A lição da Crimeia: Cidade ucraniana de Carcóvia aguarda tropas russas de pacificação.


O referendo na Crimeia foi realizado no domingo de 16/03, tendo 95% dos participantes no escrutínio votado a favor da integração da península na Rússia.

Fiquei surpreendido? Não. Há uma semana regressei de Simferopol e conheço a atmosfera que reina nas ruas da cidade e as expectativas dos habitantes da Crimeia. Não fiz uma sondagem representativa da opinião dos habitantes, mas encontrei poucas pessoas que não quisessem participar do referendo. A esmagadora maioria tinha vontade de juntar-se à Rússia. Tentei entender as razões.

Primeiro, nos anos da independência, a Ucrânia não fez praticamente nada para melhorar a vida dos seus cidadãos, inclusive na Crimeia. Basta dizer que a Ucrânia não alcançou ainda o nível de bem-estar que teve nos tempos quando fazia parte da União Soviética. Acrescente-se a envergadura gigantesca de corrupção, com que pessoas comuns deparam a cada passo, e o mesmo nível gigantesco de arrogância que carateriza todos os escalões de poder. As pessoas simplesmente ficaram fartas disso. Por outro lado, Kiev retirava gradualmente e sem consultas com as autoridades da península quaisquer aparências de autonomia. Em resultado, mesmo a palavra “autonomia” passou a ser interpretada como uma anedota triste.

Nas palavras de um deputado do parlamento da Crimeia, a cada entidade da península teoricamente autônoma no quadro do sistema estatal correspondiam uma-duas estruturas centrais de controle de suas resoluções. Será que o governo ucraniano esperava que os habitantes da Crimeia não reparassem nisso?

Os habitantes da península tinham motivos para recear. Destaque-se, por exemplo, o projeto de lei sobre as línguas das minorias nacionais. Infelizmente, a mídia polaca nem menciona as discussões em torno desse documento no parlamento ucraniano. Os argumentos apresentados durante os debates estavam impregnados de ódio e de aberta russofobia, podendo afetar os sentimentos de pessoas.

Ao mesmo tempo, a imprensa polaca está ridicularizando os receios dos russos em relação ao nacionalismo ucraniano, caraterizando-os como “propaganda russa”. Mas não se trata de propaganda. Nas ruas e praças de Kiev, quando a situação já se tornou mais ou menos tranquila, continuam a estar tendas com bandeiras, cartazes e símbolos do Exército Rebelde da Ucrânia. Essas pessoas não são marginais. Esta é uma força real. Três responsáveis do governo, no mínimo, são ligados ao partido Svoboda (Liberdade), uma força nacionalista radical. Será que não há motivos de preocupação?

Os habitantes russos da Crimeia têm o direito de mostrar satisfação com os resultados do referendo. Mas é necessário não esquecer que aqueles que se manifestaram contra ou boicotaram o referendo também têm o mesmo direito. O valor do plebiscito dependerá muito da atitude das autoridades e habitantes da Crimeia em relação aos que perderam. A melhor maneira de convencê-los da sua posição errada é criar para eles tais condições de vida e possibilidades de expressar a sua opinião que não tiveram nos últimos anos.1

Cidade ucraniana de Carcóvia aguarda tropas russas de pacificação.

Os manifestantes reunidos na praça da Liberdade, em Carcóvia, dirigiram-se ao Consulado da Rússia.

A coluna de pessoas levou uma bandeira russa de 100 m de comprimento.

Diante da missão diplomática russa, os manifestantes gritaram “Rússia! Rússia!” e “Crimeia, estamos contigo!”.

Um dos ativistas do comício entregou ao Consulado o pedido, em nome da assembleia da cidade de Carcóvia, de que a Rússia “defenda os direitos” e garanta liberdade aos habitantes da urbe.

O maior entusiasmo foi provocado pelo pedido de enviar as tropas de pacificação russas para o território de Carcóvia e da respectiva província.

Fontes:
[1] Autor: Maciej Wisniowski – Voz da Rússia [2] Voz da Rússia