Um tratado sob medida: estaria a Europa condenada a ser um vassalo de Washington?


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A Segunda Guerra Mundial resultou na conquista da Europa, não por Berlim e sim por Washington.

A conquista foi certa mas não aconteceu de uma vez. A conquista da Europa por Washington resultou do Plano Marshall; dos temores do Exército Vermelho de Stálin que levaram a Europa a confiar na proteção de Washington e a subordinar os militares europeus à OTAN; da substituição da libra britânica como divisa de reserva mundial pelo dólar da América e do longo processo de subordinação da soberania de países europeus individuais à União Europeia, uma iniciativa da CIA implementada por Washington a fim de controlar toda a Europa através do controle de apenas um governo irresponsável.

Um tratado sob medida para as multinacionais: Mais de metade do investimento direto estrangeiro dos países da União Europeia (EU) ou dos EUA (USA) são feitos na economia por outros – daí a extensão do risco de guerras legais – interesses particulares contra os Estados. Um enorme volume de investimento transatlântico – daí o peso do lobby privado. Milhares de empresas da UE e dos EUA têm subsidiárias no outro lado do Atlântico – daí o seu poder através da TAFTA para forçar o seu próprio governo a aceitar regulamentos que eles não querem.

Com poucas exceções, sobretudo o Reino Unido, a condição de membro da UE também significou perda de independência financeira. Como só o Banco Central Europeu, instituição da UE, pode criar euros, aqueles países que tão loucamente aceitaram o euro como divisa sua já não têm mais o poder de criar a sua própria moeda a fim de financiar défices orçamentais.

Os países que aderiram ao euro devem confiar em bancos privados para financiar os seus défices. O resultado disto é que países super-endividados já não podem mais pagar suas dívidas pela criação de moeda ou esperar que suas dívidas sejam canceladas (written down) para níveis cujo serviço possam aguentar. Ao invés disso, Grécia, Portugal, Letônia e Irlanda foram saqueados pelos bancos privados.

A UE forçou os pseudo-governos destes países a pagarem os bancos privados do norte da Europa através da supressão dos padrões de vida das suas privatizações e pela privatização dos bens públicos por alguns centavos de dolar. Assim, pensões de reforma, emprego público, educação e serviços de saúde foram cortados e o dinheiro redirecionado para bancos privados. Companhias municipais de água foram privatizadas o que resultou em contas de água mais altas. E assim por diante.

Como não há prêmio, só castigo, por ser membro da UE, por que é que governos, apesar das vontades expressas dos seus povos, aderem a ela?

A resposta é que para Washington não haveria outro caminho. Os fundadores europeus da UE são criaturas míticas. Washington utilizou políticos por ela controlados para criar a UE.

Alguns anos atrás foram divulgados documentos da CIA provando que a UE fora sua iniciativa. Ver:
www.telegraph.co.uk/… e benwilliamslibrary.com/blog/?p=5080

Na década de 1970 o orientador da minha dissertação de Ph.D, então um responsável de muito alto escalão em Washington que controlava assuntos de segurança internacional, pediu-me para efetuar uma missão sensível no estrangeiro. Eu recusei. No entanto, ele respondeu à minha pergunta: “Como é que Washington consegue que países estrangeiros façam o que Washington quer?”

“Dinheiro”, disse ele. “Nós damos aos seus líderes sacos cheios de dinheiro. Eles pertencem a nós”.

Verifica-se ser claro que a UE serve os interesses de Washington, não os interesses da Europa. Exemplo: o povo e o governo francês opõem-se aos alimentos geneticamente modificado (GMOs), mas a UE permite uma “cautelosa autorização de mercado” da introdução de GMOs, confiando talvez nas “descobertas científicas” dos cientistas que estão na folha de pagamentos da Monsanto. Quando o estado estadounidense de Vermont aprovou uma lei exigindo a etiquetagem de alimentos GMO, a Monsanto processou o estado de Vermont. Uma vez que os subornados responsáveis da UE assinem o acordo TTIP escrito pelas corporações globais dos EUA, a Monsanto tomará o comando da agricultura europeia.

Mas o perigo para a Europa vai muito além da saúde dos povos europeus que serão forçados a jantar alimentos envenenados. Washington está a utilizar a UE para forçar os europeus a entrarem em conflito com a Rússia, uma poderosa potência nuclear capaz de destruir tudo da Europa e dos Estados Unidos em poucos minutos.

Isto está a acontecer porque líderes europeus subornados com “sacos de dinheiro” preferem antes o dinheiro de Washington a curto prazo do que a vida dos europeus a longo prazo.

Não é possível que qualquer político europeu seja suficientemente estúpido para acreditar que a Rússia invadiu a Ucrânia, que a Rússia a qualquer momento invadirá a Polônia e os estados bálticos, ou que Putin é um “novo Hitler” a tramar a reconstrução do império soviético. Estas alegações absurdas são nada mais que propaganda de Washington totalmente destituída de verdade. A propaganda de Washington é completamente transparente. Nem mesmo um idiota poderia acreditar nela.

Mas a UE vai em frente com a dita propaganda, tal como o faz a OTAN.

Por que? A resposta é dinheiro de Washington. A UE e a OTAN são absolutamente corruptas. Elas são as prostitutas bem pagas de Washington.

O único meio dos europeus poderem impedir uma III Guerra Mundial nuclear e continuar a viver e desfrutar o que resta da sua cultura que os americanos ainda não destruíram com a cultura de sexo, violência e cobiça dos EUA, é os governos europeus seguirem a pista dos ingleses e saírem da União Europeia criada pela CIA. E saírem da OTAN, cujo propósito se desvaneceu com o colapso da União Soviética e que agora é utilizada como instrumento de Washington para a Hegemonia Mundial.

Por que desejarão os europeus morrer pela hegemonia mundial de Washington? Isso significa que os europeus estarão a morrer também pela hegemonia de Washington sobre a Europa.

Por que os europeus querem apoiar Washington quando altos responsáveis dos Estados Unidos, tais como Victoria Nuland, dizem “Dane-se a UE”?

Os europeus já estão sofrendo com as sanções econômicas que o seu soberano em Washington os forçou a aplicar à Rússia e ao Irã. Por que desejarão os europeus serem destruídos pela guerra com a Rússia? Será que os europeus anseiam pela morte? Será que foram tão americanizados que já não apreciam a acumulação histórica de beleza artística e arquitetônica, realizações literárias e musicais de que os seus países são guardiões?

A resposta é que não faz diferença o que quer que seja que os europeus pensem, porque Washington estabeleceu para eles um governo que é totalmente independente dos seus desejos. O governo da UE é responsável só perante o dinheiro de Washington. Algumas pessoas capazes de emitir ordens (edicts) estão na folha de pagamentos de Washington. Todos os povos da Europa são servos de Washington.

Portanto, se os povos europeus permanecem os crédulos, indiferentes e estúpidos que são atualmente, estão condenados – juntamente com o resto de todos nós.

Por outro lado, se os povos europeus puderem recuperar o seu sentido da realidade, libertarem-se da Matrix que Washington lhes impôs e revoltarem-se contra os agentes de Washington que os controlam, os povos europeus podem salvar as suas próprias vidas e as vidas do resto da humanidade.

“Se podemos concluir dessa forma em relação à Europa, berço da civilização ocidental, que dizer do comprotamento governista no Brasil e na Argentina em relação ao seu entreguismo e submissão aos interesses dos Estados Unidos?”

Autor: Paul Craig Roberts

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fonte: Information Clearing House

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