China se prepara para intervir na Síria, junto com os exércitos russo e sírio.


O jornal norte-americano Washington Times relata, citando fontes nas Forças Armadas dos EUA que Pequim, preocupado com o crescente número de combatentes de etnia chinesa nas fileiras do Estado Islâmico está se preparando para se juntar aos países que lutam contra este grupo extremista na Síria.

“A China poderia se juntar à luta contra o grupo terrorista radical Estado Islâmico”, disse quinta-feira o jornal, acrescentando que há uma preocupação na China pelo número de militantes de origem uigures e outras partes da China que se juntam as fileiras desse grupo terrorista ou de outros na Síria.

Washington Times estimou que a China vai preferir ficar com as operações das Forças Armadas da Rússia e da Síria, e não com a coalizão liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico.

A razão para isso é que os ataques da coalizão liderada pelos EUA realizada de forma ilegal, sem a permissão das autoridades sírias, e seu desempenho tem sido totalmente ineficaz. Estão crescendo também suspeitas de que Washington e alguns de seus aliados estão abastecendo o Estado Islâmico por via aérea, a fim de retardar o progresso das tropas iraquianas e sírias.

Não se sabe se a China vai enviar tropas terrestres além de aviões e navios de guerra para participar na luta contra o Estado Islâmico. Em qualquer caso, é provável que Pequim se junte nas salas de controle, onde a Rússia, a Síria e o Irã discutem as operações.

Em setembro de 2015, fontes libanesas já manifestaram a agência de notícias italiana AKI que a China poderia seguir a linha da Rússia e enviar militares e armas para a Síria, a fim de lutar contra o terrorismo no país.

Outro artigo no The Times de Israel da analista Cristina Lin também disse que a China pode ser forçada a tomar esta medida, devido à existência de cerca de 3.500 terroristas chineses uigures (da região chinesa de Xinjiang), na cidade síria de Yish al Shugur, que foi tomada há meses pela Frente al Nusra e tornou-se um reduto do grupo takfiri, Partido Islâmico do Turquestão, que é integrado com o Estado Islâmico no “Exército da Conquista”, apoiado pela Turquia.

Região chinesa de Xinjiang é a mais ocidental e próxima da fronteira com os países islâmicos.

O porta-voz do TIP naquela cidade, Abu Ridha al Turkistani, lançou vídeos de seus grupos nos quais convida a outros uigures para viajar à Síria, a fim de mover posteriormente essa luta para Xinjiang. Em um deles, ele parece subindo em uma torre e colocando nela uma bandeira da Frente al Nusra que também leva o nome de sua organização. Os uigures tem recebido armas sofisticadas que o Estado Islâmico tem obtido no Iraque e muitos deles tem decidido participar deste grupo. Se os terroristas uigures expandirem seus números e atividades dentro das fileiras dos grupos terroristas como o Estado Islâmico e a Frente al Nusra, Xinjiang poderia se tornar o próximo Afeganistão.

No ano passado, em Bangkok, terroristas ligados a militantes uigures realizaram um ataque a um hotel cheio de residentes chineses.

A China, com base nisso, aprovou uma resolução para “levar a luta contra os terroristas uigures para outros países antes que a ameaça cresça”, o que significaria tropas sendo implantadas na Síria. Não seria difícil para a China tomar medidas deste tipo quando os seus interesses de segurança nacional estão ameaçados. Isto não implica uma violação do princípio da não-ingerência, argumenta a China, porque isso tem a ver com governos e para não tratar de derrubá-los, mas não tem relação com uma ajuda acertada com o país em questão. Se o governo sírio pede ajuda da Rússia, da China ou de outros países, isso estaria, de acordo com o direito internacional.

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fonte: Almanar