EUA espiona seus aliados da OTAN e União Européia.


França exige dos EUA explicações a propósito das escutas

O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, exigiu hoje das autoridades estadunidenses explicações a propósito das informações da imprensa de que a Agência de Segurança Nacional terá intercetado as comunicações dos escritórios da União Europeia em Washington e Nova York.

“Esperamos da parte estadunidense a mais rápida resposta possível”, diz-se na declaração de Fabius, que assinalou que, se a informação fôr confirmada, tratar-se-á duma ação absolutamente inadmissível para os EUA.[1]


Alemanha exige dos EUA explicações sobre escutas

O Ministério da Justiça da Alemanha exigiu dos EUA explicações imediatas a propósito das informações de que a Agência de Segurança Nacional estadunidense teria praticado escutas das linhas de comunicação dos escritórios da União Europeia em Washington e Nova York. Os ataques às linhas telefonicas da UE provinham das imediações de Bruxelas, onde se situa a sede da OTAN.

“A parte norte-americana deverá dar explicações completas e imediatas a propósito das informações da imprensa sobre os atos de escuta praticados pelos EUA na UE”, disse a ministra da Justiça, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger.[2]

Espionagem americana contra a Alemanha é maior do que se supunha

As proporções da vigilância eletrônica da população da Alemanha praticada pela Agência de Segurança Nacional estadunidense (NSA), podem ser mais amplas do que se supunha até agora. Segundo o semanário alemão Der Spiegel, que teve acesso a documentos confidenciais dos serviços secretos, a inteligência americana controla mensalmente até 500 milhões de comunicações telefônicas e de Internet na Alemanha.

De acordo com o referido periódico, a amplitude da espionagem eletrônica por parte dos norte-americanos na Alemanha pode ser comparável à praticada contra países como o Iraque, China ou Arábia Saudita.[3]


Os EUA pesquisam quinhentos milhões de chamadas telefônicas alemãs, correios eletrônicos e mensagens de texto segundo uma base mensal e classificaram o seu aliado europeu no mesmo nível de alvo que a China, revelou uma revista de notícias alemã.

O documento da Agência de Segurança Nacional vazou do cagoeta Edward Snowden e foi publicado por Der Spiegel e classificou a Alemanha como um parceiro “de terceira classe”, no mesmo nível que a China, o Iraque e a Arábia Saudita, significando que a vigilância dos Estados Unidos na Alemanha foi mais forte do que em qualquer outro país de UE.

“Podemos atacar os sinais da maior parte dos parceiros de terceira classe estrangeiros, e fazemos a eles também,” o documento afirma.

Ele revelou que a Agência de Segurança Nacional monitorou as chamadas de telefone, as mensagens de texto, os correios eletronicos e as conversas de Internet em chats e salvaram o metadata (as conexões e não o conteúdo) na sua sede.

Uma visão geral da antiga grande base de monitorizamento da organização de inteligência dos Estados Unidos (NSA) em Bad Aibling ao sul de Munique (Reuters / Michaela Rehle)

A Agência de Segurança Nacional bisbilhotou de 20 a 60 milhões de conexões telefônicas alemãs e 10 milhões de dados das conexões de Internet estabelecidas por dia, reclama Der Spiegel.

Em comparação, os EUA exploraram aproximadamente 2 milhões de dados das conexão por dia na França.

Os únicos países isentos dos ataques de vigilância foram o Canadá, a Austrália, a Grã-Bretanha e a Nova Zelândia.

01foto: Reuters / Pawel Kopczynsky

Os documentos de Snowden já revelaram que a Agência de Segurança Nacional tinha espionado a União Européia, inclusive a Alemanha, mas a extensão da vigilância não era conhecida.

O relatório mais adiantado de Spiegel, que revelou que cidadãos europeus, os empregados da UE em missões diplomáticas a Washington e a ONU estiveram sob a vigilância eletrônica da Agência de Segurança Nacional, foi recebido com fúria pelos políticos da UE.

A Alemanha exigiu uma resposta “imediata” dos Estados Unidos sobre as alegações de escuta clandestina, acrescentando que esta espécie da vigilância relembrou a Guerra Fria.

“Deve ser enfim imediatamente e extensivamente explicado pelo lado americano se os relatórios dos meios de comunicação sobre medidas de exploração completamente desproporcionais pelos EUA na União Europeia são exatos ou não,” disse em uma afirmação o Ministro da Justiça Sabine Leutheusser-Schnarrenberger.

O presidente do Parlamento Europeu também exigiu uma explicação das autoridades dos Estados Unidos a respeito da última revelação.

“Estou profundamente importunado e surpreso sobre as alegações de que as autoridades dos Estados Unidos tenham espionado os escritórios da UE,” disse Martin Schulz. “Se forem comprovadas que as alegações são verdadeiras, essa seria uma questão extremamente séria que terá um impacto severo nas relações entre os Estados Unidos e a UE.”

O dedo-duro atrás dos documentos escoados, Snowden, deixou os EUA por Hong Kong em Maio e atualmente permanece na área de trânsito do Aeroporto Sheremetyevo de Moscou enquanto o Equador revê o seu pedido de asilo.

Edward Snowden, um antigo empregado da CIA e ex-membro do pessoal de um contratante privado a serviço da Agência de Segurança Nacional (NSA), divulgou documentos secretos que revelam que o programa PRISMA de vigilância dos Estados Unidos e a Sede de Comunicações do Governo Britânico secreto (GCHQ) estavam a compartilhar suas inteligências, como a parte do projeto Tempora de coleta de dados.

Os EUA responsabilizaram Snowden pela espionagem e estão tentando extraditá-lo.[4]


Fontes:

[1] http://portuguese.ruvr.ru/news/2013_06_30/franca-exigiu-dos-eua-explicacoes-a-proposito-da-escuta-0905/

[2] http://portuguese.ruvr.ru/news/2013_06_30/alemanha-exige-dos-eua-explicacoes-sobre-escuta-7059/

[3] http://portuguese.ruvr.ru/news/2013_06_30/proporcoes-da-espionagem-eletronica-na-alemanha-sao-comparaveis-a-praticada-contra-iraque-9331/

[4] http://www.globalresearch.ca/spying-on-our-allies-us-taps-half-billion-german-phone-and-internet-activities-a-month/5341085