Na Copa, EUA representam maior risco de pragas para agricultor brasileiro.


As chances de Brasil e Estados Unidos se enfrentarem nesta Copa do Mundo são muito remotas. Mesmo assim, os norte-americanos continuam sendo os adversários mais perigosos para os brasileiros durante o evento.

Isso ocorre porque as 31 delegações que virão ao país poderão trazer 350 pragas ainda inexistentes no Brasil.

A maior ameaça vem dos norte-americanos, com 225 espécies. E pior: além de líder nas pragas, os EUA trazem o maior número de torcedores.

As dificuldades no controle de entrada nos portos e aeroportos e a extensa fronteira seca brasileira estão tirando o sono de produtores de grãos, proteínas e hortifrútis e da indústria de defensivos.

E o perigo é real. O rastro de pragas deixado pelas delegações que participaram da Olimpíada de Pequim, em 2008, foi longo: 44 novas espécies ficaram por lá.

A pesquisadora Regina Sugayama, da consultoria Agropec e autora desse estudo sobre pragas, encomendado pela Andef (Associação Nacional de Defesa Agropecuária), explica que o processo de invasão das pragas é gradativo.

As espécies são introduzidas em populações pequenas, mas, como não encontram os “inimigos naturais”, a população aumenta. “Um belo dia, a gente se dá conta de que a praga está no país.”

Eduardo Daher, diretor-executivo da Andef, diz que nem todas as pragas sobrevivem. Clima e falta de adaptabilidade podem impedir sua evolução. Na dúvida, é necessário barrar todas.

A praga pode entrar no alimento trazido pelos torcedores e até de forma invisível, em sapatos e roupas, diz Luiz Ribeiro, da Andef.

O cenário que se apresenta nesta Copa preocupa a indústria produtora de defensivos. Com a globalização, a chegada de novas espécies ao país é inevitável, mas as indústrias têm de se preparar buscando conhecimento nos países de origem das pragas.

A possibilidade da chegada de um volume muito grande de pragas, como o que pode ocorrer nesta Copa, preocupa porque pesquisas e desenvolvimento de produtos para o combate das espécies são demorados.

As pragas não se limitam às grandes culturas, como soja, milho e trigo, mas ameaçam frutas, hortaliças e verduras. E virão delegações e torcedores de países líderes em todas essas culturas.

A invasão de torcedores é motivo de preocupações também dos produtores de proteínas. A Abpa (Associação Brasileira de Proteínas Animal) fez até um manual de conduta para o setor.

Entre as recomendações, está a de proibir visitas nas principais áreas de produção.

Francisco Turra, ex-ministro da Agricultura e presidente-executivo da entidade, diz que o Brasil ainda é livre de uma série de doenças que afetam outros países produtores.

Ele cita o exemplo da luta do México, país que estará na Copa, para eliminar a gripe aviária. Outro perigo para os produtores de proteínas vem dos EUA, que convivem atualmente com a diarreia suína.

Após a chegada da doença, o estrago é grande, diz Turra. A gripe aviária causou prejuízos de US$ 8 bilhões na Ásia e já provoca perdas de US$ 1 bilhão no México.

Antonio Camardelli, da Abiec (associação das indústrias), vê riscos menores na pecuária. Mas Luciano Vacari, da Acrimat (criadores de Mato Grosso), diz que é preciso torcer muito não só para a seleção brasileira, mas também para que dê tudo certo. “É preciso confiar no serviço de defesa do Brasil”, diz ele.

Autor: Mauro Zafalon

Fonte: Jornal Folha de São Paulo.