EUA não tem nenhuma intenção de acabar com o Estado Islâmico nem com a Al Qaida, mas fortalece-los.


Com o início dos bombardeios dos aviões de combate russos na Síria, EUA tem incrementado dramáticamente sua retórica contra os ataques da Rússia e de qualquer um que não participe da “sua coalizão” contra o Estado Islâmico na Síria e tem afirmado que a campanha militar russa está “condenada ao fracasso”.

Esta afirmação expressa claramente a irritação os EUA e seu temor de que sua já fracassada campanha contra o EI resulte em incertezas ao conseguirem os russos um êxito ali onde o governo norte-americano fracassou.

Na realidade, todos os intentos dos EUA por influir na crise síria tem sido um fracasso. Recentemente, Washington se viu obrigado a suspender seu programa de treinamento de terroristas “moderados” quando dois grupos destes últimos foram derrotados, se renderam ou se passaram para a Frente al Nusra, o ramo da Al Qaida na Síria, com seus equipamentos e armas.

Alguns responsáveis do Departamento de Estado explicam a implicação da Rússia nos ataques contra os grupos terroristas na Síria com uma “grave preocupação” e pedem a Rússia que não lance ataque contra os grupos terroristas distintos ao EI, o que deveria incluir a Frente al Nusra, Ahrar al Sham, o Exército Sírio Livre e outros grupos de ideologia similar, que representam un perigo para Síria não menos grave que o do Estado Islâmico.

Neste sentido, responsáveis do Pentágono tem afirmado que os primeiros ataques da Rússia tem sido dirigidos “provavelmente” contra áreas que não estão em poder do EI.

Na realidade, EUA, que esteve por trás da criação do Estado Islâmico, Al Qaida e outros grupos terroristas que assolam o mundo atualmente intervêm na Síria não com a finalidade de lutar contra o terrorismo, senão para derrotar o governo legítimo de Bashar al Assad e instalar um governo marionete na Síria que sirva aos seus interesses e aos de seus aliados regionais -Arábia Saudita, Turquia e Israel. EUA não tem nenhuma intenção de acabar com o Estado Islâmico nem com a Al Qaida, mas busca instrumentalizá-los ainda melhor para que combatam contra os governos aos que deseja arruinar ou debilitar, como os da Síria, Iraque, Irã e Rússia, que seguem uma política independente de Washington.

Isto não significa que os EUA não esteja disposto a atacar a estes grupos quando saírem do controle. Cabe recordar, neste sentido, que os EUA bombardeou em seu dia várias faccões, incluindo o grupo Jorasan, vinculado a Frente al Nusra, ao qual acusou de planejar ataques contra alvos em países ocidentais. O ataque contra a Al Qaida foi fortemente criticado por medos opositores sírios e por outros grupos como o Exército Sírio Livre, o qual serviu para desmentir, mais uma vez, o caráter “moderado” destas forças.

A reação dos grupos sustentados pelos EUA sobre os ataques russos tem sido também de reprovação nesta ocasião. Alguns afirmam que os aviões russos os estão bombardeando e outros afirmam que a Rússia tem atacado civis. Chefes do Exército Sírio Livre tem ameaçado inclusive a Rússia com “um novo Afeganistão”.

EUA, por último, tem indicado que continuará seus próprios ataques contra o EI na Síria, depois que a Rússia deteve suas operacões a fim de evitar incidentes aéreos não desejados. A Rússia tem pedido também que as duas nações se coordenem contra o terrorismo na Síria, algo que EUA tem se negado a fazer.
Autora: Diana Rojas

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fonte: Almanar