O Futuro da Guerra Infinita “A estratégia de 2015 do Pentágono” para Governar o Mundo.


Na quarta-feira (1/07), o Pentágono divulgou sua Estratégia Militar Nacional 2015 (NMS), um projeto de 24 páginas para governar o mundo através da força militar. Embora a linguagem no relatório seja mais sutil e menos incendiária do que documentos similares no passado, a determinação em prosseguir com os interesses dos EUA unilateralmente através de extrema violência continua a ser a pedra angular da nova estratégia. Os leitores não vão encontrar nem mesmo uma pitada de remorso nos NMS para a grande destruição e perda de vidas causada pelos EUA em países que não oferecem a menor ameaça para a segurança nacional dos EUA. Em vez disso, o relatório reflete a determinação de aço de seus autores e constituintes de elite para continuar a carnificina e derramamento de sangue até que todos os rivais potenciais estejam mortos ou eliminados, e até ao momento em que Washington se sinta confiante de que seu controle sobre as alavancas do poder global não podem ser contestadas.

Como seria de esperar, o NMS esconde suas intenções hostis por trás da linguagem enganosa de “segurança nacional”. Os EUA não iniciam guerras de agressão contra estados inocentes que possuem grandes quantidades de recursos naturais. Não. Os EUA simplesmente abordam os “desafios de segurança” para “proteger a pátria” e “avançar nossos interesses nacionais.” Como qualquer um pode encontrar a falha, afinal é conclusivo, não tentavam os EUA apenas trazer paz e democracia ao Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria agora?

No Chairman’s Forward o Chefe adjunto do Estado-Maior, general Martin Dempsey tenta preparar o povo americano para um futuro de guerra sem fim:

“Conflitos futuros virão mais rapidamente, durarão mais, e terão lugar num campo de batalha muito mais tecnicamente desafiador… Temos de ser capazes de se adaptar rapidamente a novas ameaças, mantendo a vantagem comparativa sobre os tradicionais… a aplicação do instrumento militar de poder contra ameaças de estado é muito diferente do que a aplicação do poder militar contra ameaças não-estatais. Com maior probabilidade enfrentaremos campanhas prolongadas do que conflitos que são resolvidos rapidamente… que o controle da escalada está se tornando mais difícil e mais importante “(Documento: Estratégia Militar Nacional dos EUA 2015, USNI News).

Guerra, guerra e mais guerra. Esta é a visão do Pentágono do futuro. Ao contrário da Rússia ou da China que tem um plano para uma integrada zona de livre comércio União Euopeia-Ásia (Rota da Seda), que irá aumentar o emprego, melhorar a infra-estrutura vital, e elevar os padrões de vida, os EUA vê somente morte e destruição à frente. Washington não tem uma estratégia para o futuro, sem visão de um mundo melhor. Não é só a guerra; guerra assimétrica, guerra tecnológica, guerra preventiva. Toda a classe política e seus patrões da elite apoiam por unanimidade a regra global através da força das armas. Este é o significado inevitável deste documento. Os Estados Unidos pretendem manter sua aderência tênue em potência global, maximizando o uso do seu maior patrimônio; suas forças armadas.

E quem está na mira dos militares? Confira este trecho de um artigo no Defense News:

“A estratégia apela especificamente para o Irã, Rússia e Coréia do Norte como ameaças agressivas para a paz global. Ele também menciona a China, mas notadamente começa nesse número, dizendo que o governo Obama quer “apoiar a ascensão da China e incentivá-la a se tornar um parceiro para maior segurança internacional”, continuando a linha tênue entre a China aliada econômica e China a concorrente regional.

“Nenhuma dessas nações se acredita estar buscando um conflito militar direto com os Estados Unidos ou nossos aliados”, é lido na estratégia. “No entanto, cada um deles coloca assuntos de segurança graves que a comunidade internacional está trabalhando para dirigir coletivamente por meio de política comum, mensagens compartilhadas, e ação coordenada.” (Pentagon Releases National Military Strategy, Defense News)

Você entendeu essa última parte? “Nenhuma dessas nações se acredita estar buscando um conflito militar direto com os Estados Unidos ou nossos aliados. No entanto, cada um deles coloca problemas de segurança graves”.

Em outras palavras, nenhum desses países quer lutar contra os Estados Unidos, mas os Estados Unidos querem lutar contra eles. E os EUA sentem que é justificado lançar uma guerra contra esses países, porque, bem, porque quer controlar vastos recursos, têm enorme capacidade industrial, ocupam uma área do mundo que interessa aos EUA geopoliticamente, ou porque simplesmente querem manter sua própria independência soberana que, naturalmente, é um crime. De acordo com Dempsey, qualquer dessas desculpas esfarrapadas são justificativas suficientes para o conflito, principalmente porque eles representam “sérias preocupações de segurança” para os EUA, o que quer dizer que eles minam o papel dominante dos Estados Unidos como a única superpotência do mundo.

