É correto quando quem faz é os EUA? A história por trás do ‘Poseidon’ que se aproximou das fronteiras russas.


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Um avião espião norte-americano se aproximou das fronteiras da Rússia, que respondeu enviando caças Su-27. Esta última manobra foi catalogada pelos noticiários ocidentais como “insegura e pouco profissional”. Tem isso alguma lógica?

Um avião P-8 Poseidón das Forças Aéreas dos EUA realiza manobras sobre a baia de Chesapeake no Oceano Atlântico.

Várias agencias de notícias internacionais fizeram ecar um incidente ocorrido em 7 de setembro no Mar Negro, que envolveu um avião espião norte-americano P-8 Poseidon e um caça russo Su-27. Segundo algumas agências ocidentais como Reuters, CNN e CBS, que citam as declarações de um ofícial do Exército dos EUA, o avião russo se aproximou de uma maneira “insegura e pouco profissional” ao P-8, a uma distância de 3,05 metros.

O Ministério da Defesa da Rússia informou a princípio que o incidente havia envolvido vários aviões espiões norte-americanos e caças russos.

Um vôo de “comum reconhecimento”

A denúncia do ofícial norte-americano destaca que o P-8 ‘Poseidón’ se encontrava realizando manobras de “comum reconhecimento”. As mídias ocidentais insistem que o avião viajava com os equipamentos desligados “necessários para o rastreio de sinais”.

Nos últimos meses foram registrados vários incidentes deste tipo nas fronteiras russas, como o ocorrido com a aeronave norte-americana detetada no mar do Japão em maio deste ano ou vários aviões espiões estratégicos dos EUA perto da região de Kaliningrado em junho.

Por quê a Rússia presta tanta atenção a um ‘simples’ P-8?

Muitas das agencias de notícias ocidentais inundam seus informativos com a notícia do “irresponsável” comportamento dos militares russos próximo de seu litoral. Mas poucos dão a conhecer as caraterísticas do avião norte-americano envolvido no incidente. O P-8 ‘Poseidon’ é um avião-espia de última geração da Força Aérea dos EUA. Está projetado sobre a base do conhecido Boeing 737 e é considerado como uma potente aeronave pensada para a execução de missões de guerra antisubmarina e a intercepção de embarcações.

Um caça russo Su-24 realiza uma manobra a baixa altura próximo do destroier norte-americano USS Donald Cook em águas internacionais do mar Báltico. 12 de abril de 2016.

Mas uma de suas tarefas mais importantes é a pouco conhecida ELINT (Eletronic Intelligence em inglês). Segundo o próprio governo norte-americano, se trata de um sistema para a execução de tarefas de processamento de sinais radioelétricos, reconhecimento do modo de operação e das caraterísticas de emissão de equipamentos e sistemas de guerra eletrônica, tais como radares, bloqueadores, emissores de interferências e outros transmissores de sinais.

Conhecidas suas caraterísticas de operação não é muito difícil imaginar o que um avião deste tipo pode fazer a poucos quilômetros do lugar de execução das manobras estratégicas Cáucaso-2016, que leva a cabo o Exército russo em setembro de 2016.

Aviões militares russos na base aérea de Belbek, Sevastopol. foto: Sputnik

Caças russos sobrevoam litoral da Flórida.

O incidente deste 7 de setembro ocorreu no mar Negro, a uns 100 quilômetros do litoral da Rússia e a mais de 8.000 quilômetros das fronteiras dos EUA. Ou seja, a “insegura e pouco profissional” manobra dos caças russos perto de suas fronteiras ocorre a uma distância considerável do território norte-americano.

Seria muito difícil pensar que um caso parecido aconteça ao outro lado do Atlântico: um avião Il-38 ou uma versão militar do Tu-204 — aeronaves que contam com caraterísticas técnicas inferiores ao P-8 ‘Poseidon’— sobrevoando o litoral de Miami ou Nova Iorque. Sem lugar a dúvida, se trataria de uma das notícias mais repetidas da semana, que acarretariam muitos protestos da comunidade internacional, ou até maiores sanções econômicas contra os ‘espias’ russos.

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fonte: RT.com

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