EUA admitem que foram alvos de ciberataques chineses.


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O silêncio muito delicado guardado pelas autoridades oficiais dos EUA perante os ciberataques cada vez mais frequentes realizados pela China poderá ser interrompido em breve. Antes, a Casa Branca receava acusar Pequim de furto de informações secretas através da Internet e nem sequer fazia referências a tal fonte de ciberataques.

Hoje, os EUA estão a pensar de eventuais contramedidas. A mídia norte-americana admite que um conflito entre duas superpotências no espaço virtual poderá levar a uma nova Guerra Fria que ponha à prova as relações bilaterais.

Por encargo da Casa Branca, a empresa privada Mandiant efetuou um mapa dos arrombamentos cibernéticos levados a cabo pela China. Tornou-se claro que a maioria esmagadora dos ataques partiu do mesmo local, ou seja, de um prédio vulgar situado nas cercanias de Xangai, onde se encontra aquartelada a subunidade militar APT1. Foi ali que os hackers entravam nas redes informáticas de 140 entidades norte-americanas. Um interesse especial foi revelado em relação a tecnologias aeroespaciais e, não se sabe por que razão, ao design de turbinas eólicas. A equipe APT1 não se limitava à prática de espionagem industrial. Também tentava infiltrar-se em instituições financeiras, sistemas de comando eletrônico, energético e de controle do tráfego aéreo.

As autoridades norte-americanas se solidarizam com as conclusões tiradas pela Mandiant, mas, em entrevistas oficiais, preferem evitar alusões à China como a principal fonte de ciberataques. Até a lista de endereços eletrônicos mais perigosos, enviada recentemente aos fornecedores de acesso à Internet dos EUA, carece de referências sobre a sua origem chinesa. A comunicação social assinala que a tal denúncia teria sido um tiro pela culatra: a China teria assumido “um posicionamento defensivo e nacionalista”. Não nos esqueçamos que Pequim continua sendo o maior parceiro econômico de Washington, possuindo 8% da dívida pública norte-americana. Nisso consiste a principal causa da espetacular tolerância dos EUA.

Mas a paciência também tem limites. A Casa Branca pôs-se a discutir uma vasta gama de contramedidas. Pode-se, por exemplo, pedir com calma e delicadeza que Pequim cesse os ataques. Ou decretar sanções econômicas e tomar outras medidas, interditar a concessão de vistos aos infratores. Pode-se ainda empreender contra-ataques mediante unidades especiais que se presumem ter eliminado as centrífugas de urânio no Irã. O secretário de Estado adjunto, Robert Hormats considera ser necessário sensibilizar os chineses de que, ficando com o melhor das tecnologias americanas, eles farão desacelerar os ritmos do desenvolvimento econômico do seu país. Em opinião do perito Evgueni Yuchuk não se sabe que caminho seguirão os EUA nessa questão.

“Trata-se de espionagem comum com a qual se terá que lidar durante a vida inteira. Os chineses procurarão esconder-se melhor e os americanos tentarão apanhá-los em flagrante. Mas enquanto existirem brechas nas redes informáticas, isto não fará sentido algum. Quanto às advertências sobre eventuais “danos” a causar à economia chinesa, estas até me parecem absurdas. Os chineses estão cientes daquilo que fazem propositadamente”.

É pouco provável que o conflito se transforme numa Guerra Fria. Esta poderia, sim, ser provocada por manobras militares na região do Sudeste asiático. No entanto, a história da espionagem cibernética pode vir a ser um mecanismo de pressão, adianta o perito russo.

“A questão virá a lume no momento oportuno de conversações em que será preciso exercer pressão política. Em todo o caso, a fuga de informações deve ter certos objetivos. É impossível identificá-los nessa fase”.

Os enigmáticos piratas informáticos não têm causado prejuízos diretos ou destruições concretas, salienta Vassili Kachin, perito do Centro de Análise Estratégica e Tecnologias.

“A situação poderá mudar caso o desafio da China seja atendido a nível político ou econômico. Duvido, contudo, que os EUA dêem passos conducentes ao agravamento das relações bilaterais. Também não está claro em que área tenha sido causado algum dano. Existem fatos de roubo de informações técnico-científicas através da Internet e nada mais. Não temos conhecimento de outros fatos”.

Por outro lado, é notório o fato de aumento da tensão nas relações entre os EUA e a China. Neste contexto, a “ciberhistória” recente não passa de um eco das contradições crescentes relativas às questões políticas, econômicas e à segurança. O tema dos ciberataques tem surgido desde os finais dos anos 90. No parecer de Vassili Kachin, os EUA podem lançar críticas, fazer discursos políticos, mas, com o tempo, esta retórica se torna menos patente.

Em suma, a Casa Branca está perante duas opções: prosseguir a política de parceria econômica ou proceder à tática de dissuasão ativa. A opção não será nada fácil. Não se sabe em que circunstâncias o presidente dos EUA deverá emitir a ordem de passar à contra-ofensiva cibernética.

É obvio, porém, que Washington está prestes a quebrar o silêncio. No domingo passado, o chefe da comissão parlamentar sobre assuntos da Contra Inteligência, Mike Rogers, em entrevista televisiva à cadeia ABC, foi questionado sobre a alegada existência de espionagem econômica praticada pela China contra os EUA. A resposta foi positiva. “Sem sombra de dúvida”, confirmou o senador. Esta sua avaliação tornou-se a primeira declaração oficial dos EUA sobre o envolvimento da China em ciberataques contra os Estados Unidos.

Fonte: http://portuguese.ruvr.ru/2013_03_01/EUA-quebram-sil-ncio-em-torno-de-ciberataques-chineses/