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A NMS dedica especial atenção à Rússia, inimigo de Washington “a-bola-da-vez” que teve a audácia de defender seus interesses de segurança na sequência de um golpe apoiado pelo Departamento de Estado na vizinha Ucrânia. Por isso, Moscou deve ser punido. Isto é a partir do relatório:

“Alguns estados, no entanto, tem tentado rever aspectos fundamentais da ordem internacional e estão agindo de uma forma que ameaça os nossos interesses de segurança nacional. Enquanto a Rússia tem contribuído em áreas selecionadas de segurança, tais como combate ao narcotráfico e contraterrorismo, também tem demonstrado repetidamente que não respeita a soberania de seus vizinhos e que está disposta a usar a força para atingir seus objetivos. As ações militares da Rússia estão a minar a segurança regional diretamente e através de forças de proxy. Estas ações violam vários acordos que a Rússia assinou no qual se compromete a agir em conformidade com as normas internacionais. “(2015 NMS)

A Rússia é um malfeitor, porque a Rússia se recusou a se conter enquanto os EUA derrubaram o governo ucraniano, instalaram um fantoche dos EUA em Kiev, precipitaram uma guerra civil entre as várias facções, neo nazistas exaltados a posições de poder nos serviços de segurança, mergulharam a economia em insolvência e ruína, e abriu uma sede da CIA na Capital para executar todo o jogo de tiroteio. É por isso que a Rússia é má e deve ser punida.

Mas isso significa que Washington está contemplando seriamente uma guerra com a Rússia?

Aqui está um trecho do documento que vai ajudar a esclarecer o assunto:

“Durante a última década, nossas campanhas militares principalmente consistiram em operações contra as redes extremistas violentas. Mas hoje, e no futuro próximo, devemos prestar maior atenção aos desafios colocados por atores estatais. Eles têm cada vez mais a capacidade de contestar a liberdade regional do movimento e ameaçam nossa pátria. Particularmente preocupantes são a proliferação de mísseis balísticos, as tecnologias de ataque de precisão, os sistemas não tripulados, as capacidades espaciais e cibernéticas, e as armas de destruição em massa (WMD), tecnologias destinadas a combater as vantagens militares dos EUA e a restrigir o acesso aos bens comuns globais.” (2015 NMS)

Parece-me que os chefões em Washington já fizeram as suas mentes. A Rússia é o inimigo, por isso, a Rússia deve ser derrotada. De que outra forma se poderia “combater um estado revisionista”, que “ameaça a nossa pátria”?

Por que com Daisy Cutters, é claro. Assim como todos os outros.

O NMS oferece um rol de justificativas para o lançamento de guerras contra os inimigos (imaginários) dos EUA. O fato é que o Pentágono vê fantasmas em cada esquina. Se o tema é “novas tecnologias, mudando a demografia” ou diferenças culturais; todos são vistos como uma ameaça potencial para os interesses dos EUA, particularmente qualquer coisa relacionada com a “competição por recursos.” Nesta visão distorcida da realidade, pode-se ver como a invasão do Iraque foi justificada com o argumento de que o controle de Saddam de enormes reservas de petróleo do Iraque representava um desafio direto à hegemonia norte-americana. Naturalmente, Saddam teve que ser removido e mais de um milhão de pessoas mortas para colocar direito as coisas e retornar o mundo a um estado de equilíbrio. Esta é a visão predominante da estratégia militar nacional, ou seja, que tudo o que os EUA fazem é certo, porque eles são os EUA.

Os leitores não devem esperar encontrar algo novo nos NEM. Este é um vinho velho em odres novos. O Pentágono tem apenas atualizado a Doutrina Bush, enquanto suaviza a retórica. Não há necessidade de assustar o viver à luz do dia das pessoas comuns falando sobre o unilateralismo, de preferência, descartando o direito internacional ou a agressão não provocada. Mesmo assim, todo mundo sabe que os Estados Unidos vão fazer o que diabos ele queira fazer para manter o império intacto. A estratégia militar nacional de 2015 apenas confirma esse fato triste.

Autor: Mike Whitney vive no estado de Washington. Ele é um contribuinte para Hopeless: Barack Obama e a política da Ilusão (AK Press). Hopeless também está disponível em uma edição Kindle. Ele pode ser contatado pelo fergiewhitney@msn.com.

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fonte: http://www.informationclearinghouse.info/article42294.htm