Novos sistemas anti-aéreos russos podem ser construídos no Brasil.


defesa anti-aérea russa

Entrevista de Serguei Ladiguin a RIA Novosti.

Segundo a maioria dos especialistas, a cooperação militar entre os países da América Latina e Rússia tem alcançado no dia de hoje um nível sem precedentes. Nos anos noventa do século passado, parecia que Rússia havia perdido para sempre suas posições no mercado latino-americano de armamento.

O fato de Moscow não só ter conseguido manter suas posições nesta região senão também alcançar um nível mais alto é o mérito das autoridades da Rússia e de centenas de especialistas militares que promovem as armas russas na América Latina.

O chefe do Departamento Regional da exportadora de armas russa Rosoboronexport, Serguei Ladiguin, que encabeça a delegação desta entidade na Feira Aeroespacial e de Defesa da América Latina (LAAD 2013) que se celebra no Brasil, concedeu a RIA Novosti uma entrevista em que descreveu as tarefas pretendidas ante os especialistas russos que trabalham na América Latina.

– Qual sua opinião sobre a cooperação militar da Rússia com os países latino-americanos?

– É uma região muito esperançosa, mas o atual nível de cooperação militar não corresponde ao enorme potencial que poderíamos desenvolver. Aplicamos paulatinamente uma política especial para aprofundar nas relações com nossos sócios latino-americanos. Atualmente, cooperamos com quase todos os países da região. Nos últimos anos, intensificamos a cooperação com Venezuela, Cuba, Colômbia, México, Peru, Equador e Uruguai. Firmamos contratos importantes com Brasil e Argentina para o fornecimento de helicópteros. Chile também mostra interesse, mas até hoje os contatos com este país não tem se transformado em algo prático. Se há uns dez anos, o atual nível de cooperação tivesse sido inalcançável, hoje inclusive os projetos mais ambiciosos parecem realizáveis. nossos esforços estão apoiados pela atenção das autoridades da Rússia, que está muito centrada na América Latina. O grande número de visitas a esta região evidencia isso.

– Uma das últimas noticias é o interesse manifestado pelo Brasil pelos sistemas anti-aéreos de fabricação russa. Quando se pode esperar a confirmação de um contrato para o fornecimento de sistemas anti-aéreos Pantsir-S1 e Igla-S?

– O Brasil mostra interesse em adquirir os anunciados sistemas anti-aéreos. As partes já realizaram negociações preliminares. Demonstrou-se aos especialistas brasileiros os sistemas que lhes interessam durante sua visita à Rússia realizada a princípios deste ano. No momento segue desenvolvendo-se os detalhes do contrato, por isso é prematuro falar sobre prazos. Este contrato hipotético é muito importante para a Rússia. No caso de ser firmado o contrato, a cooperação russo-brasileira passará a um novo nível.

– Que quantidade de sistemas Pantsir-S1 se discutiu nas negociações preliminares? Os meios de informação falaram também sobre uma possível participação das empresas brasileiras na fabricação destes sistemas.

– Não se abordou todavia os detalhes sobre a quantidade de sistemas. Enquanto à participação de empresas brasileiras na fabricação de estes, posso confirmar que isto foi algo que se discutiu. Trata-se não só dos sistemas Pantsir-S1 mas também do Igla-S. Estamos dispostos a desenvolver uma estreita cooperação com a industria brasileira, seus centros de investigação e desenvolvimento. Temos a experiência de cooperar estreitamente, por exemplo, com a Índia. No caso do Brasil, poderíamos também realizar projetos conjuntos. A Rússia está disposta a conceder licenças para a fabricação e desenvolver projetos com o Brasil, assim como transferir tecnologias. Trata-se não só de sistemas anti-aéreos. Isto também é possível na industria aeronáutica e de construção naval.

– Em quais países da América Latina podem ser fabricados sob licença o armamento e o material bélico russo no um futuro?

– As negociações a respeito se levam a cabo com vários países no âmbito da construção de helicópteros, sistemas anti-aéreos, armas de tiro e munições, inclusive sistemas de artilharia. Entre esses países estão Brasil e Argentina. As propostas para organizar a fabricação sob licença ali constituem uma das ferramentas mais importantes para aumentar a cota dos países latino-americanos na estrutura de exportações de armas russas.

– A Rússia planeja construir no Brasil centros de reparação ou mantenimento de material bélico oferecido anteriormente? Quando pode iniciar-se sua construção?

– Em virtude de um acordo datado, se prevê criar no Brasil um centro de reparação e mantenimento para os helicópteros Mi-35М até finais de 2015. Estamos cooperando neste âmbito com a Força Aérea do Brasil. Estou seguro de que junto com o Brasil vamos poder garantir um nível altíssimo de mantenimento pós-venda do material bélico russo.

– Refletirá a intensificação da cooperação da Rússia com a América Latina em geral e com o Brasil em particular na seção russa da Feira LAAD?

– A seção russa na feira atual será maior e mais representativa que nos anos anteriores. Creio que os que visitaram o Rio de Janeiro o ano passado puderam observar a diferença. Rosoboronexport apresenta aqui mais de 200 modelos de armamento e material bélico para todos os Exércitos. Os demais participantes também apresentam exposições interessantes.

– Quais os modelos de armamento e material bélico russo suscitaram o maior interesse dos clientes latino-americanos na feira?

– Evidentemente serão os sistemas anti-aéreos. Esta vez apresentamos todos os modelos destinados à exportação, incluídos os sistemas modernizados Pechora-2М, cujas características foram consideravelmente melhoradas, assim como sistemas construídos em navios, como por exemplo Palma. Quero chamar a atenção para o projeto interessante em materia de defesa anti-aérea. Trata-se do sistema anti-aéreo Paraná que a Rússia planeja coproduzir com a industria brasileira.

Quanto ao setor aeronáutico, trata-se, antes de tudo, de helicópteros: helicópteros militares de transporte Мi-17, helicópteros de combate Мi-35М, helicópteros de transporte pesados que podem transportar volumes extraordinários de cargas como os Мi-26Т2. Além disso, há interesse por veículos blindados, por exemplo os Tigr, e pelos sistemas de artilharia, inclusive sistemas de mísseis anti-tanque da família Kornet, assim como pelas fragatas dos projetos 22356 e 11356 e submarinos diesel-elétricos de fabricação russa.

– Há um ano foi divulgado que os veículos blindados Tigr se submeteram a provas em uma unidade policial no Río de Janeiro. Um contrato será firmado para o oferecimento desses veículos?

– Os veículos Tigr passaram nos testes com êxito, principalmente as provas de resistência balística. Estamos esperando a decisão da parte brasileira. Segundo as estimativas de especialistas, os veículos Tigr podem cumprir toda a gama de missões necessárias às unidades policiais de operações especiais. Além disso, na América Latina esses veículos são empregados com êxito pela policia do Uruguai. Espera-se que o fornecimento de uma pequena partida adicional de desses veículos.

– Existem planos de firmar contrato com Cuba para o fornecimento das tecnologias de fabricação de munições para as armas de tiro calibre 7.62 milímetros? Prevê-se a transferência das licenças e tecnologias de reciclagem de munições na data desse contrato?

– O contrato para o fornecimento de uma parte de equipamento para a fabricação de munições já se tem firmado. Quanto às tecnologias de reciclagem de munições, este assunto está sendo negociado agora. Cuba está interessada em organizar esse processo.

Fonte: http://sp.rian.ru/opinion_analysis/20130410/156819371.html