América do Sul sob ameaça: EUA instalará uma nova base militar no Peru.


Na América Latina, não é novidade que os governos que perdem apoio entre os povos locais tentam melhorar sua posição com os EUA para ajudar; Mas esta “ajuda” não é desinteressada e tem de ser paga com a soberania do Estado. O presidente peruano, Ollanta Humala, é conhecido como uma das figuras políticas que aceitam ser controladas por Washington para preservar sua posição a qualquer custo, como dizem os especialistas políticos.

Uma vista da Embaixada dos Estados Unidos em Lima, em 3 de outubro de 2014. De acordo com um comunicado de imprensa da Embaixada dos Estados Unidos em Lima, a embaixada em 2013 havia emitido quase 84 mil vistos de não-imigrantes e mais de 5100 vistos de imigrantes para residentes do Peru. Foto: US Embassy in Lima, Peru / Reuters / Mariana Bazo

Uma vista da Embaixada dos Estados Unidos em Lima, em 3 de outubro de 2014. De acordo com um comunicado de imprensa da Embaixada dos Estados Unidos em Lima, a embaixada em 2013 havia emitido quase 84 mil vistos de não-imigrantes e mais de 5100 vistos de imigrantes para residentes do Peru. Foto: US Embassy in Lima, Peru / Reuters / Mariana Bazo

“Traição no Peru”: Estados Unidos estabeleceram bases militares secretas na Amazônia.

Os resultados de uma pesquisa de opinião em 2015 mostrou que a popularidade de Humala havia caido para seu nível mais baixo ao longo de sua administração, e que apenas 12% dos peruanos aprovam sua administração, que está envolvida em escândalos de corrupção, diz o jornalista e escritor Nikandrov Nil em seu artigo do website Russian Strategic Culture Foundation.

O governo dos EUA não poupa elogios ao presidente peruano, pois ele, por sua vez, torna mais fácil para Washington alcançar seus objetivos geoestratégicos na América do Sul. Mas, ao mesmo tempo, as políticas de Humala geram uma crescente indignação entre os peruanos, que o chamam de “traidor”, acrescenta Nil.

Há sete anos, antes de se tornar presidente, Ollanta Humala, ex-líder da oposição, criticou forte e continuamente a presença de forças americanas em seu país e denunciou seus predecessores de liderar uma política “antipatriótica”, que, segundo ele, visam manter sob controle os governos progressistas da região.

No entanto, Lima deu a Amazônia para os EUA, onde têm três bases militares (Iquitos, Nanay e Santa Lúcia) para a alegada luta contra o tráfico de drogas e terrorismo, bem como seis outras bases secretas em outras partes do país. Sem mencionar as três cidades portuárias no Peru, que são usadas regularmente pela Quarta Frota dos EUA. Mas a crescente atividade das forças americanas na Amazônia peruana não tem êxito e seus resultados são questionáveis, diz a publicação.

Por sua parte, Argentina, Bolívia, Brasil, Equador e Venezuela consideram o fortalecimento da presença militar dos EUA na Amazônia como uma ameaça à segurança nacional. Sob o pretexto da luta contra o narcotráfico, Washington enviou mais armas ao Peru e aumentam constantemente o número de conselheiros militares e de inteligência na região, mas seus objetivos não são claros, conclui Nil.

Uma nova base militar no Peru.

Após o impeachment parlamentar de Dilma Rousseff no Brasil e a chegada de Mauricio Macri à Casa Rosada na Argentina, os Estados Unidos tentam desesperadamente aumentar sua presença militar na América Latina e, especialmente, no Cone Sul. Peru, um dos países da Aliança do Pacífico, é a mais recente vítima das incursões imperiais de Washington. O governo regional do Amazonas (Peru) aprovou no final de 2016 a instalação de uma nova base militar dos EUA que, para a opinião pública, é apresentada como um centro de resposta a desastres naturais.

Apenas a alguns días depois de deixar a Casa Branca, Barack Obama decidiu não perder a oportunidade de fortalecer a implantação das forças dos EUA na América do Sul. O governo peruano, o US Southern Command e a empresa Partenon Contractors EIRL, acabam de assinar o projeto de instalação de uma nova base militar, camuflada sob o nome de Centro Regional de Operações de Emergência (COER) do Amazonas [1]. O financiamento para a construção será de pouco mais de US$ 1.350.000 e será concluída em cerca de 540 dias, contando a partir de 29 de dezembro de 2016.

