Marine Le Pen: A candidata da periferia?


O domínio de parte do mundo pelo capital financeiro internacional vem agravando as incertezas da sociedade sobre os reais objetivos políticos dos que se lançam candidatos aos postos governamentais e mesmo a consistência ideológica e política dos partidos.

Christophe Sanz, apoiador do candidato presidencial francês centrista Emmanuel Macron, cola um cartaz de campanha junto a um cartaz da candidata de extrema-direita Marine le Pen, em Bayonne, sudoeste da França, quarta-feira, 19 de abril de 2017. A eleição presidencial de dois turnos foi definida para 23 de abril e 7 de maio. (AP Photo / Bob Edme)

O jornalista francês Thierry Meyssan, em seu blog Réseau Voltaire, de 25/04/2017, lamenta a ausência de uma reação dos franceses à unanimidade do grande capital. Realmente, a grande mídia francesa, que não difere muito de todas as congêneres ocidentais, construiu, para um executivo do banco Rothschil & Cie, Emmanuel Macron, a imagem que aqui no Brasil iludiu os eleitores em 1989, com Fernando Collor, e em 2016, com João Doria Junior.

Assim, forma-se uma coalizão de socialistas, capitalistas, grandes empresários, e donas de casa e operários contra um tremendo mal: aqui, em 1989, o comunismo de um sindicalista que nem de esquerda podia ser apodado, e lá na França, agora, de candidata que repete um comportamento gaulista do entre guerras do século passado.

Tentemos, e não será fácil e muito menos consensual, identificar as forças que, nos dias atuais, disputam o poder, dentro do sistema “democrático”.

Como já foi mencionado, temos o sistema financeiro, também denominado Nova Ordem Mundial (NWO, da designação em inglês) ou, como prefiro, a banca. Este poderoso grupo que tem na cúpula cerca de 40 famílias, controla quase toda movimentação financeira mundial, quer diretamente, por suas instituições, como a do ex empregador do candidato Macron, quer indiretamente, por instituições financeiras internacionais (Banco Mundial, FMI), quer pelo Tesouro dos países onde os governantes também lhe servem.

Outro grupo seria dos BRICS, que atacado pela banca se esfacelou, restando hoje a Rússia e países de sua área de influência, além do Irã, da Coreia do Norte e os países que são identificados sob a titulação de bolivarianos. Todos eles são objeto de constantes ataques, quer em movimentos políticos e populares financiados pela banca, quer na divulgação de todo tipo de mentiras e fraudulentas notícias. Recordemos um fato histórico que não está muito distante. A deposição violenta de Salvador Allende, em 1973, precedida de intensa campanha pelos veículos de comunicação de massa e na subvenção e suborno de sindicatos e associações empresariais para tornar no mínimo desconfortável o cotidiano dos chilenos.

O terceiro grupo, em meu entender, é constituído pela China e países de sua área de influência. Ora faz o jogo da banca, ora apoia a Rússia, o que me soa legítimo, pois busca o melhor resultado para gestão de quase um quinto da população da Terra.

Assim, neste Ocidente em que vivemos, a luta do dia a dia se trava entre a banca e a Rússia. Lembre que esta última aparece sob “suspeitas midiáticas” na eleição nos Estados Unidos da América (EUA), onde a banca foi derrotada, e agora se repetem acusações de interferências na eleição francesa, como se a banca, com candidato próprio, a acompanhasse como um Deus no Olímpio.

Pesquisa divulgada após a eleição pelo jornal Le Monde nos dá elementos para reflexão. Marine Le Pen foi majoritária em áreas da periferia e entre os eleitores mais pobres. O que pode significar esta informação?

Primeiro, penso, que estas áreas, mais afetadas em suas vidas pela sequência de governantes da banca, seja Sarkozy seja Hollande, procuraram na que aparecia como verdadeira oposição sua opção. Nesta caso, mais uma vez, a esquerda perde o discurso eleitoral; não consegue apresentar um programa e uma crítica convincentes. Realmente os quase 20% de Jean-Luc Mélenchon podem se transformar em trunfo eleitoral se souber ou puder esclarecer os eleitores que a luta se trava entre um sistema internacional, movido unicamente pela apropriação financeira e pela concentração de renda, e um projeto nacional de pouca sensibilidade social ou humana.

A possibilidade de uma surpresa à Donald Trump é mínima. Até pela lição aprendida pela banca. Mas o que pode ocorrer é a desilusão democrática, como parece estar ocorrendo na Grécia e no Brasil. O povo, mais uma vez iludido pela televisão, pela “grande imprensa”, pelos falsos discursos dos que o governam, no público e no privado, acabará descrente das soluções democráticas. E a banca culminará com sua maior vitória: o poder que não se submete ao crivo popular.

Mas, realisticamente, não podemos esquecer que a guerra é sempre um instrumento dos poderosos e do capital.


Autor: Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

Publicado em dinamicaglobal.wordpress.com

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