Rússia e China fecham acordo energético e de cooperação tão temidos pelo Ocidente.


O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, anunciaram, após as negociações em Xangai, a intenção de fortalecer as relações de parceria na esfera energética, “acelerando o início do fornecimento de gás russo para a China”.

O presidente russo propôs anular o imposto de extração de recursos naturais para jazidas de gás que proporcionem essa matéria-prima no quadro de futuros contratos russo-chineses. A China, por seu turno, prometeu cancelar as taxas de importação.

O respetivo contrato, segundo disse o assessor de imprensa da presidência, Dmitri Peskov, poderá vir a ser assinado a qualquer momento. Salientou ainda que as conversações serão prosseguidas, tendo sido alcançado “um significativo progresso”. “Resta levar a um bom termo as negociações quanto ao preço”, completou.

Ambas as partes se declaram dispostas a debater os detalhes finais. O programa de fornecimento, a entrar em vigor em 2018, não foi modificado ou cancelado. No seu âmbito, o Gazprom irá efetuar exportações anuais estimados em 38 bilhões de metros cúbicos de “combustível azul”, podendo esse volume vir a ser aumentado para 60 bilhões.

A título de comparação: o volume de exportações de gás russo para a Europa ultrapassará, este ano, 160 milhões de metros cúbicos. Uma vez que os europeus estão apreensivos com tal reviravolta russa para o Oriente, o premiê russo, Dmitri Medvedev, em entrevista à agência Bloomberg, asseverou que o fornecimento de gás para a região asiática não será realizado à custa da Europa:

“Temos em alto apreço os nossos parceiros ocidentais. Há décadas que mantemos contatos comerciais com eles. O seu mercado é muito valioso para nós e eu quero que todos compreendam isso. Por outro lado, não podemos fornecer o nosso gás somente para o mercado europeu. Temo-lo em quantidades suficientes para exportar para o mercado asiático, em rápido crescimento”.

Conforme realçou a propósito o chefe da companhia Rosneft, Igor Sechin, será concluído um acordo com a vigência de 30 anos. E este contrato foi negociado durante 10 anos. “Seria absurdo não acertar agora certos detalhes e depois, anualmente, introduzir correcções e emendas”, frisou. Os analistas russos compartilham essa opinião. O contrato de gás com Pequim excede os limites de um acordo simples de parceria econômica, considera o perito Nikolai Podlevskikh. Trata-se, no essencial, de um tratado de criação de uma nova infraestrutura na área energética e de transportes:

“O fornecimento de gás na vertente oriental se relaciona com as elevadas despesas e enormes investimentos nas obras de construção de gasodutos, estações de bombagem e na prospeção de novas jazidas. Tais assuntos estão previstos pelo contrato. Por isso, este último prevê novas hipóteses de investimento de capitais chineses na prospeção de jazidas e na construção de gasodutos”.

Claro que as conversações não foram fáceis, bem como as soluções de compromisso não foram atingidas num abrir e fechar de olhos. Mas sem o contrato, a situação nesse segmento irá piorar. Por essa razão, o contrato “está condenado ao sucesso”, constata com otimismo o analista russo, Alexander Pasechnik:

“A China precisa do gás russo, está interessada em implementar a sua estratégia energética. Dito de outra maneira, sem o gás russo serão desacelerados os ritmos de desenvolvimento económico da China. Além disso, o contrato é mutuamente vantajoso”.

A propósito, ambos os líderes aceitaram com calma o fato de adiamento e, terminadas as conversações, foram assistir aos exercícios navais conjuntos Interação Marítima 2014 que se realizam no mar de China Oriental. Vladimir Putin e Xi Jinping acordaram realizar, no próximo ano, manobras militares alusivas ao 70º aniversário da Vitória na Segunda Guerra Mundial. O dirigente russo declarou estar satisfeito com os resultados das negociações, sobretudo, com seus aspectos econômicos:

“As relações entre a Rússia e a China se desenvolvem com êxito, tendo alcançado um novo patamar de parceria multifacetada e interação estratégica. Uma atenção especial foi dedicada às questões económicas. A China mantém posições de maior parceiro económico da Rússia. No ano passado, as trocas comerciais totalizaram 90 bilhões de dólares, podendo ser aumentadas para 100 bilhões em 2015”.

