Negócios sem dinheiro: Aumentam em todo o mundo as transações por permuta.




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Como parte da história humana, a moeda não permanecerá para sempre. É verdade que, com a oferta global em ascensão, a moeda é cada vez mais procurada. A razão é simples: ao invés de economia real a produção das máquinas impressoras vai para os mercados financeiros, onde transações de risco são amplamente praticadas. Mesmo que alguém tenha moeda no banco, está se tornando difícil usá-la pois transforma-se num instrumento de especulação em benefício dos donos das impressoras.

As pessoas respondem utilizando moeda com menos frequencia, ou mesmo sem qualquer divisa. Hoje a permuta (barter) é o melhor meio de executar transações sem moeda, trocando uma mercadoria por outra.

Normalmente, o barter aumenta drasticamente em qualquer momento em que a economia atravesse períodos de baixa (slumps) com queda da procura do consumidor.

Corporações multinacionais gigantes frequentemente praticam preços de transferência – o estabelecimento do preço para bens e serviços vendidos entre entidades legais controladas (ou relacionadas) dentro de uma empresa. Elas também podem recorrer a transações por permuta para reduzir pagamentos fiscais. Além disso, grandes corporações normalmente funcionam como partes de cartéis internacionais que estabelecem preços uniformes. Numa tentativa de ganhar uma maior fatia de mercado, elas utilizam diferentes métodos para contornar o preço, incluindo o bartering.

Nos dias de hoje, cada vez mais frequentemente a mídia conta acerca de tais casos. Exemplo: Uma crise política, econômica e financeira atingiu a Grécia no Verão de 2015. Faltou moeda à economia do país. As coisas ficaram piores em consequência de restrições impostas pelo governo sobre transações em dinheiro e pagamentos por transferência. A resultante escassez de moeda provocou crescimento rápido do comércio barter que envolveu corporações gigantes, pequenos negócios e indivíduos.

Redes especiais de distribuição de dados são utilizadas para expandir o bartering, proporcionando informação sobre oferta e procura relativa a diferentes bens e serviços. Com o passar do tempo, algumas delas transformam-se em companhias especializadas em barter, clubes e centros de intercâmbio para oferecer um vasto leque de serviços a clientes, especialmente serviços de corretagem como encontrar parceiros, criar cadeias de distribuição de bens, preparar contratos e monitorizar seus termos. Os centros de bartering mais avançados criam moeda barter para a compra bens através da transferência em contas. Vendedores podem utilizá-la para comprar outros bens e serviços, ou mesmo obter empréstimos de moeda barter.

Em alguns países a informação sobre o bartering está demasiada fragmentada. Não há estatísticas para apresentar o quadro completo. É fácil entender porque. Primeiro, agências de arrecadação de impostos dificultam o desenvolvimento do bartering, porque só arrecadam impostos quando é paga moeda. Muitas transações barter não são controladas por governos. As tentativas estão em curso para mudar isto. Exemplo: nos Estados Unidos a lei Tax Equity and Fiscal Responsibility Act entrou em vigor em 1982 a fim de reduzir o fosso orçamental pela geração de receita através do encerramento de alçapões fiscais e a introdução de regras fiscais mais duras, incluindo as transações barters. Além disso, acordos barter reduzem a procura pela produção das máquinas impressoras dos bancos centrais. Naturalmente, o barter provoca o ressentimento dos prestamistas. A Índia e a Espanha são consideradas pelos peritos como países com tradições barter enraizadas. A cidade indiana de Kochi orgulha-se do mais antigos mercado barter do mundo, criado 200 anos atrás. A Espanha tem grandes mercados barter em Barcelona, Catalunha e [no município de] Mieres.

Atualmente, o barter não é algo sem precedentes na América do Norte. Companhias barter tem operado nos EUA durante dúzias de anos promovendo trocas de bens e ajudando a encontrar parceiros de negócios. Algumas delas transformaram-se em centros de trocas barter. A maioria das cidades dos EUA e Canadá, incluindo grandes, têm seus próprios centros de trocas barter. Hoje o International Monetary Systems é o maior grupo de troca barter nos Estados Unidos. No Canadá o Tradebank é o maior centro barter multi-direcional.

A National Association of Trade Exchanges (NATE) nos Estados Unidos foi criada para proteger os interesses daqueles que estão envolvidos no comércio barter. O NATE tem a sua própria divisa, o BANC.

De acordo com algums estimativas, em 2010 mais de 450 mil companhias dos EUA estavam envolvidas no comércio barter. Não há dúvida de que elas normalmente fazem transações de comércio tradicionais, mas os excedentes são vendidos através do barter. As transações barter nos EUA representam mais de US$10 mil milhões por ano. Provavelmente isto é apenas o topo do iceberg.

Vale a pena mencionar o Euro Barter Business International Limited, EBB.

O EBB une mais de 17 mil companhias de pequena e média dimensão na Europa e mesmo na Turquia. Os participantes pagam taxas anuais e obtêm acesso à base de dados de comércio barter que proporciona informação colecionada de todas as partes da Europa.

A Austrália e a Nova Zelândia criaram a bolsa Bartercard em 1991. Com o tempo, foram estabelecidos ramos no Reino Unido, Chipre, Emirados Árabes Unidos e Tailândia. Hoje o Bartercard é o principal mercado barter do mundo, com 75 mil possuidores de cartão.

Há cerca de 400 companhias barter à escala mundial, providenciado transações em comércio barter para conectar companhias de todos os cantos do globo. A International Reciprocal Trade Association, IRTA coordena suas atividades. Ela coopera estreitamente com a Bartercard e recomenda utilizar a Universal Currency (UC.

Acordos barter estão a tornar-se mais populares atualmente, porque os Estados Unidos utilizam cada vez sanções econômicas como instrumento para exercer pressão sobre outros países. As medidas punitivas incluem o bloqueio de transações em US dólares e outras divisas de reserva. O comércio barter é um método eficaz para contrariar as sanções. O Irã esteve durante muito anos sob as sanções impostas pelos Estados Unidos e seus aliados. Ele utilizou amplamente a troca barter no seu comércio com outros países, como por exemplo acordos barter “petróleo por bens”. Enquanto esteve sob sanções, o comércio barter com a China, Índia e Coreia do Sul permitiu ao Irã importar de tudo – desde telemóveis a equipamento ferroviário.

Em 2014 a Federação Russa iniciou conversações sobre um grande acordo barter com o Irã. No caso de Teerão, o petróleo devia tornar-se o artigo básico de exportação a ser revendido por Moscovo a outros países. A Federação Russa devia vender um amplo conjunto de bens, bem como construir infraestrutura energética. O acordo estava contemplado para perdurar por um certo número de anos. Segundo os media, a soma total do acordo poderia ascender a US$20 mil milhões. Quando o ocidente finalmente levantou as sanções, as conversações sobre o acordo foram suspensas.

Em 2016 Teerão disse que não recusaria completamente o comércio barter. Ela ainda está a ponderar a ideia de fazer negócios na base da fórmula tradicional “petróleo por bens”. “Petróleo por ativos” também é uma opção.

Exemplo: o Irã tem estado em conversações para comprar refinarias de petróleo na Suíça e em França. O processo de negociações foi suspenso devido à pressão de Washington. Hoje, o Irã está em conversações para construir refinarias na Espanha e exprimiu interesse em comprar e construir refinarias na Índia e no Brasil.

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fonte: Strategic Culture

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