A imigração como arma de guerra, uma engenharia estratégica.


Refugiado kosovar Agim Shala de 2 anos de idade é passado através da cerca de arame farpado nas mãos dos avós no acampamento administrado pelos Emirados Árabes Unidos em Kukes, Albânia. Os membros da grande família Shala foram reunidos aqui depois de fugir de Prizren no Kosovo durante o conflito. (Os avós tinham acabado de cruzar a fronteira em Morina). Os parentes que chegaram tiveram que ficar fora do acampamento até que o abrigo estivesse disponível. Os próximos membros dia da família tinha barracas para dentro. A cerca foi palco de muitas reuniões. Quando o acordo de paz foi assinado, eles voltaram para Prizren para encontrar suas casas apenas levemente danificadas. Havia lágrimas de alegria e tristeza da família conforme as crianças iam sendo passadas através da cerca, simbolo da inocência e horror do conflito. Fotografia premiada em 2000 Feature Photography Pulitzer Prize.

Depois de ler o título, é possivel concluir que se trata do fenômeno que a Europa ultimamente enfrenta: as centenas de milhares de refugiados, tanto as vítimas das agruras de guerras civis como os oportunistas, os quais estão a invadir os Balcãs por terra e mar e a seguir, mais adiante, tentando alcançar países mais ricos como a Alemanha, a França e os países da Escandinávia, por quaisquer meios possíveis.

Aparentemente este fluxo de refugiados tem razões objetivas: conflitos armados e guerras têm decorrido na Líbia, Síria e Iraque durante muitos anos, ao passo que a situação também é turbulenta na Palestina e no Afeganistão. Na Tunísia e no Egito, em que ambos experimentaram a Primavera Árabe, a situação também deixa muito a desejar. Dificilmente alguém tem reparado no Bahrain, onde protestos da oposição são brutalmente reprimidos há anos, ao passo que no Iêmen são executados ataques aéreos a festas de casamento. A localização destes dois estados não é muito conveniente, contudo – simplesmente não há lugar para onde fugir. Há também um pormenor importante: estão sendo construídos campos para refugiados muçulmanos na Arábia Saudita, mas por alguma razão ninguém está indo para lá. Como último recurso, eles permanecem na Jordânia e na Turquia.

Haverá alguma razão geral para este desejo frenético de fugir da sua pátria? Parentes ricos já estabelecidos na União Europeia, talvez? Ou notícias acerca de benefícios assistenciais com os quais eles poderiam viver confortavelmente? Afinal de contas, para fazer uma tal jornada eles têm de pagar pelos serviços de passadores. Segundo algumas notícias, estes passadores levam de US$ 4000 a US$ 10 mil para transportar um único refugiado da Síria ou da Líbia para a Europa. Mesmo que essa pessoa tenha parentes ricos no estrangeiro, receber dinheiro através de transferência bancária é impossível na Síria devastada. Organizar transportes a crédito envolve claramente certas garantias, considerando em especial que muitas vezes os barcos afundam no Mediterrâneo.

Quem é então que proporciona garantias a ponto de encorajar centenas de milhares de pessoas a correrem de outros continentes para a Europa e por que?

Investigadores descobriram um fato muito interessante relativo à utilização de redes sociais. Veio à luz que apelos no Twitter para que refugiados viajem para a Alemanha procedem principalmente dos EUA. O tempo gasto praticado em outros países não foi em vão – desde o Irã durante as eleições presidenciais de 2009 até o Egito e a Tunísia, onde o papel desempenhado pelas redes sociais na mobilização da população foi considerável.

O que vemos agora é a implementação prática de cálculos teóricos com uma natureza estratégica. Tais estratégias têm estado a desenvolver-se durante longo tempo. Uma delas é um estudo do Belfer Center for Science and International Affairs da Universidade de Harvard que tem o nome de “Migração estratégica engendrada como uma arma de guerra” (“Strategic Engineered Migration as a Weapon of War“), que o autor também utiliza como título deste artigo. O estudo foi publicado pela primeira vez em 2008 no Civil Wars Journal. Utilizando uma combinação de dados estatísticos e análises de estudos de casos, o autor do trabalho, Kelly Greenhill, apresenta resposta para as seguintes perguntas: podem refugiados ser um tipo específico de arma, pode esta arma ser utilizada só em tempo de guerra ou também em tempo de guerra, e quão exitosa pode ser a sua exploração? Na generalidade, Greenhill responde a estas perguntas pela afirmativa.

