Brasil recebeu plano sobre Síria, diz Rússia.


Vice-chanceler do Kremlin afirma ao ‘Jornal O Estado de São Paulo’ que país conhece cronograma russo para remover armas químicas sírias e espera apoio com envio de inspetores.

A Rússia quer o Brasil envolvido na implementação do projeto de controle de armas químicas na Síria. A proposta foi apresentada à diplomacia brasileira, que foi convidada a fornecer inspetores que possam ser enviados para a Síria.

A informação é do número 2 da chancelaria russa, Sergei Ryakov, que declarou em entrevista exclusiva ao Estadão na sexta-feira dia 13 que o Kremlin foi em busca de aliados para a proposta nos últimos dias. Um deles foi o Brasil. “Tivemos a clara impressão de que o Brasil nos apoia na busca por uma solução pacífica para essa crise”, declarou o vice-ministro russo. “Apresentamos nossas idéias aos brasileiros nos últimos dias e a reação que tivemos foi muito positiva.”

O vice-ministro, que na ocasião acompanhou as negociações entre Moscow e Washington em Genebra, deixou claro que quer o País numa eventual conferência de paz sobre a Sìria. ”Queremos a participação política e material do Brasil nesse processo”, afirmou. Lahkdar Brahimi, mediador da ONU para o conflito na Síria, deixou a porta aberta para a participação do Brasil numa eventual conferência de paz. “Falo com o Brasil regularmente”, disse ao Estadão. “Mas não sou eu quem decido”.

Além da participação na conferência de paz, Moscow quer uma ação concreta do País na implementação do projeto na sua totalidade. Uma possibilidade seria o uso de inspetores brasileiros para verificar a existência de armas químicas na Síri, uma das etapas do projeto de desarme do regime de Bashar Assad. “Os brasileiros tem boas relações com russos, americanos e sírios”, disse o vice-chanceler.

Precedentes.

Há dois anos, quando o conflito começou, a Síria chegou a receber delegações enviadas pelo governo brasileiro para manter canais abertos com Assad. Mas a aproximação jamais resultou em uma influência real sobre o regime sírio.
Na ONU, a entidade escolheu o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro para liderar as investigações sobre crimes na Síria na esperança de colocar alguém que Damasco poderia aceitar.

A própria Organização para a Proibição de de Armas Químicas já chegou a ser comandada por um brasileiro, José Maurício Bustani. Mas o diplomata foi expulso por uma ação americana que, na época, começava a retirar entraves para atacar o Iraque sob a justificativa de que Bagdá mantinha um arsenal de armas químicas.

Autor: Jamil Chade – correspondente em Genebra.

Fonte: Publicado em 14/09/2013 no Jornal O Estado de São Paulo.