Os serviços secretos brasileiros começam a vigiar as redes sociais.


A presidência do Brasil foi surpreendida pela explosão dos protestos populares sem que a Agencia Brasileira de Inteligencia (Abin) tivesse alertado ao Governo nem ao Congresso.
Preocupado pelo crescimento dos protestos que nesta quinta-feira alcançou muitas cidades, entre elas de novo São Paulo e Rio de Janeiro, o Governo designou agentes dos serviços secretos para seguir por meio do Facebook, Twitter, Instagram e WhatsApp as mobilizações.

A decisão foi tomada, segundo têm informado vários meios de comunicação, após uma crise entre assessores civis da presidente Dilma Rousseff e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que não havia alertado à presidência sobre as manifestações que surpreenderam a todo o mundo político. Os agentes da Abin e outros órgãos de inteligência haviam concentrado os meses passados na segurança da Copa das Confederações, deixando desprotegidas outras áreas, entre elas a dos protestos de rua.

Após a explosão da crise não anunciada nem esperada, tanto a presidente como o Congresso e o Partido dos Trabalhadores (PT) tiveram que improvisar uma estratégia para saber como atuar. A mandatária tomou o avião e foi consultar seu antecessor e pupilo o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, o qual se reuniu com representantes de quatro sindicatos.

O Partido dos Trabalhadores, surpreendido com o ressuscitar de um movimento popular pela primeira vez alheio ao controle dele e dos movimentos sociais de esquerda, num primeiro momento, semelhante à Dilma Rousseff, apoiou os protestos como legítimos, mas pensavam organizar na quinta-feira (20) uma manifestação paralela em São Paulo em apoio à presidência, a poucos metros do lugar da concentração do protesto.

Na última manifestação em Brasília, o Governo e o Congresso se viram surpreendidos e não chegaram a prever a possibilidade dos manifestantes de vir a ocupar o Congresso, como ocorreu em parte. Nesta quinta-feira, ante a anunciada manifestação em Brasília, que ha adicionado a suas reivindicações a retirada do projeto de lei que intenta despojar a Fiscalização e o poder de investigação para deixa-lo nas mãos da policia, todos os edifícios oficiais na capital federal, como o Palácio do Planalto e o Congresso, foram reforçados.

No entorno do palacio presidencial foram colocadas barras duplas para reforçar sua segurança. No Rio, depois das críticas ao governador Sérgio Cabral, considerado ausente durante as manifestações, aparelhou a segurança no Palácio da Guanabara, para evitar que, como ocorreu anteriormente, a sede do governo municipal acabe meio destruída.

Uma das reclamações das pessoas é que enquanto as ruas se enchem de milhares de cidadãos pedindo melhorias nos serviços públicos, os políticos, tanto do governo como da oposição, dão a impressão de ter se escondido. “Aparecem só para pedir votos. Agora são invisíveis”, dizia uma faixa no Rio.

No ano que vem haverá eleições presidenciais e para eleger governadores, senadores e deputados. O temor agora é que se as manifestações aumentarem, vai ser muito difícil aos candidatos, desde a presidente até os demais, aparecer pedindo votos.

Enquanto isso, os cidadãos se sentem honrados de que no exterior, pela primeira vez se fala dos brasileiros “não pelo futebol mas porque querem melhores transportes, hospitais e escolas”.

Fonte: http://internacional.elpais.com/internacional/2013/06/20/actualidad/1371752867_919753.html?rel=rosEP