Uma guerra gelada no Ártico?


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O Ministério do Desenvolvimento Regional da Rússia prorrogou a receção das conclusões de peritos referentes ao projeto-lei sobre a zona ártica da Federação Russa. No fundo, trata-se da etapa final de formação de uma estratégia estatal na zona de interesses russos fora dos limites do Círculo Polar Ártico. Este passo é necessário, porque até os países que se situam bastante longe da região constroem planos estratégicos em relação ao Ártico.

Há seis anos, nossos exploradores polares instalaram a bandeira da Rússia no fundo oceânico do Polo Norte, reivindicando para si este setor – foi assim e não sem razões que foi interpretada no mundo a etapa final da expedição. A partir de 2007, a situação no Ártico começou a mudar muito rapidamente.

Arctic North Pole

Passados exatamente quatro dias após a instalação da bandeira russa debaixo do Polo Norte, ou seja já em 06 de agosto, um quebra-gelos da guarda costeira dos Estados Unidos, o Healy, partiu para o oceano Glacial Ártico para efetuar certas pesquisas científicas não reveladas. A Dinamarca enviou uma expedição com o objetivo de provar que a cordilheira Lomonossov pertence à coroa dinamarquesa, direito que já foi anunciado pela Rússia. O Canadá declarou a intenção de desdobrar uma base militar na ilha de Baffin. A Noruega abriu em latitudes árticas um Centro de Comando Operacional e comprou de uma só vez 48 aviões militares de patrulhamento Lockheed F-35. Submarinos atômicos norte-americanos passaram a atravessar mais frequentemente a região do Polo Norte. Submarinos portadores de mísseis e aviões estratégicos de longo alcance da Rússia começaram também a patrulhar mais regularmente o Ártico. Manobras militares tornaram-se habituais na região.

As suposições da ONU e do Serviço Geológico dos Estados Unidos de que as reservas de hidrocarbonetos no fundo do oceano Glacial Ártico poderão constituir até 25% do conteúdo das jazidas mundiais não são uma brincadeira. A causa deste interesse consiste em que o gelo de verão está diminuindo e a região se torna cada vez mais acessível para uma exploração econômica mais intensa, destacou em entrevista à Voz da Rússia o coordenador do Programa Ártico Internacional do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), Mikhail Babenko:

“Trata-se não apenas de hidrocarbonetos, mas também de mineração e de pesca e, naturalmente, do transporte. O ano de 2012 foi bastante dinâmico para o transporte pela Via Marítima Norte da Rússia. Muitos governos viram nisso uma oportunidade adicional para o seu desenvolvimento econômico. Esta é uma das causas pelas quais se formou tal situação agitada em torno do petróleo e do gás no Ártico.”

Não menos de quinze países participam na investigação intensa da região do Polo Norte, disse à Voz da Rússia o chefe da Seção de Cooperação Científico-Técnica Internacional do Instituto de Investigação do Ártico e Antártico, Serguei Priamikov:

“Referindo-se aos países que revelam interesse em relação ao Ártico, lembre-se que o Tratado de Svalbard (que regulariza a atividade na ilha de Spitsbergen) tem 40 signatários. Ultimamente, enorme interesse foi demonstrado por parte da China, do Japão, da Coreia do Sul e da Índia. Esse interesse explica-se pelo fato de no Ártico estarem concentradas grandes reservas de matérias-primas, em primeiro lugar de hidrocarbonetos. Por esta causa, vários países insistem em declarar o Ártico como zona internacional sem fronteiras. Na realidade, as fronteiras existem e, no caso do oceano Glacial Ártico, estão fixadas na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.”

Um dos últimos relatórios do FMI, que diz respeito aos produtos energéticos, prognostica: o atual preço do petróleo, que hoje constitui 110 dólares por barril, pode aumentar em duas vezes no fim deste decênio. Semelhantes prognósticos são apresentados também por muitas outras organizações estatais, internacionais e independentes. A sua certeza é ilustrada patentemente por uma atividade multilateral dos referidos países no oceano Glacial Ártico.

Autor: Nikita Sorokin

Fonte: http://portuguese.ruvr.ru/2013_02_04/Guerra-gelada-no-Artico/