Rússia desenha uma “linha vermelha”: S-300, MiGs 29 e 31 para a Síria.


Mig 31 interceptor fighter.

Em direção a um equilíbrio estratégico no Oriente Médio?

O recente compromisso da Rússia em honrar um contrato com a Síria para o fornecimento de sistemas de defesa aérea (SAM) S-300, considerado um dos melhores, se não o melhor do mundo, é acompanhado por um pedido da Síria para a entrega de caças Mig 29 M/M2.

Em 2012 sistemas de defesa antimísseis Patriot da OTAN foram estacionados ao longo de 900 km da fronteira síria com a Turquia; A Arábia Saudita e os EUA assinaram um acordo para uma melhoria significativa da força aérea da Arábia Saudita. A Rússia está desenhando uma linha vermelha na areia síria. Com as palavras do presidente russo, Vladimir Putin, uma intervenção militar direta contra a Síria seria inútil. O Oriente Médio está sendo preparado para um stand-off.

Numa conferência de imprensa no dia da abertura da Cúpula Rússia – UE em Ecaterimburgo na terça-feira 04 de junho, o presidente da Rússia, Vladimir Putin confirmou mais uma vez, que a Rússia irá honrar seu contrato com a Síria e entregar os sistemas S-300 SAM. Putin sublinhou a decepção da Rússia sobre a incapacidade da UE para prolongar o embargo de armas contra a Síria, o que efetivamente permite que cada Estado-membro da UE pode decidir se vai armar os terroristas e grupos mercenários que têm desestabilizado a Síria desde 2011.

Os SAMs S-300 vão de acordo com Putin trazer estabilidade para a região. Putin fez questão de afirmar, que o S-300 SAM está entre os melhores, se não é o melhor Sistema de Defesa Aérea, e que, segundo o próprio Putin, cada especialista militar pode confirmar. Na mesma ocasião, o presidente russo emitiu um alerta velado à OTAN, Israel e aos Estados-membros do CCG quando afirmou que qualquer tentativa de intervenção militar direta contra a Síria seria inútil.

As forças militares sírias estão se tornando cada vez mais bem sucedidas no combate à insurgencia. Após a estratégia militar foram adaptadas para a guerra assimétrica e táticas de contra insurgencia, que incluem milícias populares que defendem vilas e cidades contra novos ataques de insurgentes após o Exército Árabe da Síria ter limpado e assegurado a área, os insurgentes continuam perdendo terreno e já começam a usar as mais desesperadas táticas de guerra psicológica, armas químicas e a comer órgãos de soldados sírios mortos, inclusive com direito a filmagem.

Os insurgentes mostram sinais de desespero.

O envolvimento do Hezbollah em assegurar a fronteira sírio-libanesa, tornando-a menos absorvível à infiltração de armas e combatentes, e com o compromisso do governo iraquiano em fazer o mesmo na fronteira da Síria com o Iraque está limitando as rotas de abastecimento dos insurgentes. As frentes abertas restantes estão limitadas a Turquia, Jordânia, Israel e a região administrada por curdos no norte do Iraque.

A revolta popular na Turquia é provável que seja pelo menos o resultado da administração Erdogan severamente enfraquecida que poderia ser forçada a ajustar a sua política em direção à Síria. A Turquia poderia deixar de ser o front logístico primário para os insurgentes.

A Rússia também traçou uma linha vermelha na areia da Síria, ou nas águas, quando decidiu criar uma frota Mediterrânea. As primeiras implementações já chegaram e Tartus é lentamente transformada de uma base auxiliar para uma base naval operacional. O movimento estabiliza a região em algum grau e poderia tornar-se base para a luta contra a instalação de uma base da OTAN em Chipre.

Em 2012, a Arábia Saudita e os EUA concordaram em um acordo para uma grande atualização da Força Aérea da Arábia Saudita. Além da entrega da mais recente e avançada versão do caça F-16, que normalmente é reservado a um clube seleto de apenas seis nações, o estoque antigo de F-16s da Arábia Saudita recebeu atualizações consideráveis. Após a conclusão das entregas, atualizações e treinamentos, a Arábia Saudita terá cerca de 300 F-16 caças em sua frota, fazendo o poder aéreo da Arábia Saudita comparável ao de Israel.

Depois da Rússia inicialmente suspender um contrato russo-sírio para uma atualização da força aérea da Síria, parece que a Rússia está reconsiderando em resposta à falta de vontade ocidental para resolver a crise síria pacificamente. A princípio, a guerra na Síria é causada por uma falta de convergência nos requisitos de energia e segurança energética de, respectivamente, Qatar, Arábia Saudita, Israel – dos EUA e os dois blocos concorrentes da UE que são, respectivamente, a França e o Reino Unido e Alemanha, República Checa, bem como o Irã e a Rússia. Até mesmo uma bem-sucedida conferência de Genebra resolveria as questões centrais. A declaração de Vladimir Putin de que a introdução dos SAMs S-300 cria estabilidade pode ser seguida também por criar um equilíbrio estratégico no que diz respeito às forças aéreas regionais. É também um sinal claro de que a OTAN e a UE não podem contar com a possibilidade de resolver os problemas de energia, segurança energética e geo-político por guerras ilegais, sem ter que considerar a possibilidade de ter que pagar um preço que pode ser alto.

As autoridades do governo sírio reativaram contatos para tratar da ativação do contrato russo-sírios para a aquisição da Síria de caças MiG-29M/M2 após o término dos embargos de armas imposto pela UE à Síria. A informação foi confirmada pelo produtor de aeronaves russas.

Uma delegação síria chegou recentemente em Moscou para discutir os detalhes e um calendário, afirmou o chefe da Mikoyan Design Bureau Sergei Korotkov. O contrato foi assinado inicialmente em 2007, mas o surto de agitação civil na Síria em 2011 inicialmente causou a suspensão da Rússia do acordo para a entrega dos 24 caças de combate MiG-29mm e 5 dos jatos interceptores MiG-31.

Encontrar uma solução pacífica para a crise na Síria se torna cada vez mais improvável. Enquanto o apoio estrangeiro à oposição, denoninado al-Qaeda, cria um desastre de relações públicas após o outro e não à criação de uma coerente frente política, ao diálogo nacional entre os partidos, com as organizações de massa, incluindo as comunidades étnicas e religiosas, as organizações de interesse especial e o governo da Síria continuam a fazer progresso.

A vitória decisiva da insurgência contra os militares sírios também se torna cada vez mais improvável, e a UE, os EUA, a Arábia Saudita e o Qatar continuação a financiar e armar grupos mercenários e terroristas ao gosto de Jabhat al-Nusrah, mesmo que eles possam desestabilizar a Síria, não vão levar a uma vitória decisiva, sem a intervenção militar direta ou o suporte militar direto da subversão.

A introdução dos MiGs 29 e MIGs 31 russos, juntamente com a introdução do SAM S-300 e outra tecnologia de mísseis da Rússia, bem como um aumento da presença naval russa, vai reajustar o equilíbrio estratégico entre o eixo ocidental e o eixo russo, sírio, iraniano. Eles não podem compensar o poder de fogo enorme acumulado pela OTAN e os seus aliados na região, mas vai trazer a garantia de que qualquer agressão militar contra a Síria será mais cara do que os líderes políticos ocidentais ou árabes estão dispostos ou capazes de sobreviver politicamente.

Autor: Dr. Christof Lehmann

Fonte: http://www.globalresearch.ca/russia-draws-a-red-line-s-300-mig-29s-and-mig-31s-for-syria/5337882

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