Governos da Banca: Não somente corruptos, também maldosos e excludentes.


“Um número cada vez maior de pessoas é excluído da cultura, do saber, do trabalho, da cidadania, impedido de ser ator de sua própria vida e das transformações que operam atualmente em nossa sociedade.” Maria Alice Médioni (Apresentação em A Construção dos Saberes e da Cidadania, diversos autores, Artmed, 2002)

A informação trazida pela Coluna Fatos & Comentários, do jornal Monitor Mercantil, em 13/03/2017, mostra mais um crime, desta vez cometido contra a população canadense, de governo da banca. Esta ação dos fantoches a serviço do capital financeiro não nos surpreende, mas nos oferece a oportunidade de retornar à questão da cidadania que o golpista governo da banca no Brasil vai desconstruindo dia a dia.

O que ocorreu no Canadá? Mais uma exitosa experiência de um dos instrumentos que a filósofa estadunidense Nancy Fraser (Reconhecimento sem Ética, in Jessé Souza e Patrícia Mattos, organizadores, Teoria Crítica no Século XXI, Annablume, 2007) considera indispensável à cidadania: a distribuição de recursos materiais que “assegure a independência e voz dos participantes”; condição objetiva da paridade participativa de toda população de um município, estado ou país.

Relata o jornal que, pelo acaso, foram descobertos dados estatísticos sobre a aplicação, por quatro anos, do programa de renda mínima na cidade de Dauphin, próxima a Winnipeg.Transcrevo da citada coluna: “Evelyn Forget, professora de Economia na Universidade de Manitoba, descobriu as caixas. Ao analisar as informações, durante três anos, chegou à conclusão que o experimento foi um tremendo sucesso. As pessoas de Dauphin não apenas ficaram mais ricas, como espertas e saudáveis. As crianças melhoraram na escola. Internação em hospitais caiu 8,5%. As pessoas não abandonaram seus empregos”.

Por que então este êxito econômico, educacional, na saúde foi extinto? Porque se elegeu um governo conservador, promovido pela banca, com a mesma campanha que levou parte da classe média do Brasil a bater panelas: a desinformação, a mistificação e as falsas acusações sobre os promotores e os beneficiários diretos do programa que, diuturnamente, a mídia oligopolista, sempre a serviço da banca, inundou os olhos e ouvidos de uma população pouco ou nada politizada.

O que você leu e ouviu amplamente durante estes últimos anos, até maio de 2016? Que vivíamos uma pandemia da corrupção, quem recebia bolsa família (chamada de bolsa esmola) era vagabundo, não queria mais trabalhar, que nada funcionava neste País por causa do governo corrupto. Vemos agora, cada dia mais claramente, que os grandes corruptos no Brasil estão neste governo golpista, e são apoiados pelos do Congresso e do Judiciário, onde se inclui o Ministério Público. E que o SUS, que atendia perfeitamente as principais demandas da população, agora não recebe mais os remédios que antes distribuía, que seus médicos, antes presentes, agora estão ausentes, porque os salários atrasam ou nem chegam e eles precisam sobreviver, e as escolas voltam à didática colonial, sem crítica e sem o conhecimento da história e geografia do Brasil. É esta ignorância que vai permitir a entrega do País aos interesses estrangeiros.

Quanto à economia bastariam os recordes sucessivos de desemprego, mais há também a danosa alienação, na bacia das almas, de tudo que possa interessar aos capitais e às geopolíticas estrangeiras: petróleo, água doce, nióbio, minerais em geral, terras férteis e, cereja no bolo, a destruição da engenharia brasileira, a prisão do herói de nosso programa de independência nuclear, a entrega da base de lançamento de foguetes em Alcântara aos Estados Unidos da América (EUA) e até, pois a banca é insaciável, a fabricação do dinheiro brasileiro que sai da competente Casa da Moeda para qualquer empresa estrangeira, com o alto risco de termos uma enxurrada de notas falsas (Lei 13.416, de 24/02/2017, acatando a golpista Medida Provisória 745. Observe que é uma lei do período carnavalesco, para não despertar atenção).

Voltemos à construção da cidadania, naquilo que Nancy Fraser considera condição objetiva. Qualquer governo que não seja um títere da banca terá, ainda que por meios nem sempre aprováveis, interesse no desenvolvimento. Com o desenvolvimento haverá mais emprego, donde pessoas com maior poder de compra; o comércio e a indústria produzindo sempre será capitalizado politicamente e gera no conjunto um círculo de múltiplos ganhos. A banca não tem este objetivo, deseja a renda concentrada e a apropriação de todos os ganhos da economia. Para isso ela corrompe, pois em sã consciência ninguém defende a espoliação do trabalho, da indústria, do comércio para que as finanças ganhem cada vez mais. Você pode argumentar que os juros baixaram depois do golpe. Meu caro, os juros nominais, pois os juros reais mantiveram-se iguais e até em alguns períodos aumentaram. A banca não mobilizaria seu arsenal midiático, nem ordenaria a potência imperial que ela controla (ou controlava?), os EUA, para espionar, treinar, organizar e corromper com vistas ao golpe se não fosse para aumentar seus ganhos. Apenas estes fatos saíram das manchetes, das matérias de capa das revistas semanais e dos noticiários televisivos.

O que aconteceu no Canadá e que o acaso nos revelou está também acontecendo na Argentina, na França, na Grécia, no Reino Unido e onde mais a banca assuma o poder. Mas você pode, desempregado, continuar batendo panela, estudando numa escola sem política e também sem aula de história, de geografia do Brasil, e sem o conhecimento que lhe proporcione pensar.

Efetivamente vivemos uma ditadura que não é só do pensamento único, mas da administração única: todos os ganhos, todas as receitas para o sistema financeiro.

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Autor: Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

Publicado em dinamicaglobal.wordpress.com

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