Movimento “Não vai ter Copa” protesta contra o evento da FIFA no Brasil.


O invólucro protetor das autoridades judiciárias, em cujo interior se escondem intangíveis com o descaso, este, impede o brasileiro de perceber a manipulação da violencia, cuja culpa não raramente recai à força policial mandada e responsabilizada.

SÃO PAULO/BRASIL – Na volta das manifestações populares pelas ruas, praças e avenidas do Brasil, no sábado de 25 de janeiro, o movimento “Não vai ter Copa” voltou a assustar governantes e levou a um enfretamento entre manifestantes e Polícia Militar em São Paulo e Rio de Janeiro. Os temidos Black Blocs marcaram presença e desafiaram policiais militares.

Entocados em suas mansões e gabinetes palacianos, como medida cautela, os governantes optaram por não se manifestar, para não chamarem a atenção direta dos manifestantes para as próximas investidas.

Entretanto, os serviços de inteligência dos governos federal e estaduais estiveram em pleno vapor para levantar todas as informações sobre as manifestações e seus personagens, no sentido de dar aos seus chefes governantes um preciso Raio X dos fatos.

Os protestos contra a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, tiveram início de forma pacífica, mas acabaram em confusão. Em São Paulo, os manifestantes e a Polícia Militar entraram em confronto direto.

Os manifestantes depredaram estabelecimentos comerciais no centro da cidade. O primeiro a ser atacado foi a multinacional McDonald’s. A polícia até que tentou proteger o restaurante, mas os manifestantes correram e destruíram agências bancárias pelo caminho.

Na Rua 7 de Abril, três agências foram atacadas. Terminais de atendimento do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco foram incendiados. Houve início de incêndio. Os valentes e temidos black blocs partiram em direção da polícia e lançaram até coquetel molotov.

Com os black blocs na frente, os manifestantes desceram a Avenida Brigadeiro Luís Antônio, gritando palavras de ordem contra a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Assustados, comerciantes fecharam as portas quando a multidão se aproximava.

Considerada a Wall Strett do Brasil, a Avenida Paulista foi totalmente tomada pelos manifestantes, que fecharam os dois sentidos da via.

RIO DE JANEIRO

A manifestação da cidade do Rio de Janeiro também foi marcada por confusão e enfretamento entre manifestantes e a polícia. Quando a manifestação chegou ao final da praia de Copacabana, black blocs e policiais militares começaram a se enfrentar.

A Avenida Atlântica foi fechada por manifestantes que protestam contra a realização da Copa no Brasil. Black Blocs – responsáveis pelas depredações e ações violentas registradas nas manifestações de rua no ano passado – estavam no local.

Mais cedo, a concentração ocorreu em frente ao hotel Copacabana Palace, com manifestantes gritando palavras de ordem contra a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

Parte dos grupos distribuiu panfletos para as pessoas que caminhavam na orla e recolheu assinaturas para um abaixo-assinado contra o Mundial. O manifestante que costuma se fantasiar de Batman também saiu nas ruas, assim como o que imita o Coringa, um dos inimigos do super-herói.

BELO HORIZONTE

Em Belo Horizonte, capital mineira, manifestantes aderiram ao protesto nacional contra a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil e ocuparam parte da Praça Sete de Setembro, no Centro da cidade.

Manifestantes chegaram a interditar a Avenida Afonso Pena, a principal artéria da região.

No ano passado, durante as manifestações realizadas em todo o País, duas morreram em Belo Horizonte em meio aos confrontos entre manifestantes e militares. Luiz Felipe Aniceto de Almeida, de 22, e Douglas Henrique de Oliveira, de 21, caíram do viaduto onde havia sido montado o cerco policial para proteger o entorno do Mineirão, onde eram realizados os jogos da Copa das Confederações e que seriará partidas do Mundial que começa em junho que vem.

RECIFE

Em Recife, capital pernambucana, no nordeste brasileiro, as manifestações contra a a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil acabaram em frente ao “relógio da Copa”, na Avenida Agamenon Magalhães. No local, os manifestantes declararam sucesso para este ato e disseram que foi “o primeiro de muitos”.

Junto aos gritos de vitória, bradavam críticas ao governador Eduardo Campos: “Eduardo fascista, Eduardo ditador”. Pelo trajeto, o trânsito ficou parado e alguns passageiros de ônibus optaram por ir a pé a seus destinos. Em seguida, o grupo dirigiu-se ao Shopping RioMar, o mais luxuoso de Recife, para se solidarizar com o “rolezinho” que ocorre no local.

Os manifestantes percorreram um trajeto de cerca de três quilômetros, partindo da Avenida 13 de Maio até a Avenida Agamenon Magalhães, uma das mais movimentadas da cidade. Em Recife, não houve conflitos com a polícia, que acompanhou o protesto pacificamente.

Na primeira hora de manifestação, em coro, pessoas entoavam: “Não vai ter Copa”, “Ei Dudu (Eduardo Campos), vai tomar no…” e “O poder do povo vai fazer um mundo novo”. A frase “A Copa mata, desabriga e violenta o povo” pode ser lida nos cartazes. Os policiais revistaram alguns manifestantes e recolheram dois canos, que seriam utilizados para erguer faixas de protestos.

