Manifestantes pró-Rússia proclamam república soberana e pedem tropas russas no leste da Ucrânia.


Prédio da administração ucraniana é ocupado por separatistas, que proclamam república independente e pedem que a Rússia envie “contingente de paz” caso haja resistência.
Separatistas pró-Rússia na cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia, proclamaram a independência da região nesta segunda-feira (07/04), intensificando a pior crise entre a Rússia e o Ocidente desde a Guerra Fria. A declaração foi feita depois de manifestantes pró-Moscou terem tomado, no domingo, prédios do governo em três cidades do leste: Donetsk, Kharkiv e Luhansk.

A ação foi classificada pelo governo ucraniano como mais uma tentativa da Rússia de semear a inquietação para legitimar uma possível invasão e divisão da Ucrânia.

O distúrbio em Donetsk começou quando cerca de 120 manifestantes pró-Moscou tomaram as instalações da administração regional na noite de domingo, exigindo a realização de um referendo para anexar a região à Rússia assim como foi feito com a Crimeia no mês passado.

Num vídeo divulgado na internet, um homem não identificado leu, diante da bandeira da Rússia, um ato que determinava a independência da região, batizada de República Popular de Donetsk.

“Buscando criar um Estado popular, legítimo e soberano, eu proclamo a criação do Estado soberano da República Popular de Donetsk”, afirmou o manifestante. De acordo com a agência de notícias Interfax, o grupo de separatistas disse que pretende realizar um referendo sobre a questão até 11 de maio.

No mesmo vídeo, o homem pede a ajuda do presidente russo, Vladimir Putin, caso o governo da Ucrânia resista à separação. “No caso de uma ação agressiva por parte das autoridades ilegítimas de Kiev, vamos apelar para a Federação Russa trazer um contingente de paz”, afirmou o homem para cerca de 2 mil manifestantes que cercavam o prédio alguns deles, armados.

O apelo segue a declaração feita por Putin no início da crise, quando o presidente justificou uma possível intervenção militar na Ucrânia para proteger russos vivendo no país.

O governo da Ucrânia reagiu, afirmando que a tomada de prédios estatais no leste do país é uma repetição do que aconteceu com a Crimeia antes do referendo de março, que “legitimou” a anexação do território autônomo pela Rússia.

“Está em andamento um plano contra a Ucrânia, sob o qual forças estrangeiras cruzarão a fronteira para confiscar o território do país”, disse o primeiro-ministro ucraniano, Arseniy Yatsenyuk. “Nós não permitiremos isso.”

Yatsenyuk ainda acusou a Rússia de orquestrar a tomada dos prédios estatais, afirmando ser parte de um plano para desestabilizar o governo ucraniano. “Esse cenário foi escrito pela Federação Russa e tem como único objetivo desmembrar a Ucrânia.”

Sob vigia.

Tropas russas continuam na fronteira com a Ucrânia. De acordo com a Otan, mais de 40 mil soldados russos estão mobilizados na região.

Depois do referendo que permitiu a anexação da Crimeia ao território da Rússia, diversas regiões ucranianas com grande presença de russos também manifestaram interesse de realizar votações do tipo, intensificando o temor de desintegração do país.

Os EUA e a União Europeia vêm trabalhando para conter a crise na região e anunciaram uma rodada de sanções à Rússia. Washington e Bruxelas também ameaçaram restrições mais duras caso soldados russos cruzem a fronteira com a Ucrânia.1

Separatistas da Ucrânia pedem ajuda a Putin.

Separatistas reforçaram as barricadas ao redor do prédio do setor de segurança do Estado em Luhansk.

Luhansk – Separatistas pró-Rússia reforçaram nesta quarta-feira as barricadas ao redor do prédio do setor de segurança do Estado em Luhansk, no leste da Ucrânia, e pediram ajuda ao presidente russo, Vladimir Putin, depois que o governo ucraniano alertou que pode usar a força para restaurar a ordem.

Os manifestantes também estavam envolvidos em negociações para diminuir o impasse, que o governo interino em Kiev disse que poderia servir de pretexto para uma invasão russa, enquanto parlamentares do leste da Ucrânia propunham uma anistia para os manifestantes para acalmar a tensão.

A antiga sede da KGB, agência secreta da ex-União Soviética, é um dos três prédios do governo tomados nesta semana no leste da Ucrânia por manifestantes que exigem a realização de referendos regionais sobre a sua independência de Kiev.

As tensões aumentaram nas regiões onde a maioria da população fala a língua russa, no leste da Ucrânia, depois da derrubada do presidente ucraniano, que era apoiado por Moscou, e da instalação em Kiev de um governo pró-europeu.

