Trocas diretas entre Irã e Rússia desafiam Ocidente.


O Irã e a Rússia estão a terminar a preparação de uma operação de troca direta “petróleo por alimentos” no valor de 20 mil milhões de dólares.

Esta informação dos mídias ocidentais quase coincidiu com o termo de mais uma etapa das conversações sobre o problema nuclear iraniano, realizada em Viena. Tanto Teerão, como o sexteto, ou seja, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha, constataram uma aproximação gradual de posições. Segundo Pequim, isso tornou-se possível graças ao papel construtivo da Rússia.

Sobre o acordo económico entre o Irã e a Rússia falou-se pela primeira vez em janeiro. Segundo as suas condições, Moscou compraria diariamente 500 mil barris de petróleo (como possibilidade, em riais). Em troca, Teerão receberia alimentos e maquinaria, sentindo de forma mais suave o fardo do embargo petrolífero ocidental. Hoje tornaram-se conhecidos alguns pormenores. Muitos documentos referentes ao negócio já estão prontos. Resta precisar o preço do petróleo, que deverá ser abaixo do mundial. O recetor da matéria-prima será uma companhia russa que não trabalha no mercado externo. Segundo os iranianos, estão previstos também fornecimentos de “uma série de armamentos”.

O acordo económico bilateral reforçará as posições de Teerão nas conversações com o sexteto, está convencido o analítico Piotr Topychkanov:

“Claro que o Irã irá utilizar isso e mostrar ao Ocidente que não sofre de forma tão forte com as sanções. Deste ponto de vista, ele pode aparecer com uma posição mais dura nas futuras conversações sobre o seu programa nuclear”.

O Ocidente dificilmente ficará satisfeito com a troca direta, mas nada poderá fazer. Se aumentar as sanções contra Teerão, não se pode excluir que este rompa o diálogo sobre o problema nuclear. Resumindo, o acordo em preparação joga a favor dos interesses de Teerão.

E os interesses da Rússia? Os EUA e a União Europeia também decretaram sanções contra Moscou, ainda que apenas simbólicas, depois dos acontecimentos da Crimeia. Será possível fazer o Ocidente renunciar a novas medidas repressivas através da ameaça de incluir na troca direta, por exemplo, os complexos de defesa anti-míssil S-300?

O orientalista Boris Dolgov admite que, em caso de necessidade, eles poderão ser entregues ao Irã:

“Antes, a Rússia renunciou a esses fornecimentos. Mas este tipo de armamento é considerado defensivo. Talvez sejam fornecidos”.

Piotr Topychkanov tem outra opinião. As conversas sobre os complexos provocarão uma reação negativa na Europa e nos EUA, o que os impedirá de passar das sanções anti-russas para o diálogo construtivo sobre a Ucrânia:

“Surgiram especulações de que, devido à deterioração de relações com o Ocidente, a Rússia poderá fornecer S-300 ao Irã. Moscou poderá mostrar-se pronta a forneceresses meios ao Irã. Mas a decisão do fornecimento dos S-300 será tomada não para arreliar o Ocidente e não devido às relações de Moscou com Washington ou Bruxelas”.

A Rússia tem outro instrumento forte, ligado à “carta iraniana”, que já é aplicado. Por isso, o Ocidente teve muito cuidado ao impor sanções contra ela, continua o período:

“O Ocidente, antes de tudo os EUA, está interessado em que o Irã não desenvolva o seu programa nuclear e esteja pronto à sua futura redução. Sem a Rússia, nem os EUA, nem a União Europeia conseguirão esses objetivos. Este é realmente um forte trunfo nas mãos de Moscou, que pode dificultar as posteriores conversações com o Irã e a assinatura de qualquer documento sobre o seu programa nuclear. Por outro lado, é preciso ver se isso interessa a Moscou e o que nos dará. Mas é um fato que temos semelhante instrumento de pressão sobre o Ocidente”.

Na última etapa, as partes acordaram encontrar-se novamente entre 13 e 16 de maio em Viena, para dar início à elaboração do texto de acordo global sobre a regularização do programa nuclear iraniano. O prazo do atual acordo intermédio, assinado em novembro do ano passado, termina a 20 de julho.

Segundo ele, Teerão aceitou suspender alguns tipos de atividade nuclear em troca de uma insignificante suspensão de sanções. Porém, a maquinaria de enriquecimento do urânio não foi desmontada, por isso os iranianos, a qualquer momento, poderão recomeçar esses trabalhos.

Segundo peritos, por enquanto existem possibilidades de se conseguir a regularização definitiva até 20 de julho, embora não sejam grandes”.

Fonte: Voz da Rússia.