EUA queriam controlar o exército boliviano por considerá-lo um perigo.


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O Exército boliviano representava um perigo para os EUA e, portanto, tentou domesticar na década de 1960 e 1970, através da Escola das Américas e a imposição de ditaduras no país, disse na terça-feira a Sputnik Novosti o ex-chefe militar Edwin De La Fuente.
O presidente da Bolívia, Evo Morales (centro) acena de um tanque de combate leve AMX-13, durante o aniversário do quartel do exército de Calama em Patacamaya, a 100 km de La Paz em 23 de novembro de 2007. Fonte: armyrecognition.com

“Para os EUA foi sempre um perigo o exército nacional, a partir daí vai impor uma doutrina de segurança nacional que é imposta a toda a América”, disse De la Fuente, ex-comandante das Forças Armadas da Bolívia.

Ele também destacou a importância da escola militar anti-imperialista que nesta quarta-feira o presidente boliviano Evo Morales inaugura, no departamento de Santa Cruz, no leste do país.

De La Fuente, atual CEO da Agência para o Desenvolvimento das macro-regiões e Zonas Fronteiriças (Ademaf) revelou que, durante os anos 60 e 70 soldados que estavam bolseiros na Escola das Américas dos EUA não só recebiam treinamento militar, mas retornaram ao país com ganhos significativos.

“Os Estados Unidos sempre joga com sua riqueza econômica, os militares não só receberiam o melhor conhecimento militar do mundo… os militares que participaram de cursos veio com muito bons salários, essas coisas que o imperio sempre utiliza para domesticar as forças militares de diferentes partes do mundo”, disse o militar aposentado.

Ele também lembrou que fruto daquela formação de elites militares na Escola das Américas foram impostas ditaduras na América Latina, a doutrina de segurança nacional foi aplicada e o Plano Condor foi articulado, operação de repressão criaram os governos autoritários da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai nos anos 70 e 80, com apoio dos EUA.

“Na Bolívia tivemos militares fascistas e de extrema-direita como o general Hugo Banzer (1971-1978), um dos militares mais nefastos que existiu na história militar e história política boliviana”, disse ele.

De la Fuente disse que, esse general “foi um verdadeiro Validador do Plano Condor a par com os militares argentinos, de Augusto Pinochet no Chile e de outros militares como Alfredo Stroessner no Paraguai”.

O ex-comandante das Forças Armadas, contudo, destacou que apesar deste tempo sombrio dos militares bolivianos, o Exército foi fundado em 1810 no calor da luta anti-imperialista contra o império espanhol.

“A essência do Exército é anti-imperialista e anti-colonial,” disse De La Fuente ao fazer uma revisão da história boliviana e observou que nos dias da República, a Bolívia teve que enfrentar a agressão e o abuso do império inglês primeiro e os EUA mais tarde.

“Agora, finalmente, os militares bolivianos vão viver em harmonia com o seu próprio espírito,” De La Fuente, que desejou sucesso para a escola anti-imperialista que em breve vai começar a operar na Bolívia e tentar recuperar o pensamento nacionalista dos soldados patriotas que governaram o país.

O governo vai investir cerca de meio milhão de bolivianos para equipar a nova escola de treinamento militar, que será localizada na cidade de Warnes, no departamento de Santa Cruz.

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fonte: Almanar

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