Espanha privatiza o sol e multa cidadãos que captarem a energia sustentável.


A energia total necessária em todo o mundo é de cerca de 16 terawatts (TW), que chegará a 20 TW em 2020. A luz solar que atinge a superfície sólida da Terra é de cerca de 120.000TW. A partir desta perspectiva, a energia solar é virtualmente ilimitada. fonte: http://desenchufados.net/mapas-del-potencial-fotovoltaico-de-espana-europa-y-africa/

Madrid, 21 de julho de 2013 (kaosenlared.net) – O Sol é privatizado na Espanha: se o cidadão for pego captando fotons de luz solar para o próprio consumo pode pagar uma multa de até 30 milhões. Se a pessoa estiver a pensar que com esta falsa crise provocada, a melhor opção era precisamente ter umas placas solares que baixaram uns 80% seu custo e recorrer à oportunidade de desconectar-se da rede elétrica e economizar, já pode esquecer.

Com o terror que têm as concessionárias de energia elétrica de que se “desestabilize” o consumo elétrico (para não dizer desaparecer), alguém contrário ao que a lógica dita, se propôs a sepultar a indústria foto-voltaica (agora que é mais necessária que nunca) num poço sem fundo, em algum momento de 2010 alguém  decidiu privatizar o sol….sim você leu bem, na Espanha totalmente ao contrário da Europa, impôs-se um pedágio a quem gerar eletricidade e injetar à rede elétrica domiciliar… ao invés de receber lucros, mas não é só isso, se pegam o cidadão recolhendo fotons de luz solar para consumo próprio esse vai pagar uma multa de 30 milhões de euros. Como se isso se tratasse de uma droga. Cometer o pecado de estar independente no que se refere a produzir energia própria pode custar muito caro. O sol agora é só para uns poucos privilegiados e as empresas se energia em que diretores são ex-presidentes e ex-ministros do partido dualista ppsoe.

Cartaz alerta sobre a privatização da energia solar na Espanha.

“A União Espanhola Fotovoltaica (UNEF), que agrupa umas 300 empresas e representa 85% do setor, afirma que, ao adotar essas mudança, seria mais caro o autoconsumo solar que recorrer ao fornecimento convencional. “ poupa os consumidores de economizar energia e impede a entrada de nova concorrência no mercado elétrico”, explicam.”

Mas o que aconteceu de repente foi o seguinte: Na Espanha foi “privatizado” o sol sem a consulta de seus cidadãos, sem a consulta ao sistema solar, sem a consulta ao universo, etc…

Como funciona.

O efeito fotoelétrico é a emissão de elétrons ( corrente elétrica ), que ocorre quando a luz atinge determinadas superfícies.

No caso de células solares fotovoltaicas estas superfícies são formadas por uma ou mais camadas de material semicondutor, na maioria dos casos de silício e revestidas com um vidro transparente que permite a entrada de luz solar e minimiza a perda.

As células são agrupadas em módulos para integração em sistemas fotovoltaicos. Os módulos têm uma vida estimada de 30 anos, e seu desempenho depois de 25 anos é superior a 80% e ainda assim a investigação continua para aumentar a eficiência.

Quanto mais intensa for a luz solar, maior será o fluxo de eletricidade  Não é necessário o fluxo de luz direta, a eletricidade é produzida inclusive em tempo nublado, ao amanhecer e ao anoitecer.

Módulos fotovoltaicos geram energia DC que é convertida em corrente alternada por um dispositivo elétrico chamado de “inversor”.

Em seguida, a eletricidade produzida passa por um “centro de transformação” de energia elétrica, onde a eletricidade é adaptada às condições de corrente e tensão das linhas de transporte para o consumo.fonte: http://www.sunedison.es/energia-solar-fotovoltaica/

A possibilidade de produzir sua própria eletricidade utilizando recursos renováveis —painéis solares ou pequenos moinhos eólicos instalados na propriedade particular— é algo mui atrativo para os lares espanhóis. “De cada 50 chamadas que entram ao mes, 35 são de particulares interessados no autoconsumo”, assegura Francesc Mateu, gerente de Sol Gironés, empresa especializada em energias renováveis e pioneira nesse setor. “por enquanto dizemos que é preciso esperar até setembro ou outubro, para que as coisas estejam mais claras”, acrescentou.

A tendência à tarifa fixa na fatura da luz, na qual cada vez tem que pagar uma maior quantidade fixa e menos pelo gasto energético, e as taxas específicas que impõe o decreto de autoconsumo, que ainda não foi aprovado, tornam esta alternativa dispendiosa frente ao consumo convencional.

O Governo propôs que o autoconsumo energético seja implantado pouco a pouco e sem alterar o sistema elétrico espanhol. Para ele se reserva o direito de subir e descer essas taxas ou pedágios específicos, e que denominam “de respaldo”, em função de como vai evoluindo o setor. “Vamos pagar um pedágio pela energia recebida do sol”, resume Mario Sorinas, da empresa oscense Electrobin, com mais de 20 anos de experiência em energia solar.

