Espanha ‘trai aliados da OTAN’ ao receber Navios de Guerra russos – Oh, é verdade?


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Espanha não é um país soberano? E não hospeda navios da OTAN da ‘neutra’ Suécia? E os britânicos ainda não estão estacionando em Gibraltar apesar das objeções espanholas?

Parece que a Espanha está em apuros. O país tem sido acusado de “trair seus aliados da OTAN”, permitindo que navios da Marinha russa reabasteçam em seus territórios do Norte Africano – mas na realidade o que a alegação faz é expor uma rede maciça de hipocrisia.

Desde 2011, a Espanha tem irritado a OTAN, permitindo que 57 navios de guerra russos, submarinos e outras embarcações reabasteçam em seu enclave norte-Africano de Ceuta, de acordo com um relatório do Times. Agora, a questão foi salientada pelo Congresso dos Estados Unidos após o congressista republicano Joe Pitts propôr uma emenda ao projeto de lei anual de defesa que exigiria das autoridades de defesa “relatórios sobre os países da OTAN permitindo navios de guerra russos atracarem em seus portos.”

Pitts não é um campista feliz. As ações da Espanha “minam a solidariedade da OTAN” contra a Rússia, enquanto os governos “em todo o mundo” devem “isolar a Marinha russa, não acomodá-la”, ele escreve. Na verdade, continua, a OTAN deve ter uma “estratégia coerente” para negar à Rússia acesso aos portos de águas quentes.

Os exceptionalistas americanos estão preocupados que o “desligamento” dos EUA a partir do Mediterrâneo apresente uma oportunidade para a Rússia, que mantêm uma base estratégica fundamental no Mediterrâneo no porto de Tartus, na Síria.

Desunião Européia.

Mas o fato de a OTAN ter essencialmente congeladas as relações com a Rússia e a União Europeia ter imposto sanções econômicas contra o país, não impediu os países da OTAN e da UE de permitir que navios russos utilizem os seus portos do Mediterrâneo para o descanso, reabastecimento e repovoamento.

Malta, um membro da UE, também já foi palco de navios russos. A Grécia, que continuou a manter relações amigáveis ​​com a Rússia, sendo também membra da OTAN e da UE, fez o mesmo. Acredita-se a Rússia também está buscando o direito de usar os portos de Chipre. Mas de acordo com Luke Coffey, um analista do centro de estudos conservadores The Heritage Foundation com sede em Washington, de todos os traidores da OTAN, a Espanha é “o pior”. O comportamento da Espanha é “irresponsável”, especialmente num momento em que a Rússia está ativamente tentando “desmembrar” a Ucrânia, diz ele.

Deixando de lado a óbvia falta de conhecimento ou experiência diferenciada sobre a crise da Ucrânia de Coffey, há uma coisa que ele está prestes a acertar: A questão revela como está realmente dividida a Europa sobre a sua política em relação à Rússia. A “frente unida” é mais como uma fachada frágil, com os países relutantes de estragar suas próprias relações individuais com Moscow por causa de uma grande estratégia de contenção que pode não ser realmente em seu benefício, especialmente se houver um degelo nas relações – por mais improvável que possa parecer hoje.

Quem está minando quem?

Durante anos, a aliança da OTAN tem sido inflexível de que não está focada sobre a Rússia e que não é uma ameaça para ninguém. O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, assegurou a todos em dezembro passado que a OTAN é uma “aliança defensiva” e está “simplesmente a fornecer segurança” para seus membros. “Não está focada na Rússia ou qualquer um”, disse ele. A porta-voz da OTAN Oana Lungescu ecoou os comentários de Kerry, “categoricamente”, negando que a expansão do bloco nada tem a ver com a Rússia. Isto apesar do fato de que em outras ocasiões, autoridades dos EUA e da OTAN têm alardeado a Rússia como uma das ameaças mais graves para a humanidade.

Então, se estamos a aceitar a noção de que as políticas da OTAN não tem nada a ver com a Rússia, especificamente, então não deve ser um problema para um país soberano – neste caso a Espanha – tomar a decisão independente de permitir o reabastecimento de navios russos em um de seus portos, se as paradas são feitas com total permissão em conformidade com o direito internacional e doméstico – que afinal de contas, eles estão.

Por outro lado, se estamos a aceitar a ideia de que a decisão da Espanha de fato vai “minar” a solidariedade da OTAN, também deve seguir essa decisão a Suécia ao se tornar um “país-anfitrião” para as tropas da OTAN prejudicando também o seu chamado status de “não-alinnhado”. Isso também deve seguir, em seguida, a hospedagem quase diariamente da Irlanda aos aviões militares dos EUA em Shannon Airport (uma violação do direito internacional de neutralidade)a minar a sua chamada “neutralidade” – mas nem Pitts nem Coffey parecem se importar com isso.

Os Jogos Olímpicos da Hipocrisia.

Ao introduzir a alteração obrigando os funcionários a informar sobre os países da OTAN que permitem paradas de navios russos, Pitts citou a “invasão” russa da Crimeia como uma das razões pela qual a Marinha da Rússia deveria ser evitada.

É um tanto irônico, então, que não há uma, mas duas disputas territoriais que são um pouco mais relevantes para o assunto em questão aqui, mas isso parece ter passado despercebido. O território de Gibraltar é controlado pela Grã-Bretanha, mas reivindicado pela Espanha – e o enclave de Ceuta é controlado pela Espanha, mas reivindicado pelo Marrocos.

Assim, temos agora as autoridades britânicas levantando uma confusão sobre os navios russos aportando a 20 milhas de distância de seus próprios, que por sua vez são estacionados em um porto que a Espanha acredita que por direito pertence a eles – e todo o tempo que eles usam uma disputa territorial completamente sem relação para suportar sua alegação de que os navios russos não têm o direito de estar ali. Você não poderia fazê-lo para cima.

A verdadeira disputa no Estreito de Gibraltar é entre dois próprios, Reino Unido e Espanha, países da OTAN. Um porta-voz do Governo de Gibraltar disse ao Expresso que os navios espanhóis foram “assédiados” pelos ativos da Marinha Real e dos EUA operando na área. A questão tornou-se tão tensa no início deste mês que a Marinha Real disparou tiros de advertência em um navio espanhol que tinha abordado um submarino nuclear norte-americano ao largo da costa de Gibraltar. Ufa. Não é de admirar que todo mundo está achando mais conveniente fazer dos navios russos a questão.

De qualquer forma isso fica ainda melhor, ou pior, dependendo de como você quer olhar para isso.

No mês passado, o secretário do Exterior britânico Philip Hammond disse ao Vietnam que os requerentes no Mar da China do Sul não devem enviar tropas para áreas “marítimas contestadas”. Hammond, não é conhecido por seu uso da lógica nas relações internacionais, pode querer reconsiderar essa sugestão, uma vez que seu país tem militarizado uma série de suas próprias áreas marítimas disputadas -incluindo Gibraltar, as Ilhas Malvinas e da ilha do Oceano Índico de Diego Garcia.

Moral da história: Navios da OTAN e aviões podem aportar ou aterrisar praticamente em qualquer lugar, a qualquer momento, sem dúvida – e disputas territoriais só são importantes se envolverem a Rússia, mas não quando envolverem os próprios membros da OTAN.

Entendeu?


Autor: Danielle Ryan

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fonte: RT.com

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