Segundo algumas fontes próximas das delegações oficiais dos dois países, a assinatura do contrato foi impedida, em certa medida, pela questão do pré-pagamento. o preço de gás depende da solução desse problema. O presidente Putin, expondo o seu parecer, propôs examinar a questão da abolição do imposto russo sobre a extracção de gás destinado para a China. Pequim está examinando a questão da revogação de taxas de importação sobre o gás russo.

Ora, enquanto as condutas ainda não estão preenchidas com o gás natural russo, a China irá receber o gás liquefeito. A empresa russa Novatek celebrou, em 20 de maio, um contrato com a CNPC chinesa, prevendo a exportação anual de 3 milhões de toneladas de gás liquefeito.

Ásia-Pacífico precisa de sistema de segurança que exclua blocos fechados.

A região da Ásia-Pacífico precisa de uma arquitetura de segurança que garanta as relações de igualdade e exclua quaisquer blocos fechados, afirmou o presidente da Federação Russa, Vladimir Putin.

De acordo com Putin, os membros da Conferência resolvem em conjunto os problemas candentes da região asiática, em que “ainda persistem grandes focos de contradições”. “Não perdem força os riscos como a proliferação de armas de extermínio em massa, o terrorismo e o extremismo religioso. Todos nós entendemos que esses desafios só podem ser respondidos de forma eficaz mediante esforços coletivos pontualmente direcionados”, ressaltou Putin.

O líder russo observou que uma importante área de colaboração é a cooperação comercial e de investimento. Segundo ele, a Rússia está promovendo também um incremento de contatos humanitários, especialmente os intercâmbios de jovens.

A visita de Putin à China atrai atenções especiais do mundo. Em meio ao agravamento de tensões nas relações entre a Rússia e a União Europeia e os EUA devido à situação em torno da Ucrânia, os relatos sobre a virada da Rússia ao Leste ganham cada vez maior força.

Rússia e China assinam contrato de gás por 30 anos no valor total de 400 bilhões de dólares.

O custo total do contrato para fornecimento de gás russo à China durante 30 anos equivale a 400 bilhões de dólares, anunciou o chefe da Gazprom, Alexei Miller.

A Gazprom e a CNPC chinesa assinaram esta quarta-feira um acordo sobre a venda de gás russo e o seu envio para a China através do gasoduto oriental.

De acordo com Miller, este é o maior contrato da Gazprom, que prevê exportar para a China 38 bilhões de metros cúbicos de gás por ano. Contratos de tal envergadura não existem com nenhuma outra empresa.

Esse documento já vinha sendo elaborado há vários anos. O principal obstáculo era o preço do gás, negociado pelas partes até ao último momento. Conforme salientou Miller, só às 4h00 (horário local chinês) tornou-se claro que “todos os pontos fundamentais estavam resolvidos”.

O chefe da Gazprom recusou-se a dizer aos repórteres o preço do gás para a China, alegando ser um segredo comercial. Enquanto isso, ele mencionou números, com base nos quais se pode deduzir que o preço seria de cerca de 350 dólares por mil metros cúbicos.

Rússia irá investir $55 bilhões em fornecimentos de gás para China.

O investimento total da parte russa para implementar o contrato sobre o fornecimento de gás à China será de 55 bilhões de dólares, enquanto a parte chinesa investirá cerca de 22 bilhões, disse a jornalistas o presidente da Federação Russa, Vladimir Putin.

A Gazprom russa e a CNPC chinesa assinaram na quarta-feira um contrato de longo prazo que prevê o fornecimento de gás russo para a China durante 30 anos, sendo os envios anuais de 38 bilhões de metros cúbicos. De acordo com o chefe da Gazprom, Alexei Miller, o custo total da oferta ascende a 400 bilhões de dólares.

Miller detalhou que o referido investimento de 55 bilhões de dólares será destinado ao desenvolvimento dos campos gasíferos e construção do gasoduto.

Fonte: Voz da Rússia.