A China disposta a aumentar sua presença na Síria, pode enviar suas forças especiais ao Oriente Médio.


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As forças especiais chinesas estenderão suas operações para zonas de conflito no Oriente Médio e no Oriente Próximo. Esta declaração sem precedentes emitida através do jornal Jiefang Junbao, é interpretada por ambos os analistas chineses e russos como um sinal da expansão nacional do país fora da região.

“A China toma medidas preventivas. Estas envolvem as empresas chinesas que são encontradas em todo o mundo. Os chineses acreditam que existe uma potencial ameaça para os seus bens, pessoas e ativos no exterior”, disse em sua entrevista para Sputnik, Pavel Kámennikov, especialista do Instituto Oriental.

O orientalista salientou que as principais rotas de energia da China vem do norte da África e do Oriente Médio, e passam por áreas que são centros de terrorismo internacional.

“Daí os chineses, provavelmente, vão implantar suas forças especiais nessas áreas. A ideia principal da iniciativa é garantir condições normais para o desenvolvimento da economia chinesa”, disse Kámennikov.

Outro interlocutor do Sputnik, o vice-diretor do Instituto da CEI, Vladimir Yevseyev, falou dos países que vão experimentar o possível alcance das forças especiais da China.

Eles são, principalmente, Síria, Afeganistão, Paquistão e Iêmen. Além disso, o especialista destacou um número de “negociações preliminares” com “várias monarquias do Golfo”, que são os principais fornecedores de petróleo.

Por sua vez, o analista do Instituto Chinês, Yang Mian, descartou o envio imediato de forças especiais nesses países, mas concordou que é necessário enfrentar os riscos relacionados com o terrorismo internacional em áreas de seus interesses econômicos.

“Eu gostaria de salientar que, até agora a China não aprovou o envio de forças especiais no exterior. Estas são uma nova força operacional. No momento, o país só reforça o potencial de combate dessas unidades”, disse o cientista político Mian Yang.

Antes a China nunca implantou suas forças especiais no exterior, mas muitas vezes, os militares chineses têm escoltado navios no Golfo de Aden.

Até à data, a mais notória das forças de operações especiais da China tem sido a evacuação dos seus cidadãos residentes no Iêmen no início da guerra civil que eclodiu no país árabe.

No entanto, até mesmo os rivais gigantes asiáticos, como os EUA, respeitam as capacidades e potencialidades dos comandos chineses, mesmo não se colocando em exposição no âmbito internacional. 1

China ‘proporciona ajuda e melhora para o treinamento militar’ na Siria.

Pequim e Damasco concordaram que os militares chineses vão fornecer ajuda humanitária para a Síria, disse um alto oficial do Exército Popular de Libertação, acrescentando que a formação do pessoal da Síria por instrutores chineses também foi discutido.


O Diretor do Instituto de Cooperação Militar Internacional da Comissão Militar Central da China, Guan Youfei, chegou em Damasco na terça-feira (16) para as conversações com o ministro da Defesa sírio, Fahad Jassim al-Freij, noticiou a agência de notícias chinesa Xinhua News.

Durante a negociação, Guan constatou os esforços consistentes da China para encontrar uma solução diplomática para a crise política síria, acrescentando que Pequim está agora a procurar o estreitamento dos laços militares com Damasco.

“Os militares chineses e sírios tradicionalmente têm um relacionamento amigável, e os militares chineses estão dispostos a continuar fortalecendo os intercâmbios e a cooperação com os militares sírios”, disse ele.

Guan e al-Freij discutiram o reforço da formação e “chegaram a um consenso” sobre os militares chineses fornecerem ajuda humanitária na Síria, segundo a Xinhua News, sem fornecer mais detalhes.

De acordo com a agência, Guam também se reuniu com um general russo durante a sua visita à capital síria.

A China tem operado na Síria junto com a Rússia e o Irã de “forma discreta”, mas agora chegou o momento para “abertamente” intensificar os esforços anti-terroristas, acredita o analista político Roula Talj.

“Vamos ver um maior envolvimento da China, Irã e Rússia. Eles vão [no] mais forte depois do ISIS, especialmente depois das conversações de Rússia-Estados Unidos. Eu não acho que os EUA terão alguma chance de se opor à interferência destes aliados. O presidente dos Estados Unidos ou qualquer candidato terá de responder sua própria avaliação pública, por isso é bom para eles que alguém esteja fazendo o trabalho sujo”, Roula Talj disse a RT.

“Em face de sua própria opinião pública eles terão de agradecer a quem mais está limpando a bagunça que eles criaram, especialmente porque ISIS está ficando mais forte a cada dia dentro da Europa. Claro, eles não estão extremamente felizes de ver alguns dos BRICS assumindo o cargo.”

Enquanto isso, Duo Xu Qin, especialista em política não prevê qualquer “profundo envolvimento” dos militares chineses na Síria, mas diz que poderia ser um primeiro passo “significativo” para a China “Envolver-se na situação da Síria.”

“Há chances dessa cooperação aumentar muito”, disse a RT. “Pelo menos a China pode fornecer mais suporte ou cobertura diplomática em termos de reprimir [sobre] terroristas ou alguns grupos rebeldes que são realmente extremistas por natureza.”

“Se você olhar para o chinês médio, a opinião pública chinesa, [você vai ver] que [a] maioria absoluta está aliada com o governo sírio e apoia o envolvimento militar russo. A China tem seus próprios problemas com os terroristas: Pelo menos 100 cidadãos chineses estão lutando ao lado de rebeldes e com o Estado Islâmico contra o governo sírio” ele acrescentou. “É por isso que a China apoia o envolvimento russo, suporta os esforços do governo sírio na luta contra os terroristas.”

Apesar de ser um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e contando com o Oriente Médio para o petróleo, a China estava relutante em tornar-se anteriormente envolvida no conflito sírio.

Pequim preferiu concentrar-se em assuntos domésticos e na disputa territorial com os seus vizinhos no Mar da China Meridional.

O governo chinês elogiou os esforços anti-terroristas de Moscow na Síria onde a Rússia realizou uma campanha de bombardeio de setembro de 2015 a março de 2016. A Rússia ainda tem algumas de suas forças no país para prestar assistência humanitária e militar para o governo do presidente sírio, Bashar Assad.

No ano passado, a China anunciou que estava enviando dezenas de conselheiros militares para a Síria para ajudar o país a lutar contra os terroristas.

A Síria está envolvida numa guerra civil desde 2011, com o governo lutando contra uma série de grupos rebeldes, além de grupos terroristas como o Estado Islâmico (IS, anteriormente ISIS/ISIL ou Daesh) e a Frente al-Nusra. 2

Autor: Ian Greenhalgh

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fontes:
1 Almanar
2 Veterans Today

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