Crise na Síria pode ser solucionada sem ação militar, diz Obama.


  O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta segunda-feira que a crise política na Síria pode ser solucionada sem uma intervenção militar e disse que uma solução negociada é possível. As declarações foram feitas em entrevista ao canal americano NBC.

 As afirmações de Obama mudam o temor de que Estados Unidos e os países membros da OTAN pudessem fazer uma ação militar similar à ocorrida na Líbia para forçar a saída de Muammar Kadhafi, no ano passado, após o veto de China e Rússia à aplicação de um plano para a queda do ditador Bashar al-Assad.

 Mais cedo, a embaixadora americana na ONU (Organização das Nações Unidas), Susan Rice, lamentou o veto russo e chinês à resolução para o conflito na Síria e acusou os dois países de aumentarem o risco de guerra civil.

 “Acredito que Rússia e China vão lamentar sua decisão, que os alinhou a um ditador agonizante cujos dias estão contados e que lhes pôs em uma posição complicada em relação ao povo sírio e à região em conjunto”.

 A representante ainda afirmou que os dois votos foram “uma estaca no coração das tentativas de resolver o problema por vias pacíficas” e disse que Rússia e China estão “manifestamente com Assad”.¹

EUA e Rússia chegaram ao compromisso sobre questão síria

O veto russo-chinês no Conselho de Segurança da ONU à resolução sobre a Síria fornece à Rússia um tempo necessário para convencer o presidente sírio Bashar Assad em sua demissão inevitável, informa o jornal árabe Asharq Alawsat, fazendo referências às fontes diplomáticas na ONU.

Segundo os dados do jornal, no âmbito do encontro da secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton e o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia Serguei Lavrov antes da sessão do Conselho de Segurança os lados chegaram ao acordo, conforme o qual a resolução sobre a Síria seria colocada para votação e os americanos aceitariam o veto russo, mas ao mesmo tempo a Rússia utilizará toda a sua influência para convencer Assad para se demitir. Se este acordo não tiver sucesso, os EUA oferecerão ao Conselho de Segurança a sua variante da resolução, contra a qual a Rússia já não deverá votar.

O fato de este acordo ter sido aceite pelos EUA e pela Rússia pode ser confirmado pela visita planejada à Síria de não só Serguei Lavrov, o que já é uma das provas da seriedade das intenções russas, mas também do diretor do Serviço de Inteligência Estrangeiro da Rússia Mikhail Fradkov.²


Fonte: [¹]Folha Online, [²] Voz da Rússia.