O ‘milagre econômico’ alemão é a empresa familiar.


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O fenômeno da ‘mittelstand’, um tipo de empresa industrial existente nos países de língua alemã, se baseia no negócio familiar e nas tradições patriarcais e parece ser um vivo retorno à época pós-industrial.

Os economistas de todo o mundo conhecem muito bem esta palavra e na cidade alemã de Bonn existe um centro de investigação que se encarrega exclusivamente dos problemas das ‘mittelstand’.

‘Mittelstand’ se compõe de duas palabras Mittel (meio, centro) e Stand (estado, nível) e engloba a pequenas e meias empresas do país. Uma empresa que tem até 30 empregados, se localiza em uma minúscula oficina, no entanto é uma marca reconhecida a nível mundial, é precisamente ‘mittelstand’.         

Se evita o uso das nanotecnologias e das avançadas tecnologias da informação; a exceção da Internet, à qual se recorre para manter o contato com os clientes. As empresas da ‘mittelstand’ reúnem em um 99% os requisitos da época industrial clássica, mas facilitam lugares de trabalho a mais de 60% da população ativa da Alemanha.

Os especialistas europeus e americanos crêem que, além de assegurar a liderança da economia alemã, cada ‘mittelstand’ preserva do colapso a todo o sistema financeiro comunitário.

De modo que não é casual a intensa atenção até a ‘mittelstand’, oásis da segurança no oceano da crise mundial, mostrado pelos Estados Unidos.

O fenômeno de ‘mittelstand’ fundamentalmente baseado no negócio familiar e nas tradições patriarcais, e parece ser um desafio de viver como na época pós-industrial. Para começar, a pequena e media empresa alemã, ainda mantendo salários altos, não abre centros produtivos no exterior apesar de dispor dos fundos necessários.

Em nossa época de “empréstimo fácil”, os representantes da ‘mittelstand’, inclusive as empresas mais importantes, se empenham em não cair nas redes dos organismos de crédito. “Não tenho nenhum empréstimo bancário. Esse é o traço característico da mittelstand”, assegura uma das empresárias.

“O que buscam é fomentar sua independência dos bancos e os organismos internacionais”, explica um dos especialistas do centro de investigação de Bonn.

O conceito ‘mittelstand’ engloba empresas que contam com até 500 empregados e cujas vendas anuais não superam os 50 milhões de euros. Atualmente, os fabricantes do setor estão ampliando seus mercados na China e nos países da Ásia e América Latina.

No trato aos clientes, tanto os antigos como os recém adquiridos, sempre são observadas regras estritas. Em primeiro lugar, a razoabilidade, o bom senso, está a cima de outros fatores, incluindo as receitas. Se prioriza a estabilidade, não o crescimento: é mais importante poder deixar aos herdeiros uma empresa bem establecida.

Muitos alemães vêem as raízes da atual crise financeira na tão grande incapacidade de renunciar aos benefícios junto com os riscos que envolvem a favor da estabilidade e de um mercado equilibrado.

Um representante típico da ‘mittelstand’ nunca aceitará que um cliente aspire a mais de 10% de todo o volume de vendas. Se um pede mais, receberá uma negativa cortês. E esta atitude parece ser muito justificada: durante a crise numerosos atacadistas quebraram, mas a redução das vendas em uns 10% não afetou muito aos fabricantes.

No entanto, os representantes da ‘mittelstand’ se mostram preocupados pela debilidade do euro, que está se tornando perigosa, dado que a introdução da moeda única tem sido e segue sendo um bem indubitável para a Alemanha. O setor aprecia enormemente a velocidade das entregas, para o qual se necessita um mercado comum livre das flutuações das moedas nacionais.

Segundo as pesquisas da Federação da Indústria Alemã, mais da metade dos fabricantes do setor qualifica a situação do seu negócio ao longo deste ano como boa ou muito boa. Tão só uns 8% a avaliado de maneira negativa. Contudo, os prognósticos para o ano que vem não são tão promissores: o 14% dos entrevistados oferece uma visão pessimista e os 38% seguem sendo otimistas.

Rússia e Alemanha estão interessadas em igual medida em desenvolver a cooperação direta e a longo prazo entre as empresas ‘mittelstand’ e os consumidores russos, assim como entre pequenas e medias empresas de ambos países. O fórum ‘Diálogo em São Petersburgo’ celebrado recentemente poderia converter-se em um terreno importante –mas não o único- para a promoção dos contatos comerciais e a formação de uma aliança bilateral.

autor: Armen Oganesian

fonte: http://sp.rian.ru/opinion_analysis/20121127/155696691.html