O imperialismo dos EUA, a Ucrânia e o perigo da III Guerra Mundial.


Estamos a beira de uma guerra nuclear? É a pergunta que todo o mundo deve estar perguntando.

O golpe de estado apoiado pelos EUA na Ucrânia provocou a crise internacional mais perigosa desde a crise dos mísseis cubana em Outubro de 1962. Os funcionários americanos e europeus estão acusando a Rússia de enviar tropas para a Criméia em resposta à instalação de um regime anti-russo na Ucrânia que agarrou o poder por um golpe de estado organizado pela milícia fascista.

A administração Obama parece determinada em intensificar a confrontação com Moscou. Ao exigir uma retirada de todas as forças russas da Criméia e a total aceitação do Kremlim do novo regime marionete de EUA-OTAN em Kiev, os EUA estão pedindo sanções apontadas para o isolamento econômico completo da Rússia.

Terça-feira, o Secretário de Estado John Kerry fez ameaças em uma conferência de imprensa em Kiev dizendo que os EUA estão procurando “isolar a Rússia politicamente, diplomaticamente e economicamente.” As suas afirmações foram ecoadas por ameaças belicosas dos principais políticos americanos.

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O senador John McCain entregou um discurso violento anti-russo do bem do Senado no qual ele novamente exprimiu o desgosto que os Estados Unidos tiveram por não intervir na guerra entre a Rússia e a Geórgia em 2008. Ele acusou Putin da atração “no velho russo, de dupla falácia soviética” e pediu “um caminho rápido para a Moldavia e a Geórgia para adesão a OTAN.”

A administração Obama finge estar chocada e horrorizada sobre a resposta russa ao golpe ucraniano. Isto é uma postura apenas enganosa e cínica. Sabia-se muito bem que a imposição de um regime marionete anti-russo em Kiev, controlado pelos EUA e a OTAN, seria examinado por Putin e os militares russos como uma modificação maciça no ambiente geostratégico na Europa Oriental e uma ameaça existencial à Rússia.

É incompreensível que a Casa Branca, o Pentágono e a CIA não previram que Putin responderia ao golpe em Kiev. Alguém pode acreditar seriamente que Washington não esperava da Rússia, que no muito mínimo, desdobraria forças militares para manter o controle da parte da Criméia, pertencente à Rússia até 1954, a casa da frota do Mar Negro da Rússia e o seu único ponto de acesso no Mediterrâneo? Ou Washington pensava que a Rússia apenas viraria o rosto de lado sabendo da instalação de um governo direitista extremo na Ucrânia, em que os nacionalistas xenófobos exercem uma influência imensa, a ponto de transformar o país na nova base avançada de forças da OTAN, armadas com mísseis, na mesma fronteira da Rússia?

As verdadeiras razões do desdobramento atual contra a Rússia não têm nada a ver “com a soberania nacional” da Ucrânia ou a santidade da lei internacional. A tensão EUA-Rússa tornou-se mais intensa nos últimos anos com os esforços americanos para estender o controle de Washington sobre o Oriente Médio, a Europa Oriental e a Ásia encontrando-se com a resistência limitada de Moscou.

Na Síria, o suporte russo ao regime Assad forçou os Estados Unidos a executar uma retirada temporária em Setembro passado e por em espera os seus planos de intervenção militar direta. A classe governante americana não pode suportar nenhuma interferência às suas operações imperialistas. Os planos do imperialismo dos Estados Unidos para a reestruturação do mundo inteiro segundo os seus interesses incluem desmembrar a Rússia em partes mais pequenas e mais facilmente digestíveis.

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A política estrangeira dos Estados Unidos concerne objetivos não só externos, mas também pressões internas. A estrutura social e política do país é tão frágil e tão carregada com contradições explosivas que, a classe que governa necessita que intervenções militares infinitas e guerras distraiam e desorientem a povo americano.

Mais de cinco anos em uma crise econômica maciça, a elite governante dos Estados Unidos é bem consciente do desassossego comum e do descontentamento dentro do país. Há um crescente reconhecimento popular e raiva sobre o nível impressionante de desigualdade social. A série interminável de guerras têm como objetivo proporcionar uma liberação externa de pressões sociais internas.

Há a interação tóxica de ambições imperialistas desenfreadas e o medo de que o desassossego doméstico produza uma situação onde a elite governante dos Estados Unidos esteja preparada para arriscar a guerra nuclear? As ações do governo de Estados Unidos fornecem a resposta.

Mas quaisquer que sejam as intenções imediatas da administração Obama, a dinâmica do imperialismo tem uma lógica própria. Os EUA tem provocado uma situação na Ucrânia, em que qualquer uma das inúmeras ações no terreno pode, intencionalmente ou não, desencadear uma cadeia de eventos a se desenrolar fora de controle.

Mesmo se esta determinada crise for resolvida, ela não levará muito antes que outra surja. Mais cedo ou mais tarde, uma dessas crises provocará uma catástrofe nuclear.

Autores: Barry Grey & David North

Fonte: http://www.globalresearch.ca/us-imperialism-ukraine-and-the-danger-of-world-war-iii/5371960