Operações secretas dos EUA fazem do mundo um campo de batalha.


O século 21 parece ter enterrado as batalhas campais. Hoje, os combates não seguem os moldes militares tradicionais. Milhares de operações secretas são executadas por unidades que oficialmente não existem e não deixam registros.

Desde o 11 de Setembro, esse é o novo paradigma da política externa dos EUA, segundo o jornalista Jeremy Scahill em “Guerras Sujas”. Sem uniformes coloridos ou estandartes, sem duelos de artilharia, sem trincheiras e sem fronteiras. O mundo todo é um campo de batalha.

“O foco no ‘terrorismo’ nos primeiros dias do governo [Bush] se centrava nas ameaças representadas por Estados-nações –Irã, Síria, Coreia do Norte e Iraque– e levou a uma mudança de regime”, escreve Scahill.

Operações secretas, atentados terroristas e assassinatos políticos não são novidades criadas neste milênio. Depois da Segunda Guerra, principalmente com a Guerra Fria, intervenções desse gênero se tornaram frequentes, mas não eram dominantes.

Entre as décadas de 1950 e 1970, a CIA planejou e executou –ou tentou executar– a deposição de governos na América Latina e no Oriente Médio, assassinou líderes na África, deu suporte a ação de juntas militares e ditaduras e a esquadrões da morte em diversos países.

Em 1976, quando a situação ficou fora de controle, o então presidente dos Estados Unidos, Gerald Ford, editou uma ordem executiva que proibia explicitamente os assassinatos políticos. A ordem foi se “flexibilizando” ao longo dos anos.

“Antes mesmo do 11 de Setembro”, conta, “os neoconservadores –de volta ao poder com o governo do segundo Bush– recolheram aqueles planos da lata de lixo da história e se empenharam em implementá-los. Expandir a projeção das forças americanas era essencial, assim como a constituição de unidades operacionais de elite ágeis”.

“Os neoconservadores também vislumbravam um domínio mais eficaz dos Estados Unidos sobre os recursos naturais do planeta e o confronto direto com os Estados-nações que se interpusessem no caminho”.

A Al Qaeda propiciou, em 2001, o cenário ideal para colocar em prática as antigas estratégias da CIA. A investigação de Scahill, começa com os primeiros dias do governo Bush e chega ao segundo mandato de Obama. Ele apresenta uma nova visão da guerra contemporânea a partir de histórias que parecem desconexas. “Guerras Sujas” traz relatos e histórias de participantes que passaram a vida incógnitos.

Mesmo autor de “Blackwater”, livro sobre o uso de mercenários no Iraque sob o comando de um radical cristão de extrema-direita, Jeremy Scahill é jornalista de rádio e televisão e documentarista e atuou em coberturas internacionais no Iraque, nos Bálcãs e na Nigéria.
Fonte: Folha de São Paulo.