Obama a favor das relações russo-americanas apesar de Snowden.


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O presidente dos EUA Barack Obama acabou por dissipar a neblina que envolvia as relações russo-americanas por causa do caso Snowden. Em 9 de agosto, deu uma coletiva de imprensa que não constava anteriormente nos planos. As proposições básicas de suas declarações são seguintes: a América faz uma pausa nas relações com a Rússia a fim de reponderar os problemas e dar o “calibre conveniente” a estas relações; os EUA estão prontos a continuar a colaboração com a Rússia; e, finalmente, não haverá nenhum boicote da Olimpíada de Inverno em Sochi.

Nesta conferência de imprensa, Obama explicou a razão de sua decisão de não assistir à cúpula em Moscou. Confessou que as divergências com a Rússia continuarão a existir, mas isto não será motivo para renunciar ao diálogo com ela. Desde a queda da União Soviética, disse o presidente americano, nas relações com a Rússia surgia a tensão, mas houve também a cooperação em algumas esferas e a competição, em outras. Por exemplo, foi alcançado progresso na esfera do novo tratado sobre armamentos estratégicos ofensivos, a Rússia continua a prestar ajuda aos EUA no Afeganistão, etc.

“Creio que o último episodio, isto é, o tal de caso Snowden, não passa de uma das divergências que surgem. Temos constatado nos últimos meses divergências em torno da Síria e dos problemas dos direitos humanos. Achamos conveniente tomar uma pausa, ponderar, aonde vai a Rússia, quais são nossos interesses básicos e “dar um calibre conveniente” a nossas relações. Para que façamos o que é bom para os EUA e, espero, seja bom também para a Rússia. Mas é preciso confessar que algumas divergências continuarão a existir e não conseguiremos passar isso em silêncio. Mas isso é normal…”, disse Obama.

Obama disse que acha desnecessário boicotar a Olimpíada de inverno em Sochi, a que exorta tanto a ala direita do congresso, quanto os lobby das minorias sexuais, descontentes com a lei russa que proíbe a propaganda do homossexualismo:

“Sei que agora foi levantada a questão de nosso enfoque dos Jogos Olímpicos em Sochi. Quero que todos compreendam: não creio que seja preciso boicotar os Jogos Olímpicos. Os americanos treinam intensamente a fim de participar dos Jogos e fazem todo o possível a fim de alcançar êxito. E se a equipe russa não inclui atletas que sejam gays ou lésbicas, é possível que isso torne a seleção russa mais fraca.”

Esta foi a primeira coletiva de imprensa de Obama nos três últimos meses. Dado que neste lapso de tempo houve muitos eventos tempestuosos, incluindo a fuga dos EUA de Edward Snowden, desmascarador da espionagem global, praticada pela Agência Nacional de Segurança, a pausa, de acordo com os conceitos americanos, foi bastante grande. Estava claro que a Casa Branca preparou bem este encontro com a imprensa. Obama chamava os correspondentes, consultando uma lista, e visto que alguns deles liam em voz alta as questões que já tinham sido formuladas no papel, estas questões tinham sido concatenadas.

A recusa de Obama de ir a Moscou tem algo de “pueril” e prejudica as relações russo-americanas, disse à Voz da Rússia Martin Sieff, analista do centro de pesquisa de Washington, Globalist Resarch Center:

“Mesmo na época da guerra fria houve trânsfugas de ambos os lados: dos EUA para a União Soviética e da União Soviética para os EUA. Mas mesmo naquela época nenhum líder soviético ou presidente norte-americano aproveitou semelhantes fatos na qualidade de pretexto para a revogação de pelo menos uma cúpula bilateral. O presidente Obama também não devia fazer isso. Eu pessoalmente acho que esta sua decisão é resultado da influência da conselheira do presidente Susan Rice. É um passo muito insensato. Não acredito que o secretário de Estado John Kerry pudesse recomendar algo semelhante.”

O aparelho de propaganda da Casa Branca agora insiste em incutir a idéia de que precisamente os EUA procuram conduzir a Rússia para a via do progresso e que ela descamba permanentemente para a retórica da guerra fria. Este estribilho soou também na última coletiva de imprensa. Obama chegou a dizer que sempre procura ajudar o presidente Putin a “raciocinar avançando e não recuando” mas isso raramente surte efeito. Esta sentença de Obama não encerra absolutamente nada de original: a Casa Branca sempre teve hábito de incluir na categoria de “ações más” tudo que não correspondia aos interesses americanos.

O estribilho sobre a guerra fria se figura especialmente estranho visto que foi precisamente a Agência de Segurança Nacional dos EUA que tinha criado um sistema de vigilância total, cuja envergadura ultrapassa tudo o imaginável mesmo na época da guerra fria. O antigo oficial da CIA e da Agência Nacional de Segurança, Edward Snowden, que tinha obtido o asilo político provisório na Rússia, desmascarou precisamente o caráter ilegal desta atividade.

Fonte: http://portuguese.ruvr.ru/2013_08_10/peritos-sobre-a-conferencia-de-imprensa-de-obama-tem-um-aspecto-pueril-8179/