“É claro que temos de pedir que a Rússia nos incorpore, porque eu não vejo uma alternativa”, disse um homem vestido em uniforme de camuflagem que se identificou como Vasiliy e afirmou ser o comandante do edifício. “Putin, ajude-nos!”, afirmou.

Em uma entrevista coletiva realizada no interior do edifício ocupado na noite desta quarta-feira, Valery Bolikov, que disse ser um representante das sedes do Exército do Sul e do Extremo Leste, declarou que as negociações com as autoridades não conseguiram ainda levar a um acordo.

“As negociações continuam, há algumas questões que estão sendo tratadas, mas ainda não se chegou à conclusão lógica”, disse ele no ornamentado salão de conferências dos Serviços de Segurança da Ucrânia.2

EUA acusam agentes russos de fomentar tumultos no leste da Ucrânia.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, acusou agentes e forças especiais russas nesta terça-feira de fomentar tumultos separatistas no leste da Ucrânia, dizendo que Moscou pode estar tentando se preparar para uma ação militar como a da Crimeia. Manifestantes armados pró-Moscou ainda ocupavam nesta terça-feira edifícios do governo ucraniano em duas cidades no leste, cuja maioria da população é russófona, embora a polícia tenha encerrado uma terceira ocupação em uma operação-relâmpago noturna.

O serviço de segurança da Ucrânia disse que os separatistas que ocupam seu quartel-general em Luhansk plantaram bombas no prédio e que têm até 60 reféns. Os ativistas no local negaram ter explosivos ou reféns, mas disseram ter tomado um arsenal repleto de rifles automáticos. O governo da Ucrânia diz que as ocupações que começaram no domingo são parte de um plano liderado pela Rússia para desmembrar o país, e Kerry declarou temer que Moscou possa repetir sua operação na Crimeia.

“Está claro que agentes e forças especiais russas foram o catalisador do caos das últimas vinte e quatro horas”, disse ele em Washington, acrescentando que “isto tem o aspecto de um pretexto elaborado para uma intervenção militar, como vimos na Crimeia”.

Moscou anexou a península do mar Negro no mês passado depois de um referendo realizado quando as tropas russas já tinham tomado o controle da região. Mais cedo, o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, desqualificou as acusações ocidentais de que Moscou está desestabilizando a Ucrânia, dizendo que a situação só pode melhorar se Kive levar em conta os interesses das regiões de fala russa.

Tiros foram disparados, uma granada atirada e 70 pessoas detidas quando as autoridades ucranianas encerraram a ocupação da cidade de Kharkiv durante uma ação “antiterrorismo” de 18 minutos, informou o ministério do Interior. Mas em outras partes do coração industrial do leste ucraniano, ativistas armados com fuzis Kalashnikov protegidos por barricadas de arame farpado prometeram não voltar atrás em sua exigência — uma votação para voltar ao controle de Moscou.

Na cidade de Luhansk, um homem vestido com uniforme camuflado disse a uma multidão do lado de fora do edifício de segurança estatal ocupado: “Queremos um referendo sobre o status de Luhansk e a volta do russo como língua oficial”. O impasse do Kremlin com o Ocidente derrubou a confiança dos investidores na economia russa, e nesta terça-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu sua previsão de crescimento russo no ano para 1,3 por cento, menos da metade dos três por cento que tinha projetado inicialmente.

A Grã-Bretanha teme que a Rússia queira interromper os preparativos para a eleição presidencial do mês que vem na Ucrânia, que vem sendo administrada por um governo interino desde a deposição do presidente Viktor Yanukovich, aliado de Moscou, em fevereiro. A Ucrânia, que foi controlada por Moscou até o colapso da ex-União Soviética mais de duas décadas atrás, está mergulhada no caos desde o final do ano passado, quando Yanukovich rejeitou relações mais estreitas com a União Europeia e reaproximou o país da Rússia, o que provocou protestos em massa nos quais mais de 100 pessoas foram mortas pela polícia e que fizeram Yanukovich deixar o cargo, levando à perda do controle de Kiev sobre a Crimeia. Em Kiev, o ministro do Interior, Arsen Avakov, atribuiu parte de responsabilidade pela ocupação de Kharkiv ao presidente russo, Vladimir Putin. “Tudo isso foi inspirado e financiado pelo grupo Putin-Yanukovich”, disse.3

Fontes:
[1] http://www.opovo.com.br/app/maisnoticias/mundo/dw/2014/04/07/noticiasdw,3232537/manifestantes-pro-russia-proclamam-republica-soberana-no-leste-da-ucrania.shtml

[2] http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/separatistas-da-ucrania-pedem-ajuda-a-putin-kiev-ameaca-usar-forca

[3] http://www.forte.jor.br/2014/04/08/eua-acusam-agentes-russos-de-fomentar-tumultos-no-leste-da-ucrania/