Eles disseram que é preciso alertar a população sobre a injustiça de direcionar dinheiro para a Copa e não para educação ou saúde. Os participantes se identificaram apenas por apelidos. “Para a gente não se expor”, justificou um deles.

FORTALEZA

Ainda no nordeste brasileiro, em Fortaleza, capital cearense, na dispersão dos manifestantes contra a Copa, o movimento black bloc Ceará queimou lixeiras e quebrou placas de sinalização de trânsito, na internacional Praia de Iracema. A Polícia reagiu com balas de borracha. A situação neste momento é de calma. Os manifestantes voltaram para a Estátua Iracema Guardiã, onde foi a polícia reprimiu com uma revista com apreensão de vinagre, máscaras, panfletos e cartazes contra a Copa e detenção de dois manifestantes.

A manifestação contra a Copa foi reprimida pela polícia em seu início. Uma revista do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) evitou que jovens saíssem da concentração na estátua de Iracema Guardiã, na Praia de Iracema pela Beira-Mar. O pessoal do Gate, fortemente armado, revistou todos manifestantes. Ao final deteve dois líderes para investigação. Sob protestos dos manifestantes, a polícia recolheu panfletos contra a Copa, uma bandeira nacional, cartazes, máscaras de gás e baladeiras.

Os jovens na saída da batida policial gritavam: “Não vai ter Copa”, “Estado fascista, polícia terrorista” e “Polícia é para ladrão; manifestante não”. Os cartazes apreendidos diziam: “Para Copa tudo, para Juventude nada”, “Se não tem Saúde, Educação, Justiça e Liberdade para o povo, não vai ter Copa para patrão”, “Copa é do mundo, menos do brasileiro”.

Os jovens liderados pelo movimento black bloc Ceará ainda ficaram na estátua Iracema Guardiã por mais meia hora após a batida policial e depois de dispersaram sem promover nenhum quebra-quebra. Os dois detidos para averiguações foram liberados no início da noite.

VITÓRIA

No sudeste brasileiro, em Vitória, capital capixaba, onde em junho do ano passado o governador Renato Casagrande, seu vice, Givaldo Vieira, e o deputado Vandinho Leite “fugiram” para o interior do Estado, para não terem de enfrentar as manifestações que sacudiram o Brasil de Norte a Sul, manifestantes se reuniram em Vila Velha para protestarem contra a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

Com gritos de “Não vai ter copa!” e “Fora Fifa!”, os manifestantes fecharam ruas e invadiram um shopping da cidade mais populosa do Estado, enquanto eram acompanhados de perto pela polícia.

De acordo com um estudante de 17 anos, a intenção dos manifestantes era de protestar contra os abusos ocorridos nas obras preparatórias para a Copa do Mundo de 2014.

Os manifestantes escolheram protestar em Vila Velha por solidariedade ao grande número de vítimas das chuvas de dezembro no município, atravessaram um shopping da cidade em passeata e gritando palavras de ordem aos consumidores e lojistas. Perguntada sobre o protesto, uma vendedora disse que apoiava a manifestação contra a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. “Gastaram muito dinheiro e agora nós temos que reclamar. Essa grana tinha que ter sido investida na saúde”, disse. Durante a travessia, a segurança do shopping acompanhou de perto, mas nenhuma ocorrência foi registrada.

Após passarem pelo shopping, os manifestantes se dirigiram em passeata até a Residência Oficial do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, na Praia da Costa. O trânsito ficou lento e a polícia acompanhou de perto o movimento que seguiu pacífico até a sua dispersão após um pequeno piquete com fogos em frente à casa de Renato Casagrande.

Além de protestar contra a Copa do Mundo no Brasil, o evento também pedia a desmilitarização da Polícia Militar através da PEC 51 e o impeachment de Rodney Miranda, prefeito de Vila Velha, que viajou aos Estados Unidos em férias durante o período de fortes chuvas que assolaram o município.

SOROCABA

A manifestação ‘Não vai ter Copa’ também reuniu manifestantes em Sorocaba, interior do Estado de São Paulo. Os manifestantes, compostos na maioria por integrantes do movimento Anonymous, se concentraram na Praça da Bandeira e saíram pelas ruas, praças e avenidas da cidade. Com cartazes pedindo que o dinheiro da Copa fosse aplicado na saúde, os manifestantes caminharam pela avenida Afonso Vergueiro, bloqueando a passagem dos veículos. Motoristas que protestaram foram xingados pelos manifestantes. Os manifestantes não quiseram falar com a imprensa – alguns usavam máscaras e outros tinham o rosto parcialmente coberto. Viaturas da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal acompanharam a manifestação.

PORTO ALEGRE

Em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, no extremo sul do Brasil, a manifestação foi convocada pelo grupo Anonymous. Vestidos de preto, com máscaras e tocando tambores, os manifestantes até que tentaram sensibilizar a população para o movimento, mas não conseguiram pleno êxito.

Autor ANTONIO CARLOS LACERDA

Fonte: PRAVDA.RU