Conhecimento como arma de defesa contra a desinformação. A ilusão política da classe média.


Já foi dito que o conhecimento é a arma mais poderosa que existe. Logo, podemos perceber que foi dito conhecimento ao invés de informação. É que o conhecimento trata da compreensão da realidade, já a informação, constituída sobre significado transitório e atrelada a finalidade, perde sua função quando consumada a finalidade. É tal qual um meio para um fim, se atualiza e desatualiza e pode ser manipulada a partir da fonte. Numa explicação simplificada, o conhecimento fica na fonte, mas a informação transcorre dela.

O problema com a informação está em que pode ser distorcida a fim de se desviar a exatidão da realidade dos fatos, a isso se chama desinformação. É disso que trata, por exemplo, a manipulação do entendimento político das pessoas. E a desinformação é prática comum empreendida pela mídia que assistimos e lemos. Essa mídia funciona como agente de desinformação da sociedade conduzindo à incompreensão da real política uma vez que damos legalidade a ela para nos informar.

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Em geral, o distanciamento da realidade causado pelo hábito de sermos consumidores de mídia nos permitiu o vivenciamento automático da expectação de dias melhores. Sem nos importarmos com a sazonalidade bipolar típica do tratamento político oferecido ao eleitorado. Tendo a mídia como anestésico para as mentes fomos impedidos da compreensão política contextualizada que hoje não nos convida para a reflexão mas nos distancia dela.

E esse distanciamento da realidade política permitiu a derrocada a conta gotas da sociedade. Tivéssemos levantado a nossa voz em uníssono quando nos restava poder, quando corporações empresariais ainda dependiam do indispensável trabalhador, quando a nossa força de trabalho foi essencial e ignorar esse clamor teria sido grande transtorno para o sistema, estaríamos a vivenciar um país diferente. Estaríamos libertos totalmente do complexo brasileiro potencializado pela TV, de que o que vem de fora é melhor. Pagamos por essa atrofia do entendimento político.

Para resolver essa e outras questões e sermos protagonistas da nossa história precisamos entender a necessidade do conhecimento. Estar consciente para depois fazer escolhas, essa é a atitude de maior eficiência nas tomadas de decisão em qualquer situação. A esse saber inseparável dos acontecimentos, num determinado meio, e inescapável ao entendimento mais amplo, a isso chamo conhecimento da realidade.

Uma pessoa não pode obter as respostas certas se não souber fazer as perguntas certas. Enquanto jornalistas da mídia são agentes da desinformação nos meios de comunicação de massa, também estão na folha de pagamentos de um poder maior para propagar informações erradas que distanciam as pessoas da realidade dos fatos.

Esse poder nunca noticiado, cujas intenções, práticas, e identidade nunca é divulgada, permanece sem ser pego pela verdade à medida que o conhecimento da realidade é negado ao público. Sendo assim, não é surpreendente muitos governos já terem sido arrancados à força do poder, por meio de uma revolução ou golpe jurídico-midiático, tendo já isso antecipadamente decidido no círculo do poder dominante.

A ilusão política das classes média e baixa.

Uma ferramenta a muito empregada com sucesso tem sido a polarização da política, em dois lados, sob a ótica míope de que alguma escolha é feita a partir do suposto antagonismo de direita x esquerda. A esse fenômeno denomino a grande ilusão política dos consumidores de mídia, em exposição aqui, a classe média e baixa.

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A polarização da sociedade para travar seus debates sobre projetos opostos serve para minar as forças de união dessas classes e impedir que poucos governem sobre muitos. É uma engenharia social empregada com êxito sobre as pessoas fazendo a ditadura de poucos ter a aparência da democracia de muitos. E quem governa de fato mantêm o poder vitalício para si sem ser visto.

Todo governo visível é averiguável numa democracia real, ou pelos cidadãos que acompanham os atos do poder executivo, juntamente com a mídia, ou pelos poderes legislativo e judiciário segundo a constituição. Mas quando o governo eleito é governado pela ditadura de poucos, esta ditadura usa aquele governo para fazer seu trabalho, tirando o poder do público enquanto corrompe os outros poderes constituídos.

Para não provocar a oposição da sociedade, o governo eleito assume as aparências de um governo democrático e se algo ocorrer de errado durante o processo de obediência às ordens ou escapar do sistemático aparato de controle do sistema, o governo é tido como falho e é trocado.

A cada crise econômica ocorre por imposição o enfraquecimento de empresas atraentes para o mercado. Assim uma gradativa transferência do poder do Estado acontece para a iniciativa privada e suas grandes corporações. Investidores de risco e grandes acionistas se aproveitam da situação favorável e compram a preço muito baixo ou através de leilões facilitados pelo governo visível. Isso acontece a cada crise econômica, com a desculpa de desonerar o poder público, a cada governo que sobe ou cai. E quando ocorrem mudanças na conjuntura política esse cenário é propício para sair às compras, de parlamentares a juízes e ONGs, conforme já disse David Rockefeller: “Dá-me o controle sobre a economia e não importará quem faz as leis.”

O texto continua em O disfarce perfeito da política. Existem ordens por trás da privatização do poder público.


Autor: Rod Oliveir

Publicado em dinamicaglobal.wordpress.com

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