Lançada proposta ao Chipre de juntar-se à Rússia.


Flag of Cyprus

O ministro das Finanças cipriota, Michalis Sarris, que chefia a delegação de seu país em visita à Rússia na quarta-feira, avisou que espera chegar a um acordo sobre empréstimo com Moscou.

Durante uma reunião com o ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, em Moscou, a delegação de Chipre pretende alcançar um empréstimo no valor de vários bilhões de euros em troca de uma participação nos bancos e ativos do setor energético da nação insular.

Espera-se também que durante as negociações seja abordada a questão de prolongamento do empréstimo russo para Chipre no valor de 2,5 bilhões de euros.[1]

Contas de várias estruturas públicas russas foram bloqueadas no Chipre

A Rússia está preocupada com o bloqueio das contas de várias estruturas públicas da Rússia em bancos cipriotas, declarou Dmitri Medvedev.

“Temos um grande número de estruturas públicas que operam através do Chipre e cujos fundos estão atualmente bloqueados por razões desconhecidas, já que sua origem é óbvia, são fundos que foram sempre declarados. Trata-se de estruturas públicas”, destacou o premiê russo em entrevista concedida a várias mídias europeias.

O chefe do executivo russo adiantou: “É por isso que mantemos uma posição bastante firme perante a situação em torno do Chipre e a problemática da dívida deste país”.[2]

Investidores russos dispostos a comprar banco cipriota Laiki

O acordo sobre a compra do banco cipriota Cyprus Popular Bank (Laiki) por investidores russo foi alcançado, informa o jornal Kathimerini.

Esse acordo, que ainda está no nível de compromissos verbais, deve reduzir as necessidades de financiamento do Chipre em 4 bilhões de euros.

Enquanto isso, o porta-voz do governo cipriota nega a existência do referido.

O Conselho de Administração do Laiki era dirigido até recentemente por Michalis Sarris que atualmente ocupa o cargo de ministro das Finanças do Chipre. No momento, o político se encontra em Moscou, onde está mantendo negociações com as autoridades russas.[3]

Sberbank não se interessou em adquirir um banco em Chipre

O banco russo Sberbank recebeu uma proposta de adquirir um banco em Chipre, mas não demonstrou interesse, informou o presidente do banco russo German Gref.

Gref também confirmou que o Sberbank tem uma quantidade significativa de empréstimos a empresas russas registadas em Chipre, mas não vê nenhuma dificuldade nisso, pois elas não estão fazendo negócios em Chipre.

O chefe de Sberbank também apelou a não tirar conclusões apressadas e esperar a decisão das autoridades do Chipre.[4]

Proposta ao Chipre de adesão à Federeação Russa.

O líder do partido nacionalista russo LDPR, Vladimir Zhirinovsky, declarou que, para obter a ajuda de Moscou, o Chipre deve aderir à Federação Russa Rússia e introduzir o rublo.

Anteriormente, na quarta-feira, o assessor presidencial Serguei Glaziev disse que Moscou só poderá fornecer apoio financeiro ao Chipre se este participar dos processos de integração em torno da Rússia, tais como a Comunidade Econômica Eurasiática (EurAsEC).

Atualmente, em Moscou, encontra-se um grupo de representantes do Chipre, chefiado pelo ministro das Finanças cipriota, Michalis Sarris, para conversações com o governo russo.[5]

Segundo estimativas diversas, os russos detêm, em respectivas contas bancárias do Chipre, depósitos num total de 18-26 bilhões de dólares. Não é muito difícil imaginar qual seria um volume de perdas que os clientes sofrerão após a decisão das autoridades locais no sentido de introduzir um imposto sobre estes depósitos.

O presidente da Associação dos Bancos Russos, Gareguin Tusenyan, disse em entrevista á Voz da Rússia deu o seu parecer sobre o evento.

“Até hoje pensei que a UE sabia encontrar saídas para situações complicadas de crise. Mas a sua última iniciativa foi realmente chocante. A decisão não está correta. Acabou por afetar a reputação tanto da zona paradisíaca offshore, como da União Européia.”

A situação no Chipre foi comentada ainda pelo dirigente da agência de peritagem Neokon, economista Mikhail Khazin.

“Sigo com muita atenção as regras do jogo financeiro. Creio que tal violação pela UE, ou seja, pela RFA, foi possível com o consentimento do FMI. A instituição de Bretton Woods, tomou a decisão, compreendendo ser impossível preservar o sistema bancário mundial em seu atual estado. A grosso modo, que se lixem os bancos! Já não importa se os deputados cipriotas aceitarão ou não a exigência comunitária, porque o default foi, de fato, anunciado. O encerramento dos bancos, que não funcionam pelo sexto dia consecutivo, significa um colapso financeiro. Cedo ou tarde, ele irá alastrar-se por outros países, inclusive Portugal, Espanha e Itália. Se o depósito deixa de ser um ativo seguro, se torna difícil prever o evoluir do sistema bancário. Por isso esta foi uma catástrofe!”

Angela Merkel solicitou que o Chipre travasse conversações sobre o crédito apenas com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o FMI, sem convidar para o efeito terceiros países, em particular, a Rússia. Todavia, os ministros das Finanças e da Energia, em conjunto com a direção do segundo maior banco cipriota – Cyprus Popular Bank – resolveram solicitar auxílio a Moscou. O Presidente Anastasiades até ligou ao Kremlin, pedindo o dinheiro em troca de bancos e depósitos de gás.

Mas como foi possível Nicósia não dar ouvidos ao conselho de Bruxelas? Mikhail Karen comenta:

“É uma situação complicada. Assistimos ao conflito agudo entre Putin e Merkel por causa de esferas da influência. Merkel diz: o Chipre pertence a nós. Putin retorquiu, afirmando que não, o Chipre “não é apenas de vocês”. A UE procura a liderança na definição das regras do jogo financeiro. O que será se ele algum dia pedir, no sentido figurado, para “atirar-se pela janela” na altura em que se sente capaz de manter a estabilidade na zona do euro? Os seus países membros, perdendo a paciência, procedem à busca das fontes de financiamento alternativas. Por isso, o fato da desobediência de pequenos Estados, como o Chipre, traduz a evidente culpa de Bruxelas.”

Segundo informações de agências de notícias, em 21 de março a delegação cipriota prosseguirá as conversações sobre esta temática em Moscou.[6]

Fontes:

[1] http://portuguese.ruvr.ru/2013_03_20/108461835/

[2] http://portuguese.ruvr.ru/2013_03_21/Contas-de-v-rias-estruturas-p-blicas-russas-foram-bloqueadas-no-Chipre/

[3] http://portuguese.ruvr.ru/2013_03_20/Investidores-russos-ir-o-comprar-banco-cipriota-Laiki/

[4] http://portuguese.ruvr.ru/2013_03_21/Sberbank-n-o-se-interessou-em-adquirir-um-banco-em-Chipre/

[5] http://portuguese.ruvr.ru/2013_03_20/Zhirinovsky-prop-e-ao-Chipre-se-juntar-R-ssia/

[6] http://portuguese.ruvr.ru/2013_03_21/O-que-fazer-se-Bruxelas-sugerir-atirar-se-pela-janela/