OTAN quer consultar a Rússia sobre a retirada de tropas do Afeganistão.


Representantes da OTAN solicitaram extraoficialmente ao Ministério da Defesa da Rússia que permita o acesso aos documentos relacionados com a retirada das tropas soviéticas do Afeganistão em 1989, comunicou hoje o diário Kommersant.

O periódico cita fontes da OTAN e também o Estado Maior russo tem confirmado a informação.

Os representantes da Aliança Atlantica querem reunir-se com os participantes naqueles eventos, examinar os documentos, conhecer as possibilidades com que contava a URSS ao final da campanha afegã e aproveitar a experiência soviética quando iniciar-se a retirada das tropas internacionais do Afeganistão.

“Não há razões para negar-lhes essa ajuda. Assim poderemos reforçar o diálogo”, comentou uma fonte do Ministério russo da Defesa.

Explicou que o caráter extraoficial da solicitude ocorre por que a OTAN não quer que sua campanha afegã tenha associações com a campanha soviética, batizada no Ocidente como ocupação.

As partes podem reunir-se à margem de uma conferência internacional sobre segurança convocada pelo departamento militar russo para os próximos dias 23-24 de maio em Moscow.[1]

O embaixador russo considera prematura a retirada de tropas do Afeganistão.

O Embaixador da Rússia no Afeganistão, Andrei Avetisian, considera prematura a retirada das tropas internacionais estacionadas nesse país.

“A retirada das tropas da coalisão internacional é prematura”, disse o diplomata a RIA Novosti em Kabul.

Os países da coalisão no Afeganistão planejam retirar suas tropas em 2014. Supõe-se que para essa ocasião já finalizará o transferência das tarefas de segurança às forças afegãs.

Na opinião do embaixador russo, a presença das tropas da OTAN e da ONU é um fator de estabilidade no Afeganistão.

“A presença destas tropas impede que estale uma guerra de maiores dimensões”, expressou.

Apontou que o terrorismo no Afeganistão está longe de ser vencido. “A coalisão internacional não conseguiu cumprir as tarefas combinadas e a retirada pode agravar a situação no país”, apontou o embaixador russo.

A coalisão internacional no Afeganistão, liderada pelos EUA e conhecida como a Força Internacional de Assistência à Segurança (ISAF), dispõe atualmente de uns 100.000 efetivos. A maioria se retirará do país até finais de 2014, sendo transferidas as tarefas de segurança às forças afegãs, de uns 350.000 efetivos.[2]

[1] http://sp.rian.ru/Defensa/20130419/156891898.html

[2] http://sp.rian.ru/international/20130418/156885341.html