Rússia se converte na potência mais influente no Oriente Médio.


Graças à operação na Síria, a influência russa no Oriente Médio tem alcançado um nível sem precedentes desde o fim da União Soviética, enquanto que as posições dos EUA na região não deixam de debilitar-se por diversas razões, incluindo seu apoio ao terrorismo e sua aliança com regime o despótico da monarquia absolutista da Arábia Saudita e com Israel, que é odiado em toda a comunidade árabe no Oriente Médio.

Esta realidade tem sido reconhecida por diversas publicações ocidentais. Assim por exemplo, um artigo da revista alemã Der Spiegel já afirma que a antiga ordem mundial, na qual os EUA jogava um papel dominante, tem chegado ao seu fim.

“Os últimos acontecimentos na esfera política internacional tem marcado um giro principal e o início de uma nova era em que equilíbrios de força tem mudado de forma definitiva”, indica a revista alemã Der Spiegel.

A revista considera que a época da dominação ocidental é coisa do passado e que os EUA já não ostenta uma influência determinante na esfera mundial. Os governos ocidentais não cessam de repetir que a Rússia se encontra isolada no mundo. No entanto, a política internacional já não gira em torno de EUA e Europa. Neste sentido, Der Spiegel afirma que a aliança sino-russa está incrementando sua influência internacional e recorda que os presidentes russo e chines, respectivamente Vladimir Putin e Xi Jinping, compartilham agora habitualmente o pódio nos desfiles militares que se celebram em ambos os países.

O primeiro ministro da Índia (país membro do BRICS), Narendra Modi, afirmou igualmente em um recente twitter enviado na ocasião do 63º aniversário de Putin: “Rogo a Deus que te de saúde, alegria e uma longa vida”.

Por sua parte, o ex embaixador dos EUA em vários países árabes e muçulmanos, Ryan Crocker, disse a Wall Street Journal que “a influência dos EUA no Oriente Médio atravessa um declive sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial”. “A região não possui já nenhum grupo importante que apoie os EUA”, afirma, por sua parte, Emile Hokayem, analista do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres. Ele considera que os EUA “perdeu sua posição dominante no Oriente Médio para sempre. Quem vier depois de Barack Obama não terá muitas cartas que jogar ali”, acrescentou.

Israel, que utiliza os EUA conforme a sua conveniência, não duvida em distanciar-se deste país quando lhe convem e está buscando um modus vivendi com a Rússia, como demonstra a negativa israelense de apoiar uma resolução proposta por EUA contra a Rússia na Assembléia Geral da ONU com respeito à Crimeia, a península que no ano passado passou para a Rússia. Israel tão pouco tem criticado os ataques aéreos na Síria como faz os EUA. Isto demonstra que Israel não sente nenhuma lealdade pelos EUA apesar de toda a ajuda política, econômica e militar que este último lhe presta.

Pelo contrário, a Rússia reforçou seu papel no Oriente Médio mediante sua intervenção na Síria contra o terrorismo e o estreitamento de relações com dois antigos aliados: Iraque e Egito, que dependem cada vez mais do armamento russo. Estes dois países tem mostrado seu apoio aos ataques aéreos russos na Síria e, no caso de Iraque, tem estabelecido uma sala conjunta em Bagdá onde quatro países – Iraque, Síria, Irã e Rússia – coordenam sua política de luta contra o terrorismo. Isto criou uma aliança militar de fato entre esses quatro estados. Por sua parte, o Egito mudou sua política perante a Síria e apoia agora o Estado sírio contra o terrorismo, cujo flagelo também sofre.


Os povos do Oriente Médio não acreditam que os EUA tenha intenção de lutar contra o terrorismo, e o vêem, pelo contrário, como seu principal patrocinador. Isto fica claro se considerarmos que a Rússia conseguiu mais na Síria na primera semana de ataques contra o Estado Islâmico que os EUA e sua coalizão em todo um ano. A utilização dos terroristas por parte de Washington como instrumentos de sua política tem de fato manifestado sua hipocrisia nestes últimos 14 anos, quando justificava todas as suas agressões na região com base na suposta “guerra contra o terrorismo”. Hoje em dia, fica claro que EUA utiliza a Al Qaida, e inclusive o Estado Islâmico, com a finalidade de alcançar seu principal objetivo político na Síria que é o de derrocar o governo de Bashar Al Assad, que manteve todo o momento a independência da Síria e sua aliança com a Rússia e o Irã. Os EUA tem arcado com as consequências das suas políticas, e dos seus aliados turcos, sauditas e qatarianos, que gerou: a instalação de um regime cruel e desumano em Damasco, a eliminação das minorias religiosas no país, a destruição do seu patrimônio cultural, etc.

Este fenômeno se repete na Ásia Central, onde o Estado Islâmico e seus aliados estão ganhando terreno, em especial no Afeganistão. “O que acontece no Afeganistão empurra nossos países para a Rússia. Ninguém confia nos EUA, nem a élite nem os cidadãos comuns”, afirmou recentemente o primeiro ministro do Quirguistão, Tokon Mamitov.

Os países árabes começaram também uma aproximação até a Síria, não só porque creem agora que o Estado sírio ganhará esta guerra mas porque consideram que os acordos com a Rússia podem ser a melhor garantia para suas respectivas lutas contra o terrorismo. Existem outros fatores também nesta nova política como a profunda desconfiança pelas políticas expansionistas neo-otomanas de Erdogan, particularmente rejeitadas pelos árabes, e sua defesa do grupo dos Irmãos Muçulmanos considerado um inimigo por muitos governos da região.

A complicada situação do regime wahabí saudita, atolado na guerra do Yemen, onde colhe um fracasso militar atrás do outro, sua péssima gestão da última peregrinação e seu declive econômico, que põe em questão a viabilidade de sua política baseada em subornos econômicos a outros estados, tem contribuído também com a consolidação de uma onda de reprovação popular árabe e islâmica a tal regime, cuja aliança com os EUA supõe outra fonte principal de descrédito para este último.

Deste modo, com sua intervenção na Síria, a Rússia se converteu no principal motor de luta contra o terrorismo no Oriente Médio e no mundo e em um fator decisivo para derrotar a conspiração de seus promotores. Isto é comprendido pelos povos e governos da região, que assiste agora a um crescimento sem precedentes da influência da Rússia, por cima inclusive da que em outros tempos chegou a ostentar a extinta União Soviética.

Autor: Yusuf Fernandez

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fonte: Almanar