Estudo: A realidade política e seu distanciamento da expectativa do eleitorado.


“A realidade política não é evidente. Não é conforme é apresentada nas leis. A política que acontece, aquela que contém a verdade factual, não tem ética, não é moral. Não corresponde nem ao objetivo nem à noção de suprir o anseio das pessoas. É um maquiavelismo útil para conter populações sob controle.”

A matéria abordada na sequencia por certo será desconfortável e esclarecedora ao mesmo tempo, pois levará a reflexões não costumeiras no cotidiano da maioria.

A compreensão política na avaliação interna de um eleitor

A avaliação da compreensão política é medida conforme a pessoa interpreta a realidade. Quanto maior o nível de esclarecimento maior a capacidade de interpretação dos fatos da realidade política. Sendo a política uma ciência social a lidar com as realidades de cada segmento na sociedade, na visão do eleitor o ocupante do cargo político precisa atender às expectativas da sociedade, seja esta coesa ou não. Isto exige do cargo a habilidade muitas vezes desconhecida do tratar de diversas questões conflitantes fortemente exigidas. Daí o ocupante do cargo vai recorrer a manipulação da realidade para compensar sua inabilidade em resolver as demandas divergentes. Nisso o cidadão instruído, já conhecedor da realidade política, identificará esses hábitos e vícios.

Com a separação do correto e do necessário na prática política o eleitorado tem condições de distinguir o que é possível e o que é expectação, o que é honesto e o que é desonesto, segundo sua avaliação interna com base no conhecimento adquirido da instrução que teve do assunto e a interpretação da realidade. E o nível de consciência da realidade é que fornece a aptidão para a tomada de decisão de maior eficiência para uma escolha acertada.

No entanto, saber exatamente o significado do necessário, do desejável e do possível é que determinará o nível de compreensão política. Exemplificando, o necessário, o desejável e o possível na avaliação do cidadão em relação à expectativa política conforme pode ser imaginado: O necessário pode ser emprego, dinheiro, comida, água. O desejável pode ser ruas e praças bem iluminadas, cidade sempre limpa, educação gratuita. E o possível pode ser a contratação de empresas privadas prestadoras de serviços públicos. A diferença entre expectação e realização é o que permite distinguir uma da outra e não confundir imaginação com realidade.

 

Níveis de consciência da realidade para a avaliação dos eleitores votantes

Platônico é ingenuo (não comprende a realidade incapaz de ligar os pontos)

Utópico é sonhador e idealista (compreende pouco a realidade mas não o suficiente )

Otimista é esperançoso e confiante (não compreende a realidade o suficiente)

Consulente é pesquisador e pensador livre (é medio conhecedor da realidade)

Sapiente é analista e interprete da realidade (conhecedor da realidade)

 

Identificação das percepções do eleitor e suas convicções

Platonico
Acredita em sofismas como não desperdice o seu voto sem considerar que o voto consciente é impossível se não é conhecedor da realidade. Acredita num tipo salvador com soluções a médio prazo achando que este terá poder de governar por ordem da própria vontade.

Utópico
Sempre desconfia do governo mas em sua avaliação interna acredita nas promessas e justificativas dos governantes por achar que todos seguem alguma ética ou são obrigados a cumprir as leis impostas por instituições idôneas.

Otimista
Espera sempre que o próximo “novo” governo será melhor que o anterior. Confere crédito às palavras de um articulador de frases bem treinado, político, enquanto pensa estar na representatividade política democrática a garantia de que a vontade do povo será feita.

Consulente
Acredita que uma sociedade mais esclarecida poderia fiscalizar e contribuir com a ética política. Informa-se acerca da história, aprimora o conhecimento para tentar acompanhar os desdobramentos políticos e formar uma opinião próxima da realidade e esperar o possível.

Sapiente
Conhece os vícios da administração pública. Tem compreensão da sociedade e da política com foco nas tomadas de decisão dos atores políticos e nas demandas da sociedade. Faz sua análise preemptiva do cenário podendo articular alianças e propor soluções.

Eleitores não votantes são quase que invariavelmente pessimistas. Temem as mudanças tecnológicas, a globalização, limitam seus gastos e vão tornando-se gradativamente tolerantes a um declínio desconfortável do padrão de vida.

A realidade política e seu distanciamento da expectativa do eleitorado

A realidade política não é evidente. Não é conforme é apresentada nas leis. A política que acontece, aquela que contém a verdade factual, não tem ética, não é moral. Não corresponde nem ao objetivo nem à noção de suprir o anseio das pessoas. É um maquiavelismo útil para conter populações sob controle.

A política é na realidade uma ferramenta engendrada para ser praticada com fins de impedir os políticos de tratarem de assuntos públicos com os cidadãos. Isso porque precisam seguir as regras de um poder patrão maior, que é quem de fato os permite alçar o poder e os mantem lá com uma porção menor de seu poder sob controle.

A eleição política nada mais é hoje que uma distração para facilitar a governação da quantidade maior de pessoas. E, enquanto ganha delas o consentimento de serem governadas a cada quatro anos, ofusca a existencia do real poder de quem a maioria se quer suspeita.

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Na realidade, a maioria das pessoas se encontra distante da percepção de que é a expectativa que depositam na eleição política, de mudanças e novas promessas a cada eleição, que as mantêm entretidas com a própria expectativa.

Fazer parecer que partidos políticos são opções diferentes para brindar uma escolha ao eleitor e que candidatos pela primeira vez eleitos igualmente são opções, a isso denomino solução de não continuidade.

O processo eleitoral é a oportunidade de fazer a ilusão de controle e poder sobre o resultado, a cada quatro anos, parecer real para o eleitor. E a solução de não continuidade é a explicação necessária para justificar a dúvida se o processo democrático é de fato autêntico, ou seja, se é genuinamente a escolha do povo acontecendo ali, conforme precisa parecer.

Devido a essa idealização do poder auto-atribuído do eleitor de poder decidir o rumo no regime democrático, é possível construir em cada eleitor uma opinião de consenso, em prol da coparticipação no poder de escolha e de decisão, que dá aos eleitores no momento do voto a sensação do domínio sobre a realidade.


Autor: Rod Oliveir

Publicado em dinamicaglobal.wordpress.com

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