Dívida e escravidão: para que serve uma crise num país rico? Brasil, a Colônia de Banqueiros.


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É óbvio que governos de tão diferentes matrizes políticas e ideológicas só poderiam agir tão harmonicamente e com tamanha concordância se representassem um mesmo poder: do sistema financeiro internacional.

  • “Ousei rasgar o espesso e misterioso véu que cobria o Tesouro,
  • persuadido de que a desconsolação pública e a extinção do patriotismo
  • andam a par da miséria pública; de que a ruína dos Estados, a queda
  • dos Impérios são consequência das desordens das finanças”.
  • (Manuel Jacinto Nogueira da Gama, Visconde de Baependi, 1823)
  • Gustavo Adolfo Dodt da Cunha Barroso, jornalista, historiador, membro da Academia Brasileira de Letras, escreveu, em 1934, Brasil – Colônia de Banqueiros, editado pela Civilização Brasileira. Nele retrata a história dos empréstimos estrangeiros ao nosso País por mais de um século, de 1824 a 1934.

    Inicia aquele trabalho com a citação de um viajante inglês, Henry Koster, que em 1818, ou seja, quando Dom João VI ainda se encontrava no Brasil, observava que o País já cessava de “depender de Portugal para se tornar colônia da Grã-Bretanha”. E acrescenta Gustavo Barroso: “Livres de Portugal em 1822, não nos libertamos da metrópole comercial inglesa senão lá para 1834 …… e passamos a um jugo pior: fomos transformados em colônia da casa bancária judaica Rotschild, em colônia do super-capitalismo internacional”.

    A dominação pelas finanças é a própria história do mundo pós Revoluções do século XVIII. Mas, a partir das decisões denominadas neoliberais de 1980, por Margaret Thatcher e Ronald Reagan, e da queda do Muro de Berlim, em 1989, a “banca”, como denomino o sistema financeiro internacional, tomou conta do mundo, daí o professor e economista Marcos Coimbra designá-lo “donos do mundo”.

    O fenômeno da dívida é secular, bíblico, a tal ponto ser considerada a usura um pecado pelos cristãos. Mas, usando as necessidades e, após, gerando estas próprias necessidades, efetivas ou não, verdadeiras ou não, a dívida, que é o tradicional modo de remuneração e de conquista da banca, toma no mundo contemporâneo um sentido ainda maior. Ela passa a ser o verdadeiro e único poder sobre os Estados Nacionais.

    Hoje, referir-se aos Estados Unidos da América (EUA), como principal interessado na destruição econômica da Rússia, torna-se uma simples metáfora, pois atrás dos EUA está o poder da banca. O mesmo poder-se-ia dizer do Reino Unido, da França, da Alemanha, do Japão – todos estes exemplos para ficar nos mais poderosos países do mundo, do G7 – com governos que se apresentam politicamente como socialistas, conservadores, trabalhistas ou liberais.

    É óbvio que governos de tão diferentes matrizes políticas e ideológicas só poderiam agir tão harmonicamente e com tamanha concordância se representassem um mesmo poder: do sistema financeiro internacional.

    Resta-nos desvendar este poder, a banca.

    Como é evidente, o poder da banca é tanto maior quanto mais invisível ela for. Fica, então, mais protegida de ataques e contestações. E não lhe é difícil assim estar, pois domina amplamente os meios de comunicação, dominando os Estados controla seus segredos e suas agências de inteligência, formando-se então um véu que o Visconde de Baependi não mais conseguiria rasgar.

    Mas ficam as pistas na contínua e acelerada concentração de renda que se verifica desde 1990. E os mecanismos para estas concentrações são as “crises”. Que são as “crises”? Os instrumentos para as transferências de renda de todos os demais agentes econômicos – produtores industriais ou de matérias primas, transportadores, comerciantes etc – para a banca e, adicionalmente, serem concentradoras de renda, mesmo dentro de seus próprios agentes. Veja, por exemplo, o número de bancos existentes no Brasil ou na Suíça em 1990 e em 2015. E assim fortalecida a banca avança cada vez mais, provocando ruína desde pessoais até nacionais e plurinacionais como se vê no norte da África e no Oriente Médio.

    Era esperada uma crise em 2015 ou 2016, pois entre as duas últimas – 2001, na Argentina, e 2008, nos EUA – mediaram sete anos. Não saberia explicar a demora, talvez alguma disputa interna à banca, talvez a necessidade de ter no Governo dos EUA uma sólida governante, mas a “crise” de 2017 parece ser um segredo de polichinelo. Qual será o local, o epicentro?

    Arrisco, sob minha inteira responsabilidade, sugerir que esta próxima crise será europeia, com o euro. Vejamos o que a imprensa tem comunicado em vários países: o retorno do megaespeculador George Soros ao mercado financeiro com apostas “pessimistas”, a situação de insolvência dos bancos europeus, a incapacidade de os Estados Nacionais Europeus continuarem se endividando, a redução do euro nas reservas da República Popular da China, detentora das maiores reservas mundiais, o aparecimento mais significativo dos dólares australianos e canadenses no sistema monetário internacional e as declarações do Primeiro-ministro japonês durante a recente reunião do G7. Ora a moeda-chave da banca é o dólar. Para “aquecê-lo” basta criar uma crise na segunda mais importante moeda-reserva. E, como brinde, um problema adicional para a Federação Russa que tem a Europa como importante parceiro comercial.

    Lembremos que o nacionalismo é o grande inimigo da banca e os BRICS, onde a Rússia tem destacado papel, são um exemplo de política nacionalista. Como se concluem muitas análises financeiras prospectivas: a conferir.


    Dinamica Global mais uma vez agradece a rica contribuição do autor.

    Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado.

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