EUA contra a reunião da OEA, se opõe à liberdade de informação.


O destino de Julian Assange será decidido em Washington

O Equador, que entrou em luta com a Grã-Bretanha por Assange, procura apoio dos vizinhos na região. Em 24 de agosto em Washington realizar-se-á um encontro especial dos ministros do exterior dos países da Organização de Estados Americanos sobre esta questão.

“O pai de material comprometedor”, Julian Assange, na semana passada novamente ficou no centro de escândalo. As autoridades da Grã-Bretanha ameaçaram prender Assange, mesmo se para tanto os policiais tenham de invadir o território da embaixada do Equador em Londres. O Equador encarou semelhantes declarações como manifestação de política colonial e pediu apoio do países da região.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) reunir-se-á em conferência especial sobre a questão das relações entre o Equador e a Grã-Bretanha, em conflito por causa do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, em 24 de agosto. O encontro será em Washington, apesar de justamente os EUA votarem contra a conferência urgente. O problema é somente nas relações do Equador e Grã-Bretanha, e quem está fora não deve se intrometer, declararam no Departamento de Estado norte-americano. Entretanto tudo indica que é justamente Washington quem pressiona todos os figurantes deste caso, diz o dirigente do centro de estudo de conflitos junto à Universidade de Sydney Jack Lynch:

“Nós estamos convictos e muitos sinais confirmam isto, de que o que ocorre é uma tentativa de levar Assange para os EUA e acusá-lo de espionagem ou terrorismo. E isto será um verdadeiro golpe na liberdade de informação.”

Os EUA “afia os dentes” contra Assange, pela série de publicações, na Internet, de documentos que revelam segredos do Departamento de Estado norte-americano e do Ministério da Defesa. Por espionagem ele está ameaçado até de pena de morte. Durante muito tempo Assange, sensatamente, evitou locais onde ele poderia cair em mãos da Justiça americana. Mas em 2010 a Suécia envolveu-o em um caso de estupro. A acusação não foi apresentada, mas a recusa em comparecer à polícia para prestar depoimentos serviu de pretexto para emitir ordem europeia de prisão. As autoridades da Grã-Bretanha, onde Assange se encontrava nos últimos tempos, concordaram em extraditar o jornalista para a Suécia, porém há um mês ele se asilou na embaixada do Equador e pediu asilo político. O ministro do MRE do Equador, Ricardo Patinho anunciou na quinta-feira a decisão de atender o pedido de Assange:

“O governo do Equador, fiel aos seus princípios de defender os que procuram asilo em seu território, ou em suas missões diplomáticas, tomou a decisão de conceder asilo ao cidadão Julian Assange.”

Agora Julian Assange pode ir para o Equador ou morar em sua representação londrina. Tal possibilidade é concedida pela Convenção de Viena sobre relações diplomáticas. Entretanto as autoridades britânicas têm seu ponto de vista sobre os acordos internacionais. Segundo a lei local eles podem privar a embaixada do status de missão diplomática e isto significa de imunidade, entrar na embaixada e prender Assange. O governo britânico informou o Equador a respeito por escrito.

Tal desrespeito gritante das normas mundialmente aceitas provocou crítica de muitos países. Por esse motivo Londres diminuiu o tom e concordou em continuar as conversações sobre o destino de Assange, apesar de não esconder sua firme intenção de entregar o jornalista à Suécia. De onde ele será entregue diretamente aos EUA, não duvida o politólogo Pavel Sviatenkov:

“Acho que, apesar da disposição do Equador de conceder asilo político a Assange, o mais provável é que os EUA, com o passar do tempo, consigam o que querem. Porque para eles é importante que tal ação como WikiLeaks não fique impune. Mesmo se Assange for para o Equador ou permanecer na embaixada, os americanos continuaram a tentar arrancá-lo de lá e cedo ou tarde o terão em suas mãos.”

Enquanto isto o status de refugiado político não retirou de Assange o status de criminoso muito procurado. A Interpol confirmou que o fundador do site WikiLeaks continua na chamada lista vermelha. O documento com canto vermelho no site da Interpol significa que os países participantes da organização podem tomar quaisquer medidas no âmbito de sua legislação para detenção ou prisão da pessoa indicada.

Fonte: Voz da Rússia