A briga de cães Saudita-Iraniana pela Hegemonia Regional e as opções do Paquistão.


Arabia-ira

O povo da região do Golfo Pérsico vai ter de resolver as suas diferenças como um povo realmente independente, desembaraçados pelos preconceitos deixados para trás pelo colonialismo.

O Paquistão deve guardar um olho vigilante em tais áreas de conflito potenciais; já que as circunstâncias podem colocá-lo ‘nos chifres de um dilema’. E deve trabalhar ‘à redução da tensão e fazer que contribuições ocorram em direção à formação da coexistência pacífica entre os estados Islâmicos fraternos.’

Primeiro ministro Zulfikar Ali Bhutto | ‘O Mito da Independência’ | 1969

‘Introdução’

A indagação da hegemonia de poder e de estabelecimento por todos os meios e materiais sobre os outros seres humanos foi o sentido do homem ao longo do tempo. Eles dizem que a história tem um mau hábito de repetição, e que aquelas nações que se esquecem estão destinadas a falhar. As nações informadas e vibrantes são sempre aquelas que mantêm uma vigilância apertada na história. Eles fazem atualização constantemente sobre as habilidades e a sua capacidade comum de tomar decisões estratégicas à luz do passado. O futuro, dizem, no fim de tudo é somente um mero reflexo do passado. Aqueles que minam a importância deste processo ficam para trás e enfim desvanecem-se como ‘nações inaplicáveis, no nevoeiro da história.

Hoje, o Paquistão encontra-se numa encruzilhada geopolítica, como uma briga de cães viciosa pela hegemonia regional se abriu entre o Conselho de Cooperação do Grupo do Golfo’ (encabeçado por ‘aspirante à hegemonia regional ’ a Arábia Saudita) e o Grupo do Irã e Aliados (encabeçado por ‘outro aspirante à hegemonia regional’ o Irã). Infelizmente, esta ‘Guerra Fria do Oriente Médio’ não está sendo diretamente sustentada no solo de cada país, mas está sendo travada nas nações vizinhas sem consideração à sua estabilidade ou da perda de vidas humanas.

A Síria, o Iraque, o Bahrain, o Egito, o Paquistão, o Afeganistão e o Iemen são países onde esta briga de cães se está desemaranhando. Milhares de homens inocentes, mulheres e crianças foram mortos na Síria, no Egito, no Iêmen, no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão junto à década passada através do petrodólar consolidaram as campanhas da ‘subversão de multi-eixo’ nessas nações.

Isto não parece incomodar tanto os grupos que contendem, contudo, como não são os seus cidadãos sendo estuprados e saqueados, nem é a sua infra-estrutura e instituições estatais que estão sendo destruídas e certamente não são os seus órgãos estatais que enfrentam múltiplas etapas de fracassos administracional e operacional. Este ensaio faz, investigar ‘como esses dois Grupos conduzem atos de subversão, no Paquistão e em outros países, e como o Paquistão pode ajustar a sua visão estratégica para ‘sobreviver o dia’.

‘Metas e Estratégias do Grupo do Irã’

O Irã por todos os meios é um poder regional importante com grandes ambições próprias. O Irã quer assumir a hegemonia da região do golfo pérsico por todos os meios possíveis. A meta do Irã é se tornar uma potência regional, que consegue o seu poder criando representantes de Shia nos seus países vizinhos muçulmanos que são financiados por petrodólares iranianos. Depois que ‘a revolução sagrada’ realizou-se no Irã em 1979, Teerã tem tentado ativamente exportar a revolução a outros países muçulmanos vizinhos por todos os meios legais e ilegais possíveis.

Desde 1979, onde quer que o Irã tenha tentado exportar a revolução, ele também tentou criar ‘uma quinta coluna’ de lavagem cerebral. Religiosamente doutrinada aparelhagem terrorista. Normalmente composto de jovens ingênuos da juventude Shia dos países anfitriões. Eles são levados a acreditar que ‘desde que estejam lutando pelo Madi, sendo assim a sua lealdade transcende a sua identidade nacional’.

Na verdade embora esta seja uma tática para criar grupos terroristas armados em outros países muçulmanos, que acreditam estar lutando por uma causa religiosa. A verdade contudo, é que eles são apenas um ramo de mercenários a disposição do estado iraniano de projeção de poder estratégico na região. O exemplo desses equipamentos pode ser encontrado no ‘Exército Iraquiano de Madi’, no Hezbollah do Líbano, nos rebeldes Yemeni Huti, na ‘Shabiha’ síria e no ‘Sipah-e-Muhammad’ do Paquistão bem como o ‘Tehreek-e-Nifaz-e-Fiqa Jafriya do Paquistão’ para denominar alguns.

