Obama faz EUA parecer fraco: americanos consideram Putin mais forte.


A revista britânica Economist e a agência internacional de análise YouGov propuseram aos americanos comparar as qualidades de líder dos presidentes dos EUA e da Federação Russa, Barack Obama e Vladimir Putin.

A maioria esmagadora dos interrogados, – concretamente, 78%, – deram a vitória ao presidente da Rússia Putin.

Apenas 45% dos respondentes consideram Obama um político forte e 55% referiram o seu presidente como “bastante fraco”.

50% dos interrogados estão convencidos de que os EUA não devem intervir nos eventos que ocorrem na Ucrânia e apenas 24% aprovam a ação de Obama na atual situação.1

Obama faz os americanos parecerem fracos.

Presidente deve garantir êxito da Ucrânia; só assim russos notarão que seu país é um posto de combustível gerido por uma autocracia corrupta.

Obama deveria ser responsabilizado pela invasão e iminente anexação da Crimeia? Naturalmente não, como também não pode ser acusado no tocante à Otan, à guerra do Iraque ou às intervenções ocidentais para conter as atrocidades em massa nos Bálcãs e na Líbia. A culpa é precisamente de Vladimir Putin, um imperialista retrógrado e um “apparatchik” da KGB. Em sentido mais amplo, a Crimeia expôs a perturbadora ausência de realismo da política externa do governo Obama. A sua visão do mundo, ou a falta dela, precisa mudar.

Nos últimos cinco anos, os americanos vêm ouvindo que “a maré da guerra está recuando”, que podem se afastar do mundo sem que seus valores e interesses sejam prejudicados. Isso alimenta um sentimento de que os EUA são um país fraco. Para pessoas como Putin, a fraqueza é provocativa.

Os planos do escudo antimíssil dos EUA foram reduzidos. Aliados na Europa Oriental e Geórgia foram menosprezados. A ampliação da Otan foi adiada. Um novo tratado para redução de armas estratégicas exigiu cortes importantes dos EUA, mas não da Rússia. Putin cedeu muito pouco. Obama prometeu “mais flexibilidade”.

Putin observou falta de determinação nas ações de Obama além da Europa. No Afeganistão e Iraque, as decisões militares parecem ter sido adotadas mais pelo desejo de retirada do que ter sucesso. O orçamento para a defesa foi reduzido com base na esperança, não na estratégia. Irã e China intimidaram aliados dos EUA sem nenhum custo perceptível. Talvez o pior seja o fato de Bashar Assad ter cruzado a “linha vermelha” estabelecida por Obama no uso de armas químicas na Síria e nada ter ocorrido com ele.

Para Putin, vacilo é um convite à agressão. Seu mundo é um lugar hipócrita, tosco, onde o poder é venerado e a fraqueza desprezada e todas as rivalidades são de soma zero. Para ele o colapso da União Soviética foi “a maior catástrofe geopolítica do século”. Ele não aceita que os vizinhos da Rússia, especialmente a Ucrânia, sejam independentes. A agressão de Putin na Crimeia reflete um crescente desrespeito à credibilidade dos EUA no mundo. Que tem estimulado outros protagonistas agressivos – desde os nacionalistas chineses aos terroristas da Al-Qaeda e os teocratas iranianos.

Pela Crimeia, Obama deve começar a restaurar a credibilidade dos EUA como líder mundial. Isso exigirá dois tipos de resposta. A primeira, e mais urgente, é a administração da crise. É preciso trabalhar com os aliados para escorar a Ucrânia, tranquilizar os amigos sobressaltados na Europa Oriental e nos Estados Bálticos e mostrar a Putin uma frente forte. Isso não significa uma ação militar contra a Rússia. Mas sanções devem ser impostas contra autoridades russas. Exercícios da Otan devem ser reforçados na sua fronteira oriental. A cúpula do G-8 em Sochi deve ser boicotada e a reunião do G-7, ir para outro lugar. E é preciso apoiar os patriotas ucranianos, soldados e civis, que defendem seu espaço nas repartições governamentais na Crimeia.

A Crimeia pode estar caindo sob controle russo, mas a Ucrânia tem mais uma chance de liberdade, de um estado de direito, de um futuro europeu. Os líderes ucranianos precisam unir a nação e realizar reformas. O Ocidente deve fornecer ajuda financeira significativa e outras necessárias. A legislação bipartidária hoje no Congresso americano contribuirá para isso.

Numa perspectiva mais ampla, os EUA precisam se rearmar moral e intelectualmente para impedir que as trevas do mundo de Putin se alastrem. Os EUA precisam enxergar além de Putin. Seu regime pode parecer imponente, mas está corroído por dentro. Sua Rússia não é a grande potência à altura dos EUA. Mas um posto de combustível administrado por um regime autocrático e corrupto. E no final os russos destituirão Putin da mesma maneira e pelas mesmas razões que os ucranianos depuseram Viktor Yanukovich.

Os EUA precisam se preparar para esse dia. Devem mostrar à população russa que apoiam seus direitos humanos ampliando a Lei Magnitzki para estabelecer novas sanções contra os que abusam deles. Não devem mais permitir que as autoridades mais corruptas do seu país depositem ganhos ilícitos em economias ocidentais. Devem provar que países como Ucrânia, Geórgia e Moldávia têm um futuro na comunidade Euro-Atlântica, e a Rússia também.

Devem fazer todo o possível para demonstrar que a maré da história é favorável à Ucrânia – que os valores políticos do Ocidente, e não aqueles de uma cleptocracia imperial, são a esperança de todas as nações. Se a Ucrânia sair dessa crise independente, próspera e ancorada na Europa, quanto tempo levará para os russos começarem a perguntar, “Por que não nós?”. Isso não só extinguirá os sonhos imperiais de Putin, mas removerá todas as mentiras que sustentam seu domínio.

A maior força dos EUA sempre foi sua visão esperançosa do progresso humano. Mas esperanças não vão muito longe se o país continuar ignorando o mundo como ele é. Isso exige realismo, força e liderança. Se a Crimeia não acordar Washington para esse fato, temo pensar no que o fará.2

Fontes: [1] Voz da Rússia [2] Autor: John Mccain, senador republicano e ex-candidato à presidência. – Estadão