Operação Lava Jato: Apenas uma tragédia nacional? Por quê o Brasil não deixa de ser colônia? Um povo fadado à miséria?


    “Qualquer reflexão sobre o emprego de modelos (informacionais) conduz também a problemas filosóficos fundamentais, em especial a objetividade das informações, descritivas do meio exterior, e, por conseguinte, do problema do conhecimento.” Louis Couffignal, Les Notions de Base, Gauthier-Villars Éditeur, Paris, 1958 (tradução livre)

A Teoria da Informação teve extraordinário desenvolvimento após a II Grande Guerra. Não só no estudo da produção, transmissão e recepção de mensagens, mas nas transformações sociais trazidas pelos novos sistemas e instrumentos de comunicação. Em 1962, o pensador francês Edgar Morin apresentou seu livro “L’Esprit du Temps” (resultado de pesquisas nos dois anos anteriores) no qual procurou entender a configuração cultural da sociedade ocidental afetada pela “cultura de massa”. Em 1974, ele afirmava que “o espírito do tempo” já era outro.

Em diversos artigos, nos quais analiso a tomada do poder pelo capital financeiro, ressalto que este capitalismo soube, melhor do que qualquer outra ideologia, se apropriar e utilizar os recursos da tecnologia da informação. Não só na parte instrumental das transmissões de dados, como nos efeitos psicossociais das comunicações.

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No Brasil, onde as elites dirigentes ocultam nossa história para manter adormecida e ignorante a população, este poder, que designo banca, encontrou terreno fértil e seguro para se espalhar e dominar. O caro leitor tem dúvida?

Pergunto-lhe então onde estudou, nos seus livros didáticos, as figuras do Cônego João Batista Campos, ou dos heroicos Eduardo Angelim, Lucas Dantas, Sepé Tiaraju, ou, ainda, viu o mapa do Brasil quando foi “elevado à condição de Reino Unido”? E agora, com a “escola sem partido”, será ainda mais difícil conhecer nossa própria história. Passo fundamental para continuar na escravidão colonial.

Estas considerações preliminares objetivam entender a farsa da Operação Lava Jato, pois não surgiu por um acaso nem se destinou a combater a corrupção no Brasil. Ela foi programada, como o foram, com os mesmos e velhos pretextos, outros movimentos, para impedir, mais uma vez, que o País conquistasse um simples degrau na busca da soberania e da cidadania para todos seus habitantes.

Penso que só a mente obnubilada, tomada totalmente por falsas questões, pode imaginar que um único partido político – o PT -, administrando pela primeira vez o País e com uma miríade de outros partidos, conseguisse transformar sua gestão na “pandemia corrupta”. Só com ajuda divina, pois materialmente e politicamente isto seria impossível. Tanto que as denúncias, nem sempre publicadas na imprensa, não eximem qualquer partido das ações corruptas.

Mas há, houve e haverá corrupção no Brasil, sempre que se prosseguir mantendo um Estado fraco (Estado Mínimo) e constantemente hostilizado para que não construa o modelo de fiscalização eficaz, promova a transparência nos negócios públicos e permita o acesso de todos aos atos e fatos governamentais. Não é o que fizeram em toda nossa história os donos do Poder? Por que levaram ao suicídio e ainda hoje combatem a herança de Getúlio Vargas? Por que depuseram com estes mesmo falsos pretextos o seguidor de Vargas, João Goulart? E por que aplicaram um golpe no General Ernesto Geisel, que representava um governo nada agressivo à burguesia brasileira?

Porque sempre fomos uma colônia. Nossa elite governamental, que o grande pensador Darcy Ribeiro adjetivava como inteligente e cruel, só servia e continua defendendo os interesses estrangeiros e se satisfaz com as percentagens recebidas e a sua manutenção no poder local. E para isso constrói uma história, que não é a do povo brasileiro, e difunde questões que não dizem respeito a nossa soberania e desenvolvimento. Lembram do deificado tripé macroeconômico, indispensável para o crescimento nacional, e tantas outras falsas e ferozes razões?

Este colonizado brasileiro, que enaltece um magistrado agente treinado nos Estados Unidos da América (EUA) – sob as ordens da banca – com muitos outros comparsas para desfigurar uma realidade, sobejamente conhecida como a praticada pela elite, atribuindo-a, mesmo sem provas, a um líder popular e seu partido, apoia o golpe que lhe deixa sem trabalho e sem aposentadoria.

Iniciei tratando da informação. A mídia ocidental, de dúzia e meia de donos, é o instrumento doutrinário e de desinformação da banca. Aqui, nesta colônia de banqueiros (apud Gustavo Barroso), um sistema de comunicação de massa figura entre os 18 do grupo: a Globo. Com algumas poucas famílias secundando-o, este sistema de televisão, rádio, revistas e jornais mantém toda população desinformada e doutrinada em favor da banca e contrária ao próprio País.

Esta é uma ação planejada por profissionais da colonização, com a experiência acumulada pelos séculos da dominação europeia. Este sistema sabe que a ignorância é fundamental para manter a sujeição de todos – escravos e senhores – vítimas, ao fim, deles próprios. Imagino a preocupação dos agentes ao ver que estavam destinados para educação 75% dos royalties de nossa Arábia Saudita submersa, o pré-sal. Mas logo trataram de controlar esta educação numa escola sem partido.

Tenho acompanhado as inúmeras manifestações, artigos e palestras sobre o desmonte econômico do Brasil nestes três anos da Lava Jato e dez meses do golpe de 2016. Sem dúvida inquietante e prejudicial aos brasileiros. Mas penso que mais grave ainda foram o exemplo de cinismo de um presidente, a fragilidade intelectual do atual mordomo da banca e o pouco ou quase nada que se fez pela educação libertária, pela construção do saber crítico e pela valorização dos saberes, como o definem Paulo Freire, Boaventura de Souza Santos, membros do Grupo Francês de Educação Nova (GFEN) e pedagogos conscientes das pressões atuais.

Esta colonização cultural é mais difícil de descortinar e avaliar seus danos do que aquele causado pela apropriação de nossas riquezas naturais e pelas perdas do esforço científico e tecnológico brasileiro. Estamos pois fadados a continuar colônia. Temos um exemplo que esta libertação é possível ao nosso lado: o Estado Plurinacional da Bolívia. Claro que um país de 1,1 milhões de quilômetros quadrados e 11 milhões de habitantes não tem a mesma complexidade que o nosso que já foi o sexto maior Produto Interno Bruto (PIB) do mundo.

Verifique se você chama populista um governante que aumenta os salários, investe na geração de empregos e na saúde para os brasileiros. E se este reduz os salários, leva empresas à falência e o povo ao desemprego para entregar aos bancos todo resultado da produção nacional, você o considera responsável? Assim saberá se tem consciência nacional ou a mente colonizada.

Precisamos estar cientes que só a luta pela emancipação nacional possibilitará construir um Brasil justo e soberano para os brasileiros.

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Leia também: Operação Lava-Jato – três anos destruindo o Brasil – Hitler ganhou a guerra.


Autor: Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

Agradecimentos de Dinamica Global ao autor por suas relevantes contribuições.

Publicado em dinamicaglobal.wordpress.com

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