O Irã usou esses o petrodólares e financiou idiotas úteis, com impunidade absoluta, sem consideração à integridade nacional, soberania ou estabilidade geopolítica do país anfitrião. O Irã esteve apoiando energicamente o ditador sírio, Bashar-al-Assad, indo além disso, a enviar os seus soldados uniformizados dentro da Síria a convite do seu Hezbollah através do Líbano para combater o Exército Sírio Livre. Também apoiou os rebeldes de Huti no Iêmen que infiltraram na Arábia Saudita que forçou a Monarquia a empreender uma ação militar para expulsá-los.

Esse suporte ao Exército de Madi para projetar poder no Iraque é possivelmente o pior segredo guardado. O Irã espera continuar as suas atividades subversivas desde que tenha os meios e o material para fazer assim. O Irã pensa conseguir instalar um grande poder e manter o governo orientado pró-Irã no Iraque, na Síria, no Bahrain, no Líbano e no Egito. Uma vez que esse objetivo é alcançado, consegue além disso, a sua ‘incursão’ na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait e Jordânia usando a sua luta interna como um instrumento de manipulação. Se próspero isso fará do Irã uma hegemonia sem competidores na região. Quão realista e robusta esta estratégia realmente é, é uma questão que só o tempo responderá.

‘Metas e estratégias do Time dos GCCs’

Maior produtora de petróleo do mundo a Arábia Saudita junto com os seus aliados do GCC, também tem uma estratégia muito idêntica àquela do Irã. ‘Utiliza o Islã como um instrumento de subversão’ para servir aos seus ‘objetivos seculares, políticos e econômicos. A muito tempo tem apoiado madrassas por todas as partes do mundo muçulmano inclusive no Paquistão, e especificamente construiu a doutrinação de muçulmanos jovens em ‘Salafist’, uma interpretação do Islã. A Arábia saudita ativamente deu suporte aos Mujaidines na guerra afegã-soviética durante mais de 10 anos.

Com o influxo dos lutadores árabes no teatro de guerra afegão, a interpretação Salafist floresceu na região de fronteira do Afeganistão-Paquistão. O grupo GCC, atualmente está apoiando ativamente os rebeldes sírios, dando suporte a elementos anti Maliki no Iraque, apoiando o Exército Egípcio que desalojou ‘um governo democraticamente eleito’ e massacrou centenas de protestadores pró-democracia nas ruas. Eles tem ido tão longe, a ponto de enviar os seus militares ao Bahrain para esmagar ‘os protestos anti-governo’ lá.

A Arábia Saudita apoia rebeldes na Líbia que lutou uma guerra civil contra o atrasado Coronel Kaddafi. Também se supõe estarem por trás da modificação ‘bastante rápida’ na liderança do Qatar bem como atrás do êxito eleitoral ‘duvidoso’ do primeiro ministro Nawaz Sharif do Paquistão. O sr. Sharif é considerado um ‘amigo’ de longa data da Arábia Saudita, e foi por muito tempo financiado pela família Real saudita.

A Arábia Saudita está movendo-se em direção a uma economia capitalista fundamentalmente não petrolífera. Com o seu enorme comércio de óleo, e o Irã embaixo de sanções, os sauditas vêm uma oportunidade perfeita de ‘cessar o momento’ e reivindicar o domínio de senhor da região inteira. A sua estratégia é ‘cercar o Irã por todos os meios’. É por isso que a Arábia Saudita apoiou os rebeldes anti-Assad na Síria, anti-Maliki elementos no Iraque, o primeiro ministro Nawaz Sharif no Paquistão e alguns também exigem que Riad repetirá a mesma estratégia nas futuras eleições afegãs, onde tentaria trazer subir um governo ‘pro saudita’.

A Arábia Saudita com os seus aliados do GCC, tem esperanças de aproveitar ao máximo o isolamento econômico e a estagnação política que o Irã está experimentando agora mesmo devido ao seu programa nuclear. O objetivo dos sauditas é, isolar o Irã apoiando grupos terroristas e partidos políticos fundamentalistas religiosos na região para criar um círculo político ‘amistoso saudita’ cercando o Irã antes de que as sanções internacionais sejam levantadas.

O ‘Grupo Arábia Saudita’ permitirá que ela se torne a potência da região enquanto o Irã é contido, em aspectos diplomáticos e econômicos. Vale a pena observar que esta excursão de poder não tem nenhuma agenda religiosa, contudo a religião é o instrumento que ambos os lados usaram prodigamente para instigar a violência a além disso os seus respectivos objetivos políticos. O resultado do Grupo GCC totalmente depende de como a sua campanha subversiva resulta no Egito, na Síria, no Iraque, no Bahrain, no Paquistão, e no Afeganistão a longo prazo. Deve permitir-se que o tempo decida o fado deste empreendimento.

Esta é a Parte 1 do artigo, a Parte 2 será publicada logo.

O Autor é um crítico de política.

O autor pode ser contactado em | aeronaut@defence.pk

Fonte: http://www.defence.pk/saudi-iranian-dogfight-regional-hegemony-scoping-pakistans-options-1671/