Diplomacia retorcida Ocidente-Oriente: afirmação bizarra de Kerry sobre EUA não buscar mudança de regime na Síria.


Kerry fez o comentário durante a sua visita de terça-feira (15/12) a Moscow – a pedido de Washington.

Ambos os países são incapazes de ajustar o foco sobre seus pontos de vista diferentes sobre a Síria, apesar de sua retórica diplomática sugerir o contrário.

Duas grandes questões separam ambos os lados. Washington não vai concordar em reconhecer certos grupos terroristas indiscutíveis, incluindo Jabhat al-Nusra, um afiliado da Al-Qaeda, responsáveis ​​pelas atrocidades horríveis contra civis.

A Rússia mantêm todos eles como devem ser chamados assim como são, as nações em todo o mundo unidas contra eles.

O segundo ponto de discórdia é sobre quem deve conduzir a Síria, incluindo o seu presidente e a maioria dos parlamentares. Washington quer um fantoche pró-ocidental de sua escolha, apoiado pelos legisladores de pensamento similar. A Rússia insiste isso cabe aos sírios sozinhos – centrado claramente no endosso do direito internacional.

Nenhuma nação pode interferir nos assuntos internos de qualquer outra, por qualquer razão, exceto auto-defesa em caso de ataque – mesmo assim, só se o Conselho de Segurança autorizar.

Sem resolução do Conselho de Segurança ou permissão de Damasco Washington e seus aliados da coalizão autorizaram o bombardeamento do território sírio e invadiram-na com um pequeno número de tropas de combate – sob o pretexto falso de combater o Estado Islâmico.

Assad está lutando para manter o que a grande maioria dos sírios quer, ou seja, a sua independência soberana, colocando-os em desacordo com os objetivos imperiais dos EUA.

A Síria é a guerra de Obama, lançada em março de 2011, em curso há quase cinco anos, juntamente com outras guerras imperiais dos EUA plenamente responsáveis ​​pela severa crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial – além dos milhões de cadáveres e corpos desmembrados, um testemunho gritante da barbárie dos EUA.

Kerry veio a Moscow para uma outra tentativa no sentido de conseguir que Putin se dobrasse à vontade dos Estados Unidos, uma missão inútil.

Washington intensificou suas operações militares na Síria, bombardeando alvos exclusivamente de infra-estrutura e do governo juntamente com os aliados da coalizão – apoio, não oposição ao Estado Islâmico.

Da Síria, o vice-chanceler, Faisal al-Mikdad, criticou a intervenção liderada pelos Estados Unidos em seu país, dizendo:

“Duvidamos (ser) sincera sua luta contra o terrorismo. Eles não coordenam as suas ações com o Exército sírio”.

“Isso faz com que essas forças sejam ilegais no território da Síria. Não se pode dizer que eles estão lutando contra o terrorismo. (Isso) deve ser uma tarefa prática, não esse show de publicidade em que o Ocidente está envolvido”.

Mikdad criticou a Arábia Saudita pela formação de um bloco pró-ISIS, composto por terroristas que querem Assad violentamente deposto.

“A Síria não negocia com terroristas”, sublinhou Mikdad. O único lugar de conhecê-los é (sobre) no campo de batalha. Damos as boas-vindas pelo apoio de qualquer grupo dedicado a combater o Estado Islâmico e outros grupos terroristas -, ao mesmo tempo elogiando a Rússia por alcançar “sucessos significativos.”

Um comentário final:

Os parlamentares iraquianos querem que o primeiro-ministro Haider al-Abadi faça a solicitação da ajuda russa na luta contra o Estado Islâmico. Washington vai fazer o possível para impedi-los.

Na quarta-feira (16/12), o secretário de Defesa Ashton Carter chegou a Bagdá para avisá-lo contra a aceitação da ajuda de Putin. Isso os está impedindo de pedir até agora – por quanto tempo vai continuar isso não está claro. O Iraque não tem chance de derrotar o flagelo sem eles.

A guerra da OTAN liderada pelos Estados Unidos sobre a Líbia devastou e destruiu o país, criando um caldeirão contínuo de violência em um país dividido.

O Ocidente reconhece o regime baseado em Tobruk, liderado por Abdullah al-Thani. A potência rival liderada pelo primeiro-ministro Khalifa al-Ghawi opera a partir de Tripoli, a capital do país.

Dias antes, ambos os lados concordaram em um acordo mediado pelas Nações Unidas para formar um governo de unidade com sede em Tripoli. Esforços diplomáticos anteriores falharam – talvez um presente também.

O General Khalifa Hafter estava envolvido na guerra da OTAN liderada pelos EUA para derrubar Muammar Gaddafi. Ele é agora comandante das forças armadas do al-Thani.

Na sexta-feira, ele disse “(nossas) boas-vindas ao apoio da Rússia na luta contra o terrorismo.” O Estado Islâmico tem um ponto de apoio na Líbia. Hafter comentou após reunião com Martin Kobler chefe da UNSMIL (missão de paz da ONU).

“(Cada) mais um dia que esperamos, que você espera, é um ganho para o Daesh neste país”, disse Kobler. “(Eu) estou muito contente de ver que o general concorda com a urgência da questão.”

Se a Rússia será solicitada a ajudar (e se Putin vai concordar) isto não está claro. Washington vai exercer uma pressão extrema para impedir.


Autor: Stephen Lendman – Visite seu blog em sjlendman.blogspot.com.

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fonte: Global Research.ca