Putin alerta sobre risco de guerra interminável na Síria.


O presidente da Rússia, Vladimir Putin, advertiu hoje de que a Síria poderia envolver-se em uma interminável guerra civil, se o atual mandatário Bashar Assad caia do poder à força.

O atual Governo sírio e a oposição simplesmente trocarão de lugares, se se produz uma destituição inconstitucional de Assad, alertou Putin no encontro com o primeiro ministro da Itália, Mario Monti, na cidade de Sochi, na costa russa do mar Negro. “Não queremos que os acontecimentos evoluam pela via mais sangrenta, a de uma guerra civil que se prolongaria por sabe-se lá quantos anos, como no Afeganistão”, disse.

A ordem de atuação, segundo ele, será a seguinte: “cessar a violência, realizar negociações, buscar uma solução, definir as bases constitucionais da futura sociedade e só depois proceder às mudanças estruturais. Do contrário haverá o caos”.

Tanto o Governo da Síria como a oposição armada devem “organizar o processo de negociações para poder chegar a uma solução de compromisso sobre o futuro da nação”, destacou Putin sobre a pergunta de que papel deveria desempenhar estes dias Bashar Assad.

A recente decisão de prolongar por 45 dias o mandato da Missão de Observação das Nações Unidas na Síria (UNSMIS) “demonstra que é possível falar sobre a plataforma da ONU fórmulas de compromissos e acordos universais em benefício do povo da Síria apesar de certas discrepância acerca do que é primordial e o que é secundário”, no julgamento de Putin.

A prorrogação do mandato foi votada no Conselho de Segurança da ONU um dia depois que a China e a Rússia vetaram pela terceira vez uma proposta de sanções contra a Síria, onde o conflito armado entre as forças de segurança e a oposição causou mais de 16.000 vítimas desde março de 2011.

O primeiro ministro italiano Mario Monti se pronunciou pela aplicação na Síria  de “uma variante que já se usou no Líbano, a saber, a formação de um Governo de transição que inclua todos os componentes da sociedade síria”.

“Seria impossível adotar semelhante resolução na ONU sem o correspondente apoio por parte da Rússia”, assinalou.

Fonte: Ria Novosti