Não deveria ser o contrário? Obama espera que a Rússia se una à coalizão liderada pelos EUA.


Enquanto a coalizão contra o Estado Islâmico liderada pelos EUA apenas fez algo em um ano, as operações russas na Síria, iniciadas sob a petição do presidente Bashar al Assad, em apenas alguns meses tem alcançado objetivos convincentes. Com este pano de fundo, é bastante curioso que Barack Obama tenha expressado recentemente sua esperança de que a Rússia se una à coalizão liderada por Washington.

Ao término da Cúpula do Clima celebrada em Paris, o presidente dos EUA Barack Obama interviu com curiosas declarações em relação à luta contra o Estado Islâmico.

Ao dizer que a estratégia dos EUA dá frutos, o mandatário expressou sua esperança de que a Rússia se una aos países que estão lutando contra o Estado Islâmico sob a liderança dos EUA.

“A Rússia será um aliado dos que estão lutando contra o Estado Islâmico”.

“Em última instância, a Rússia se dará conta de que a ameaça do Estado Islâmico é a mais importante para seu povo e será um aliado dos que estão lutando contra o Estado Islâmico”, anunciou Obama em uma roda de imprensa na França.

“Podemos ver o começo do cessar-fogo em algumas partes da Síria”, ressaltou o presidente, agregando que isso “liberará os grupos da oposição” dos supostos ataques aéreos russos.

O mandatário também enfatizou que o desacordo dos Estados Unidos com a Rússia tem raiz na posição a respeito do futuro político do presidente Bashar Al Assad.

A coalizão dos EUA na Síria dá frutos, realmente?

Tais declarações parecem raras se consideramos o pano de fundo da luta anti-terrorista. O ano passado foi marcado pela ascensão repentina do Estado Islâmico na Síria e Iraque, o que causou serias preocupações na sociedade mundial.

EUA não demorou em intervir ao convocar uma coalizão contra o grupo terrorista, mesmo tendo sua ação se baseado em fundamentos bastante duvidosos. Assim, em setembro do ano passado o presidente Barack Obama anunciou que se realizaraim ataques aéreos na Síria inclusive sem a aprovação do Congresso.

A carência de êxito da campanha dos EUA contra o Estado Islâmico levou alguns especialistas a por em dúvida o autêntico objetivo do país. Sendo assim, a analista especializada em geopolítica para o Oriente Médio, Sharmine Narwani, defende que os “EUA não está interessado na derrota do Estado Islâmico”, mas que quir controlar seus movimentos para criar um equilíbrio geopolítico sobre o terreno e proporcionar a sua coalizão vantagem nas conversações de Viena.

As conquistas da operação russa na luta contra o Estado Islâmico.

Ao contrário, a Rússia entrou na luta contra o Estado Islâmico quase um ano mais tarde, sob a petição direta do presidente Bashar al Assad. E em um curto prazo ―desde 30 de setembro de 2015― tem realizado conquistas convincentes que tem eclipsado o que fez o Estado norte-americano até agora.

Para comparar, desde o início da operação da coalizão liderada pelos EUA, em 8 de agosto de 2014 foram realizados 2.804 ataques na Síria. Enquanto que, a Rússia sozinha realizou 4.111 ataques desde 30 de setembro de 2015.

Mas não termina aí. As forças aeroespaciais russas não apenas estão destruindo as instalações do Estado Islâmico ― já foram destruídos 40% da infra-estrutura terrorista― mas também estão acabando com um grande número de jihadistas, matando os chefes militares.

Quem deveria unir-se a quem?

Nesse sentido, o fato de que a operação russa na Síria se tem mostrado muito mais eficaz que as ações dos EUA parece contraditório às declarações do líder norte-americano. Então, os quationamentos que se propõem são qual estratégia realmente dá frutos e quem deveria unir-se a quem na luta anti-terrorista?

Na opinião do analista internacional Carlos Martínez as declarações de Obama são “fora da realidade” considerando que EUA da mesma forma que se diz determinado a lutar contra o Estado Islâmico, tem claramente prestado apoio ao grupo terrorista.

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fonte: RT.com