A autarquia energética está mais que consolidada em países como Estados Unidos ou Japão. Muitos países europeus a têm implantada com diferentes fórmulas. “É o futuro”, coincidem vários especialistas em energia. A permissão de gerar a própria eletricidade com energias renováveis e dar um descanso ao meio ambiente e ao bolso. Também existe a possibilidade de ceder a energia de sobra à companhias elétricas e recupera-la quando for necessário ou, diretamente, vendê-la, algo que se conhece como autoconsumo com saldo líquido. O Governo da Espanha não faz caso. O projeto que decreta o autoconsumo deixa bem claro que não se remunerará a energia de sobra que for acrescentada à rede.

Agora mesmo, na Espanha é possível produzir energia de forma privada e consumi-la no momento, uma modalidade que se denomina autoconsumo instantâneo. A última legislação es de 2011. Antes não se fazia porque não saia rentável. O barateamento de até 80% das instalações fotovoltaicas nos últimos cinco anos e o incremento da fatura da luz o tem convertido em uma opção de economia bastante interessante em época de crise. A utilizam desde fazenda de gado até supermercados, residências de idosos, restaurantes e algum consumidor particular. A energia que sobra não pode ser armazenada em baterias porque está proibido. Quando não há sol ou vento, tem que ligar-se à rede e pagar a fatura normal.

Não há um registro oficial de autoconsumo. A revista econômica Alimarket contabilizou 43 casos. Outro relatório, elaborado de forma voluntária pelos auto-consumidores no portal Energética 21, eleva esse número a 74.

Sol Gironés, com 14 trabalhadores, está tomando o resto com o auto-consumo instantâneo. “Está funcionando e bem, principalmente com empresas do ramo de carnes ou hoteleiras, que dependem muito de câmaras frigoríficas, e nelas a fatura da luz se eleva pelo menos a 15% de seus gastos fixos anuais”, relata seu gerente. Com esses sistemas chegam a reduzir entre 20% e 30% seu consumo, apesar de não terem conseguido uma queda de 44%. até agora não pagam impostos de nenhum por este tipo de geração de energia.

O Clube Naútico Estartit, situado em Torroella de Montgrí (Girona), é um de seus clientes.  Um plano foi elaborado a cinco anos para que 20% de seu consumo venha de energia renovável. No momento geram com painéis solares 7%. “Estamos muito próximos de um parque natural e queremos ter a mínima incidência sobre o meio ambiente”, disse Eugeni Figa, seu diretor. Entre seus planos também está incluir moinhos eólicos.

Na Galícia, os irmãos Domínguez seguem trabalhando com renováveis desde 1998. “Éramos quatro maltrapilhos”, recorda Manuel. Em 2007 deram exemplo abastecendo suas próprias oficinas de Sanxenxo (Pontevedra) com uma usina solar. Apesar de existirem projetos de autoconsumo na Espanha, a maioria do seu mercado está fora do país em grandes parques do Chile, México, Romênia ou Inglaterra.

A Espanha é exemplo de autoconsumo fotovoltaico. Leia mais em: http://www.solarsostenible.org/2013/autoconsumo-fotovoltaico/

A reforma energética tem aquecido enormemente o setor renovável. “De todos os cenários possíveis, este é o pior”, resume José Donoso, diretor geral da União Espanhola Fotovoltaica (Unef), que representa 85% da atividade do setor. “Mesmo sem ter sido aprovado ainda algo específico sobre o autoconsumo, já se pôs em marcha”, acrescentou. Donoso se refere ao incremento na parte fixa da fatura elétrica, e que será 77% de acréscimo para uma tarifa doméstica —algo do que os produtores domésticos não podem prescindir— e um decréscimo de 23% na porção do consumo — que se reduz com a autoprodução—.

“Até o momento, o gasto podia ser repartido em 30% da parte fixa e 70% da parte variável. Isso vai evoluir a  50%-50% sendo assim qualquer iniciativa de gerar a própria potencia é desmotivada”, aponta Ignacio Cruz, investigador da divisão de energias Renováveis do Centro de Investigações Energéticas, Tecnológicas e Medioambientais (CIEMAT).

“Isto é um golpe mortal ao equilíbrio líquido e à economia energética”, opina Javier García Breva, consultor de energias renováveis e ex-diretor do Instituto para a Diversificação e a gestão de energia (IDAE). Este especialista mantem que se trata de medidas a visar puramente a arrecadação de impostos. Unesa, a patronal das grandes companhias elétricas, recusou avaliar a situação do autoconsumo até conhecer melhor as mudanças na legislação. O Ministério da Indústria não  respondeu aos pedidos de explicação solicitados por EL PAÍS.

Com as conhecidas mudanças até agora o tempo de amortização das instalações fotovoltaicas cresce consideravelmente. Se antes da reforma faltavam 12 anos para recuperar o investimento de uma instalação em um domicilio de 2,4 quilowatts de potência, agora vai faltar 23, segundo cálculos da Unef. Este consumidor é o mais afetado, pois nos casos de instalações de serviços ou para quitação do tempo de amortização incrementou-se 5 e 4,75 anos respectivamente.

Mesmo assim, existe sempre aquele que consegue contornar. Sol Gironés assegura que seus clientes estão reduzindo a parte de potencia contratada, aquela que registrará maior aumento na fatura, porque o autoconsumo instantâneo lhes permite ter suas necessidades energéticas cobertas. Outra de suas metas é conseguir que o autoconsumo doméstico seja rentável.

Fonte: http://www.elpais.cr/frontend/noticia_detalle/6/83700