Japão disputa com a Rússia o mar de Okhotsk.


A Rússia apresentará na sexta-feira, 16 de agosto, à ONU um requerimento oficial sobre o alargamento da plataforma continental do mar de Okhotsk além dos limites da zona econômica de 200 quilômetros, informam os mídia russos. Trata-se de um trecho marítimo com uma área de 56 mil quilômetros quadrados. Agora ele é considerado “mar aberto” e isto significa que qualquer país pode manter atividade econômica nesta zona.

O mar de Okhotsk é cercado de quase todos os lados por território russo – o continente, a península da Kamchatka, a ilha Sacalina e ilhas Curilhas. Ele poderia ser considerado mar interno russo se não fosse um senão – este mar banha também a ilha japonesa de Hokkaido. É justamente por isso que o trecho em disputa (na literatura inglesa ele é chamado de Peanut Hole) é considerado acessível a todos. O jurista Piotr Kaznacheev:

“O mar de Okhotsk banha mais de um país. Se em torno dele estivesse apenas a Rússia, provavelmente seria considerado um mar interno. Mas como existe a costa do Japão, é necessário provar que o território interno do mar é continuação da plataforma continental. Caso contrário, ele não poderá se tornar território econômico exclusivo da Rússia”.

Em 2001, a Rússia já tentou provar que o centro do Mar de Okhotsk pertence à sua jurisdição e é exclusivamente sua zona econômica. Entretanto, especialistas da ONU consideraram os argumentos de Moscou insuficientemente e convincentes. Além disso, o Japão se opôs à iniciativa russa. O destino de semelhantes requerimentos depende de dois fatores, diz Piotr Kaznacheev:

“De fato, nós falamos que a Rússia encara esta parte do mar como continuação da sua plataforma continental. Mas isto deve ser provado. o destino do requerimento depende do grau de prova e de fundamentação científica. O segundo aspeto é político, aqui funciona a diplomacia. É sempre um regateio.”

A julgar pelos comentários de representantes do Ministério do Exterior nos mídia, as chances de êxito são grandes. Cientistas russos pesquisaram durante anos e coletaram as provas necessárias, e os diplomatas conseguiram convencer Tóquio a não se opor. Entretanto, lembra Kaznacheev, as previsões relativas às cordilheiras submarinas de Lomonosov e Mendeleev no Ártico também eram otimistas mas, até agora, não está claro se estes espaços aquáticos serão ou não considerados como parte da plataforma continental russa.

No entanto, o trecho em disputa no mar de Okhotsk tem grande significado. Tem recursos biológicos e minérios. Para todos os países, com exceção da Rússia e Japão, a atividade econômica no centro do mar de Okhotsk é dificultada pela posição geográfica. Isto, na opinião dos peritos, é mais um argumento a favor da exigência da Rússia.

Autor: Vlad Grinkevich

Fonte: http://portuguese.ruvr.ru/2013_08_15/Quem-ficar-com-o-mar-de-Okhotsk-7255/