presidente Biden ridicularizou a idéia de que “estamos destinados a cumprir a profecia [do historiador Paul] de Kennedy de que vamos ser uma grande nação que falhou porque perdemos o controlo da nossa economia e exageramos”. Do mesmo modo, ao escrever na edição de Novembro da revista institucional Foreign Affairs, o guru da política neoliberal Joseph Nye afastou qualquer conversa sobre o crescimento econômico e militar da China, desdenhando “metáforas enganadoras de declínio orgânico” e negando que estivesse em marcha qualquer deterioração do poder global dos Estados Unidos. 

 Os americanos mais simples, que vêem os seus empregos a fugir para além-mar, têm uma perspectiva mais realista do que os seus lideres requintados. Uma sondagem de opinião de Agosto de 2010 chegou à conclusão de que 65% dos americanos estão convencidos de que o país já se encontra “numa situação de declínio”. A Austrália e a Turquia, tradicionais aliados militares dos Estados Unidos, já estão a usar as suas armas fabricadas por americanos em manobras aéreas e navais conjuntas com a China. Os parceiros econômicos mais próximos da América já estão a distanciar-se de Washington quanto à oposição às taxas de câmbio da China. Quando o presidente regressou da sua visita à Ásia no mês passado, um cabeçalho tristonho do New York Times resumia a situação desta maneira: “A visão econômica de Obama é rejeitada no cenário internacional, a China, a Grã-Bretanha e a Alemanha desafiam os Estados Unidos e as conversações comerciais com Seul também falham”. 

 Vista numa perspectiva histórica, a questão não é se os Estados Unidos vão perder o seu incontestado poder global, mas em que grau de rapidez e de violência o declínio ocorrerá. Utilizando a própria metodologia futurista do National Intelligence Council serão sugeridos quatro cenários realistas para comprovar como o poder global dos Estados Unidos pode chegar ao fim nos anos 20 (acompanhados de quatro análises correspondentes da situação atual). Os cenários futuros incluem: declínio econômico, choque petrolífero, desventuras militares e III Guerra Mundial. Embora estas não sejam as únicas possibilidades no que se refere ao declínio americano ou mesmo ao seu colapso, constituem uma visão sobre um futuro próximo.