Rússia se prepara para bloquear acesso ao YouTube.


Os russos podem perder completamente o acesso ao serviço de compartilhamento de vídeos YouTube, quando em 1 de novembro no país entrarem em vigor uma série de disposições da lei sobre as listas negras de sites, que permitem bloquear sem ordem judicial as páginas da web que contenham informações proibidas na Rússia.

Um dia antes, a Procuradoria Geral da Rússia anunciou sua intenção de obter uma proibição da distribuição na Federação Russa do filme A Inocência dos Muçulmanos que causou protestos em massa no mundo muçulmano. Se o vídeo for considerado extremista pelo tribunal,e o proprietário do servidor de vídeo não restringir o acesso a ele, então serão as autoridades russas a fazê-lo.

“Por causa deste filme, em 3-5 de novembro na Rússia, o YouTube pode ser completamente bloqueado”, – escreveu em seu Twitter o ministro das Comunicações, Nikolai Nikiforov. [1]

Rússia sem YouTube?

O serviço de vídeos YouTube pode se tornar inacessível para usuários russos. A razão é a colocação do trailer do escandaloso filme A inocência dos muçulmanos. A Procuradoria-Geral da Rússia reconheceu o filme como extremista que insulta os sentimentos religiosos. No entanto, o proprietário do YouTube, a empresa Google recusa-se a limitar o acesso ao trailer.

A Procuradoria-Geral apresentou a ação judicial para proibir a divulgação do filme A inocência dos muçulmanos na Rússia. Apesar do julgamento ainda estar pendente, o departamento solicitou ao Serviço Federal de Supervisão de Comunicações de agir. O trailer colocado no YouTube provocou uma onda de manifestações antiamericanas em países muçulmanos.
Apesar do pedido das autoridades de alguns países, a Google declarou que não iria remover o vídeo. No entanto, mais tarde, o acesso foi limitado – mas não em todos os países. No Paquistão, por exemplo, não bloquearam o escandaloso filme. Como resultado, as autoridades locais têm instruído os provedores locais de serviços de internet para bloquear o acesso ao YouTube para todos os residentes do pais.

A mesma história pode se repetir na Rússia. No dia 01 de novembro entram em vigor as alterações à lei de proteção das crianças contra informações prejudiciais. Se antes disso o YouTube não remover a página que contem informações proibidas, todos os provedores de Internet russos serão obrigados a limitar o acesso ao site, disse à Voz da Rússia o CEO da Liga da Internet segura Denis Davydov.

“Primeiro, apresenta-se a reclamação contra o provedor do hosting que a encaminha para o proprietário do site. Neste caso, o provedor de hosting e o proprietário – é a mesma pessoa, a empresa Google que terá de tomar a decisão de remover a informação. Se a empresa não remover tal informação a pedido do tribunal, o acesso ao site pode ser bloqueado.”

No entanto, o mais provável que o YouTube não chegue a ser bloqueado, considera o chefe do departamento da teoria de comunicações da Faculdade de Jornalismo, Ivan Zasursky.

“Mesmo se a lei permitir registrar o YouTube entre sites a serem bloqueados, não é obrigatório assim fazer. O YouTube é uma empresa que cumpre a lei, que segue todas as leis nos lugares onde transmite. Em alguns países árabes, o filme não está disponível. Eu acho que na Rússia também este filme não estará disponível.”

Enquanto isso, o inspirador do filme escandaloso – Terry Jones – tornou-se a persona non grata na Europa. O pastor americano ficou famoso mesmo antes da Inocência dos muçulmanos. Ele se tornou conhecido por queimar o Alcorão. E agora, quando Jones planejava ir para a Alemanha a convite de uma das organizações de extrema-direita, as autoridades alemãs declararam: A presença de tais “estrelas” no país não é desejável[2]

YouTube será proibido por “inocência”.

Milhões de usuários russos do YouTube podem perder o acesso a este serviço, por causa do duro filme anti-islâmico A Inocência dos Muçulmanos. É que a película ofensiva para o Islã será abrangida pela Lei dos Sites Proibidos, a entrar em vigor na Rússia já em novembro.

Ao abrigo da referida lei, aos operadores impõe-se bloquear acesso aos materiais proibidos. Se o filme A Inocência dos Muçulmanos for classificado de extremista por instâncias judiciárias, convirá ao YouTube bloqueá-lo. Caso não o faça, o famoso site hosting, ou seja, o serviço de compartilhamento de vídeos, será inviabilizado também.

Enquanto isso, as opiniões de usuários se dividem em muitos prós e contras: há quem diga que assim se populariza a nova lei. Outros afirmam que, desta forma, se pretende tornar mais popular o próprio filme. Claro que a par disso existe uma posição oficial, preconizada pela Procuradoria Geral, pelo Serviço Federal de Supervisão na Esfera de Comunicações, Tecnologias Informativas e Mass Mídia e pelo senador Ruslan Gattarov. Em sua ótica, o vídeo em causa ofende os sentimentos religiosos dos muçulmanos. Em torno da rede mundial houve uma inquietação em grande escala, o que não deixa de surpreender as pessoas que professam outras crenças religiosas. Entre elas, a conhecida escritora e personalidade social, Elena Tchudinova.

“Ninguém quis proibir o YouTube quando era exibido o arrogante e abominável, para qualquer cristão, O Código Da Vinci. Os cristãos crentes ficaram indignados. No entanto, na Rússia, os representantes de uma só confissão religiosa dominam muito bem os mecanismos da chantagem social. Por isso, acontece que, por um lado, as autoridades oficiais, receosas pela chantagem da parte da comunidade muçulmana, têm de reagir de forma adequada. Por outro lado, vivemos no século XXI, considerado época de tecnologias modernas em que a prática das proibições seria o mesmo que carregar água em um cesto.”

A proibição do YouTube por causa do filme anti-islâmico é capaz de provocar a onda de protestos ainda maiores. Basta recordar as manifestações organizadas na Europa em face da adoção das leis anti-pirataria SOPA e ACTA. Mas, de qualquer forma, a lei tem que ser respeitada, opina o membro da Câmara Social da FR, Anton Korobkov-Zemliansky.

“A interdição do acesso ao YouTube será uma medida bastante rígida, semelhante às previdências que já foram tomadas em uma série de países árabes. E nesse caso a Rússia teria assumido aspecto de um país relativamente totalitário. Mas, de qualquer forma, isso não se deve a um livre arbítrio de uma pessoa ou à questão de preferências. São os próprios cidadãos que apresentam respectivas queixas, porque o filme lesa os seus sentimentos. E nisto eu não vejo nada de extraordinário, creio ser possível evitar situações extremas. Tudo indica que o YouTube retirará o polêmico vídeo dos seus servidores, tornando-o inacessível para o usuário.”

Resta-nos acompanhar o desenrolar dos acontecimentos. Mas aconteça o que acontecer, a Internet é um universo em que se pode encontrar mesmo aquilo ali já não existe. Estão, por exemplo, ativos os servidores Proxy, assim como as funções especiais em brawseres (navegadores), que permitem buscar os materiais que tinham sido retirados da parte visual da rede mundial.

No que tange ao filme que causou essa ressonância tão ampla, esse, antes de ser qualificado de extremista pelo tribunal, já passou para os torrent-trackers, que são servidores auxiliares. Como é do conhecimento geral, o fruto semi-proibido é bem doce. [3]

[1]http://portuguese.ruvr.ru/2012_09_18/88583154/

[2]http://portuguese.ruvr.ru/2012_09_18/88639385/

[3]http://portuguese.ruvr.ru/2012_09_19/you-tube-sera-proibido-na-russia/