Rússia tem dados da venda ilegal de petróleo do Estado Islâmico à Turquia.


O presidente turco Recep Tayyip Erdogan se comprometeu a renunciar se aparecerem provas da compra e venda de petróleo com o Estado Islâmico. A Rússia afirma que possui dados sobre a oferta ilegal de petróleo à Turquia, enquanto deixa claro que os utiliza “para lutar contra o terrorismo e não para demonstrar nada”.

Na Cúpula do Clima em Paris (França), Recep Tayyip Erdogan qualificou de “imorais” as acusações de que seu país compra petróleo da organização jihadista.

“Não somos tão desonestos a ponto de comprar petróleo dos terroristas. Se for demonstrado que assim temos feito, deixo meu posto. Se existe alguma prova, que apresentem: vamos vê-la”, disse o líder turco em declarações colhidas por TASS.

Durante a celebração da mesma cúpula, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que Moscow tem “razões de peso” para crer que o avião militar russo Su-24 foi derrubado pela Turquia para proteger as ofertas de petróleo do Estado Islâmico.
“Temos todas as razões para supor que a decisão sobre a derrubada de nosso avião foi ditada pelo desejo de garantir a segurança destas vias de oferta de petróleo para o território turco, precisamente os portos onde é carregado nos petroleiros”, expressou o mandatário russo.

Além do que, Putin anunciou que os últimos dados que Rússia possui confirmam que “o petróleo chega em quantidades industriais desde os lugares de extração de petróleo controlados pelo Estado Islâmico até o território turco”.

“Os dados se utilizam para acabar com o Estado Islâmico, não para demonstrar nada”

Por outro lado, o porta-voz do presidente russo, Dmitri Peskov, assegurou que a informação sobre a compra por parte de Ankara do petróleo procedente do Estado Islâmico é necessária para a própria luta anti-terrorista e não para demonstrar a culpabilidade das autoridades turcas.

“Não é um anúncio novo. Em este caso, o mais importante é dispor da informação e utilizá-la no trabalho, que se concentra fundamentalmente não na demostração de algo senão na luta contra o terrorismo”, Peskov deixou bem claro.

Novas informações

Não é a primeira vez que se fala do suposto comércio de petróleo entre a Turquia e o Estado Islâmico. Segundo informaram no fim de outubro fontes da inteligência iraquiana citadas por TASS, os ingressos de venda pelo petróleo são uma importante fonte de financiamento para o movimento jihadista do Estado Islâmico, que obtêm milhões de dólares pela exportação e venda de petróleo no mercado negro turco.

“Nos últimos oito meses o Estado Islâmico conseguiu vender […] petróleo pelo valor de 800 milhões de dólares no mercado negro na Turquia. Esse petróleo do Iraque e da Síria é transportado em caminhões destes países através das fronteras turcas e se vende […] no mínimo 50 por cento mais barato que o preço internacional”, informou Mowaffak al Rubaie, deputado e ex-assessor de segurança nacional do Iraque, em exclusiva para RT.

De fato, a empresa do filho do próprio Erdogan pode estar involvida na compra e venda de petróleo ilegal dos terroristas, de acordo com a informação do ministro de Informação sírio, Omran al Zoubi, em uma entrevista concedida à agencia RIA Novosti.

“Todo o petróleo fornecido por essa empresa é propriedade do filho de Recep Tayyip Erdogan. Além disso, não vendem somente petróleo, mas também trigo e antiguidades de valor histórico”, explicou o ministro.

Do Estado Islâmico a Turquia e Israel

Por outro lado, a mídia israelense ‘The Globes’ assegura que contrabandistas turcos e curdos compram petróleo roubado pelo Estado Islâmico no Iraque e Síria e vendem a outros países.

Nos últimos oito meses o Estado Islâmico tem conseguido vender petróleo pelo valor de 800 milhões de dólares no mercado negro na Turquia.

O Estado Islâmico vende até 40.000 barris de petróleo ao día, ganhando assim até 1,5 milhões de dólares a cada 24 horas. Um dos depósitos onde se produz petróleo bruto está localizado em Deir ez Zor, no Leste da Síria. Existem outros dois no Iraque, de acordo com a mesma fonte ‘The Globes’.

O petróleo chega à cidade de Zakho, no Curdistão iraquiano, próximo da fronteira com a Síria e Turquia. Nesta zona chegam mediadores desde Turquia e Israel para acertar o preço. Despois o petróleo cai nas mãos de uma rede de contrabando na Turquia para ser distribuido a vários portos e, posteriormente, aos clientes.

O interesse dos compradores tem raíz no baixo preço que oferece o Estado Islâmico: uns 35 dólares por barril, podendo chegar menos até dos 10 dólares.

Fonte: RT.com