De acordo com as informações fornecidas pelo governo peruano, a base militar dos EUA terá um heliporto de 625 metros quadrados; um prédio de dois andares, o primeiro dos quais será um armazém de ajuda humanitária de 1.000 metros quadrados, enquanto que no segundo o COER trabalhará em conjunto com os módulos operacionais (logística, comunicação, monitoramento, análise, etc.). Ele também irá incluir uma sala de reuniões, uma sala de mídia, quartos e um estacionamento de 800 metros quadrados.

Sem dúvida, é o intervencionismo disfarçado de ajuda humanitária. Ao contrário do que é dito oficialmente, não está orientado para fortalecer a capacidade de resposta dos peruanos contra a estratégia de desastres naturais. Os Estados Unidos está cravando suas garras militares no Cone Sul, com a aprovação do presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski. A soberania da América do Sul está sob ameaça.

Estados Unidos já não precisa de lançar guerras de conquista para afirmar sua hegemonia sobre o território latino­americano. Agora, a disciplina é realizada de uma forma muito mais sutil, por meio de iniciativas de militarização secretas [2]. Em adição à luta contra o terrorismo, Washington usou a luta contra o tráfico de drogas e seu suposto compromisso de respeitar os direitos humanos como uma desculpa para interferir nos assuntos internos de outros países.

O Peru é uma plataforma crucial para os EUA conseguir consolidar o seu plano de dominação sobre tudo da América do Sul, uma área que, como sabemos, tem imensas reservas estratégicas de recursos naturais (gás, petróleo, metais, minerais, etc.). Por pelo menos na última década, os governos da América do Sul desferido um enorme revés para a gravitação econômica e geopolítica dos Estados Unidos no continente.

No entanto, desde 2009 o Peru não colocou qualquer resistência contra as incursões de Washington, que se tornou um dos países latino­americanos que têm uma maior presença das forças armadas dos EUA no seu território, antes de aprovar o instalação desta nova base militar no Departamento de Amazonas, o Comando Sul dos EUA havia se estabelecido nas regiões de Lambayeque, Trujillo, Tumbes, Piura, San Martin e Loreto.

Deve­se notar que a cooperação militar entre Washington e Lima não é restrita à instalação de bases militares. O Estados Unidos conseguiu entrar plenamente no aparato de segurança e defesa do país. Por autoridade do Ministério da Defesa do Peru, as unidades de operações especiais do Comando Conjunto das Forças Armadas, o comando de Inteligência e Operações Especiais Conjuntas e o Componente Especial de Vraem, receberam treinamento de forças norte­americanas entre maio e setembro 2016 [3].

Em paralelo, as forças peruanas têm realizado uma série de exercícios militares conjuntos com os Estados Unidos, de acordo com os seus argumentos, para fortalecer suas estratégias de defesa contra agressões externas, sendo um dos mais importantes exercícios, o Exercício das Forças Silenciosas (SIFOREX, em sua sigla em Inglês), que é realizada a cada dois anos no Mar de Grau, considerado um dos maiores exercícios navais em importância internacional.

O Peru reflete claramente que a América do Sul está passando por momentos críticos e uma forte campanha de assédio. Junto com as dificuldades econômicas [4], a região é vítima de uma ofensiva poderosa, impulsionada desde o exterior tentando, através de várias formas, fortalecer a presença de Washington.

As incursões militares dos EUA na região estão fazendo o seu caminho em um ritmo rápido, um pouco na virada de vários governos para o conservadorismo, principalmente após a chegada de Mauricio Macri, presidente da Argentina e do impeachment parlamentar de Dilma Rousseff no Brasil, e muito para o esforço contínuo para minar a influência de países como a China, a Rússia e o Irã [5].

Armar­se até os dentes no Peru representa uma questão vital para os Estados Unidos, mais tarde, para realizar a instalação de uma outra base militar na Argentina, mesmo na fronteira com Brasil e Paraguai [6]. Sem dúvida, a construção de um futuro melhor para os países da América do Sul está em grave perigo… ²

Leia também: Argentina: Presidente Macri entrega aos Estados Unidos a terceira maior reserva de água doce do mundo.

Leia também: A invasão ‘já não mais’ silenciosa da América Latina.

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fontes: ¹ The Dawn News.org ² Global Research.ca | Autor: Ariel Noyola Rodríguez

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