As verdades ocultas da colonização cultural e financeira do Brasil.


COMPARTILHE NA REDE SOCIAL |

“Determinadas leis podiam ser injustas, advogados podiam
ser desonestos e tribunais podiam ser corruptos, mas a lei,
alicerce da sociedade, era, por definição, um bem incontestável”.
(Stuart Schwartz, Burocracia e Sociedade no Brasil Colonial)

Quando se extingue a gestão independente e específica para a cultura, faz-se muito mais do que deixar ao léu os museus, as produções artísticas e as pesquisas do folclore. Abrem-se ou, no caso brasileiro, reabrem-se as portas para o colonialismo, para a dominação moral, para a introdução das falsas verdades e imposição de mitos alienantes. Não tratarei aqui das artes, mas das falsidades. E começo tomando o exemplo da economia.

O grande mote para o impeachment da Presidente Dilma, também usado para deposição do Presidente João Goulart e para levar ao suicídio o Presidente Getúlio Vargas foi a corrupção, o “mar de lama”, a “pandemia”. A corrupção, além do problema ético, é uma questão econômica.

Todos lembram da “crise” de 2008, chamada de subprime americano. Os filmes, os documentários e as reportagens econômicas sobre este evento que arruinou famílias, empresas e países mostram claramente a corrupção dos agentes econômicos, do governo e dos congressistas norteamericanos além, e dou especial relevo, das “agências de classificação de risco”, que me espanta ainda serem citadas e acreditadas pela imprensa e instituições econômicas. Também não há menos corrupção na Wall Street, de Nova Iorque, e na City, de Londres, do que na Avenida Paulista. Para não encher páginas, cito a manipulação do câmbio ocorrida em 2015, em Londres, sem outra punição que não fosse a de multa aos cinco (?) bancos envolvidos. Acaso a corrupção na reconstrução de Berlim teria sido menor do que a do metrô de São Paulo?

Leia também: A antiga colônia norte-america
na, a crise brasileira e a geopolítica mundial.

O mar de lama de Getúlio, dito por seus acusadores, jamais existiu. O mesmo em relação a João Goulart, amplamente vasculhado após sua exclusão do País, e logo veremos que nem Lula nem Dilma cometeram qualquer ilícito. Mas o parlamento brasileiro, como o italiano, não escaparia de uma investigação séria, não midiática e parcial como a Lava Jato.

Esta demonização nacional pela corrupção faz parte de um sistema de dominação colonial. Também faz parte deste sistema colonizador o mito da estrutura institucional neutra. Como uma estrutura de poder pode ser neutra? Já nem falo das condições sociais e econômicas que dirigirão as questões a distintos segmentos hierárquicos, mas da própria aplicação das normas e de suas exigências. Tomemos o caso recente das reivindicações operárias na Itália, na França e na Suíça. Os sindicatos foram aos judiciários na defesa de seus direitos, os mais elementares como do pagamento integral dos salários. Encontraram a justiça lenta, bem paga, colocando óbices processuais e pedidos de informação, fugindo de sua obrigação básica de fazer respeitar a lei e o direito às vidas mantidas por aqueles salários.Enquanto as empresas, constituídas para execução das obras, desvinculando-se das matrizes, muitas vezes em outros países e paraísos fiscais, fecham suas portas, falem e deixam de cumprir suas obrigações sociais e trabalhistas. Nem trato do Brasil, mas os avisados leitores terão suas próprias experiências e informações. Mas estes países tem instituições modelares, assim nos ensinam e reforçam os veículos de comunicação de massa.

Ocorre, atualmente, em todo mundo, e como sempre, a luta pela dominação colonial, agora entre o sistema financeiro internacional, que denomino abreviadamente por banca, e os BRICS, que além dos países da sigla, representam a esperança de vários países no processo de conquista da soberania nacional e na construção da sociedade calcada em seus próprios valores e cultura.

O interino ministério dos homens de terno que ora ocupa o Poder Executivo deixou muito clara sua opção. Coloca os recursos da previdência subordinado aos interesses fiscais, os quais, por sua vez, como demonstra o super déficit divulgado, obedece à banca. Mistura os desenvolvimentos industriais, com os agrários, com os sociais, com a previdência social numa única gestão para promover o caos e a paralisia conforme os interesses da colonização.

Enquanto a USAID, em documento de 2015, afirma pagar “jornalistas amigáveis” para defender seus interesses em todo o mundo. E, do lado de cá, passa-se por um ideal político não ter posição, como se algum poder não tivesse sua ideologia. Mas com esta “verdade” faz os “conservadores”, os adeptos da submissão colonial, passarem por “técnicos” e os reformistas, os que procuram mudança e renovação, por “politiqueiros”, “fantasistas” ou “comunistas” ou ainda, na palavra da moda, “bolivarianos”.

Nota: havia escrito este artigo quando tive a notícia que o provisório governo, não suportando a pressão da mobilização da classe artística, decidira rever a extinção do Ministério da Cultura. Evidentemente que será um ministério minúsculo, sem recursos nem poder. A definição prócolonial já está posta. Mas é importante para os movimentos sociais avaliarem o poder das mobilizações.

Autor: Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

Agradecimentos de Dinamica Global pela colaboração do autor e seu excelente texto.

VISITE A PÁGINA INICIAL | VOLTAR AO TOPO DA PÁGINA