De fato, investigadores do Belfer Center, bem como investigadores de outros departamentos da Universidade de Harvard, têm trabalhado na concepção de estratégias para a gestão de conflitos no contexto de questões mais vastas de política externa durante muitos anos. O diretor do Belfer Center, Graham Allison, foi secretário Assistente da Defesa na administração Clinton. Além disso, o Belfer Center também financia a investigação de uma força tarefa especial dedicada à Rússia.

Os EUA estão apenas a pretender que simpatizam com a Europa, a qual está sendo duramente atingida pela onda migratória. Num artigo recente de Richard Haass, presidente da influente organização globalista Council on Foreign Relations que trata de questões europeias, a utilização da palavra “gestão” (“managing”) em relação à crise de migração na União Europeia não foi casual. Saboreando os problemas que estão a ser enfrentados pela Europa por consequência do influxo de refugiados, Haass nota que os EUA têm tanto a obrigação de ajudar a União Europeia como interesses estratégicos em relação à Alemanha e à Europa como um todo. Apesar desta “obrigação de ajudar”, contudo, não tem havido nenhuma ajuda dos EUA nem no controle da infiltração ilegal de países europeus nem em termos de abrigo temporário de refugiados.

Leia também: Plano Maçonico de Miscigenação para eliminar a resistência e fraturar a sociedade.

Há também um outro fato interessante. Em 15 de Setembro, Barack Obama assinou uma ordem executiva sobre a utilização de técnicas de ciência comportamental na administração pública. O ramo mais recente da ciência comportamental, conhecido como “Nudge”, é nada mais do que o meio mais atualizado de manipular pessoas. A mão de Cass Sunstein, que anteriormente trabalhou no Office of Information and Regulatory Affairs durante a administração Obama, pode ser vista claramente aqui. Juntamente com um colega britânico, ele foi co-autor do livro Nudge: Improving Decisions about Health, Wealth and Happiness, no qual técnicas de manipulação psicológica no contexto da vida diária são ocultadas por trás de palavras bonitas. (Por acaso, a esposa de Sunstein é Samantha Power, embaixadora dos Estados Unidos na ONU.) Não há dúvida de que a técnica “nudge” será utilizada para além das fronteiras dos EUA.

Contudo, a arma mais eficaz, tanto metaforicamente como literalmente, podem ser aqueles migrantes capazes de estabelecer um pequeno grupo de guerrilha para executar atos terroristas subversivos sobre o novo território. É de certa forma interessante que os EUA estejam não só a atuar como hospedeiros daqueles que parecem mais “prometedores” para isto como também estejam a conceder-lhes status de refugiados e residentes, bem como a proteção oficial do governo dos EUA.

Tanto quanto se pode julgar a partir de um documento interno recentemente revelado, um relatório especial ao Congresso dos EUA para o ano financeiro de 2014 sobre a questão da migração, preparado pelo US Department of Homeland Security, Departamento dos EUA para a Segurança da Nação, declara que em 2014 os Serviços de Cidadania e Imigração aplicaram 1.519 isenções a solicitantes individuais concedendo status de refugiado, status de residente e a proteção oficial do governo. E a coisa mais interessante é que de um modo ou de outro todas estas pessoas têm ligações com grupos terroristas e vasta experiência de atividades subversivas.

A lista inclui velhos aliados de Washington, desde exilados cubanos, militantes do Kosovo Liberation Army que por alguma razão não podem viver bem no seu próprio estado criado artificialmente, e muitos outros aliados encobertos e abertos dos EUA. Há membros da Aliança Republicana Nacionalista de Salvador, muito provavelmente aqueles que disparavam sobre opositores políticos durante a Guerra Fria e estão agora escondendo-se da justiça. Há combatentes do Movimento Democrático para a Libertação da Kunama Eritréia – etno-separatistas que se opunham ao governo eritreu. Há a Frente de Libertação do Povo Tigray da Etiópia e a Frente de Libertação Oromo do mesmo país.

A lista também inclui ativistas da Chin National Front da Birmânia e sua ala militar, o Chin National Army, os quais são membros da chamada Organização das Nações e Povos Não Representados (Unrepresented Nations and Peoples Organization, UNPO). Membros da Karen National Union, incluindo militantes do Karen National Liberation Army (um grupo étnico que vive na Birmânia e na Tailândia) também receberam de imediato uma quota para viverem nos EUA.

O status de refugiado foi dado a 49 antigos cidadãos iraquianos do Iraqi Democratic Party, do iKurdish Democratic Party e da Patriotic Union of Kurdistan. A lista das “1.519 isenções” também inclui membros de outras organizações que se dedicaram durante muitos anos a conflitos armados.

Pode-se apenas especular sobre a espécie de guerras futuras que os EUA têm em mente se planejam utilizar tais migrantes como arma.

Autor: Leonid Savin

Fonte: strategic-culture.org